Auto-Retrato
Valéria
Valenssa
| Oscar Cabral
 |
"O Carnaval é uma festa da
carne. As pessoas lá estão pecando" |
Na
vida da ex-Globeleza, a mulata estonteante que anunciava o Carnaval na TV Globo
é apenas um retrato na parede. Aliás, dois: um de 3 metros de altura,
outro de 2 metros. Quando foi demitida, em 2005, Valéria Valenssa se tornou
evangélica. Hoje, aos 37 anos e longe da folia, dedica-se ao marido, Hans
Donner, e aos dois filhos. E, desde julho deste ano, dá seu testemunho
em um templo da Igreja Universal do Reino de Deus no Rio de Janeiro. Valéria
falou a VEJA sobre essa nova fase.
Antes
de se tornar evangélica você tinha alguma religião?
Nasci
em um lar um pouco misturado. Minha mãe era espírita e meu pai,
budista. Cresci nesse meio, freqüentava os dois templos. Mas eu era muito
jovem. Não tinha preferência por um ou por outro.
A
que você atribui o surgimento de sua vocação religiosa?
Em 2004, quando meu segundo filho nasceu, a Rede Globo me avisou que estava
à procura de uma nova Globeleza. Eu faria só mais uma vinheta, para
o Carnaval de 2005. Estava 10 quilos acima do peso e cometi loucuras. Fiz lipoaspiração,
coloquei próteses. Perdi os 10 quilos em apenas dois meses. E no fim fui
mesmo substituída. Foi muito traumático, e um desrespeito enorme
a mim e, principalmente, ao Hans, depois de catorze anos de trabalho. Caí
em profunda depressão. Eu tinha o mundo a meus pés e, no dia seguinte,
não tinha mais nada.
E
por que a religião lhe pareceu uma saída?
Meu grande exemplo
de vida sempre foi (a cantora gospel) Aline Barros, que tem um brilho pessoal
impressionante. Eu me inspirei nela para me juntar a um grupo de funcionários
cristãos evangélicos da Globo, que se reúne perto da emissora.
Foi ali que encontrei Deus.
Como
foi esse encontro?
Eu já conhecia Deus. Mas era algo superficial.
Outro dia meu filho perguntou ao Hans se ele conhecia o Mike Tyson. E o Hans respondeu
que só pela TV. Minha relação com Deus era mais ou menos
assim. Quando cheguei a essa reunião, tive um encontro real. Chorei por
uma hora e meia. A partir daquele momento, nunca mais me separei Dele. E
hoje sou mais feliz, tenho outra visão de vida.
Em
que essa visão é diferente?
Se eu não estivesse na
presença do Senhor, hoje ainda estaria buscando algo que preenchesse o
vazio deixado pela Globeleza. Era como se naquele momento eu fosse uma criança
e a Globo tivesse tirado o pirulito da minha mão.
Por
que escolheu a Igreja Universal do Reino de Deus?
Porque tem cultos em
diversos horários.
Que
mensagem você procura passar em seus testemunhos?
A primeira
coisa é o amor. Em seguida vem o respeito ao próximo, à família,
ao casamento.
Você escreve
seus testemunhos ou fala de improviso?
Vou com um roteiro básico.
Mas na hora escolho as palavras. Falo sobre a minha experiência de vida.
Vim de uma família simples, tive dinheiro e fama, mas nada disso preencheu
o vazio que havia dentro de mim. E conto como estou hoje.
Tem
saudade do Carnaval?
Não. Deixei de desfilar porque já tinha
vivido tudo como a Globeleza. Com fantasia, sem fantasia. Já vivi de tudo.
Agora estou em outra fase, só quero curtir a infância dos meus filhos.
O Carnaval é uma festa da carne, uma festa do mundo. As pessoas lá
estão pecando.
Você
pecava quando aparecia nas vinhetas e desfilava com o corpo coberto apenas com
tinta e purpurina?
Sim. Mas eu não estava na presença do
Senhor, não tinha os conhecimentos que tenho hoje.
Quais
são os seus planos para o futuro?
O futuro a Deus pertence. Mas
gostaria de escrever um livro com meu testemunho e minha história de vida.