Edição 1827 . 5 de novembro de 2003

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VEJA Recomenda


DVDs

Divulgação
Hulk: caixa para os fãs babarem


Hulk – Edição Limitada de Colecionador
(The Hulk, Estados Unidos, 2003. Universal) – Apesar de alguns bons achados – como a transposição da diagramação dos quadrinhos para a tela –, falta humor e sobra solenidade no filme do taiwanês Ang Lee. Poucas categorias são tão fiéis, entretanto, quanto a dos fãs de HQ. Para esses, os 1.000 exemplares numerados dessa caixa que está sendo colocada à venda no país são realmente de babar. Além do disco duplo da edição normal, aqui há um terceiro disco (com mais documentários), um conjunto de cartões-postais com desenhos de produção, um livreto com uma seqüência do filme reimaginada por quatro artistas de quadrinhos e – o filé mignon – uma reimpressão da revista com que Stan Lee, da editora Marvel, lançou o personagem, em 1962.


Ricardo R. Alves
Lennon: antologia abrangente


Lennon Legend,
John Lennon (EMI) – Nos últimos anos, a vida e a obra do ex-beatle John Lennon ganharam inúmeros registros em DVD. Faltava, no entanto, uma antologia tão abrangente quanto essa, produzida por sua viúva, Yoko Ono. Baseado no repertório do CD homônimo, lançado na segunda metade dos anos 90, Lennon Legend reúne clipes de vinte canções que marcaram a carreira-solo do cantor, de Imagine a Working Class Hero. Parte desses vídeos foi elaborada especialmente para o DVD e os já existentes passaram por restaurações. O lançamento traz também uma série de extras curiosos. Há imagens de uma performance feita por Lennon e Yoko nos anos 60 e um registro da última apresentação do cantor ao vivo, na televisão, em 1975.

 

TELEVISÃO

VIP/Jaime Hughes
Scorsese: amor pelo cinema italiano


My Voyage to Italy,
de Martin Scorsese (Il Mio Viaggio in Italia, Estados Unidos/Itália, 1999. Estréia nesta sexta-feira, às 22h, no Cinemax) – "Quanto mais filmes eu faço, mais percebo a marca indelével que o cinema italiano deixou em mim." A frase dita pelo americano Martin Scorsese na abertura desse programa expressa bem o que se verá a seguir: mais do que um documentário, uma declaração de amor do diretor de Taxi Driver aos filmes italianos. My Voyage to Italy tem como ponto de partida o impacto que os clássicos do neo-realismo tiveram em sua infância, numa família de imigrantes sicilianos em Nova York. A partir daí, Scorsese analisa e comenta, ao longo das quatro horas do programa, as obras de cineastas como Federico Fellini e Luchino Visconti, além de recuperar nomes menos conhecidos.

 

LIVROS

Minha Ántonia, de Willa Cather (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; Códex; 336 páginas; 38 reais) – Willa Cather (1873-1947) é um dos maiores nomes da ficção americana do começo do século XX, e um dos menos conhecidos do leitor brasileiro. O grande tema da escritora foi a vida dos imigrantes que ajudaram a desbravar o Oeste dos Estados Unidos. É disso que trata esse romance, publicado originalmente em 1918 e considerado uma obra-prima por críticos como Harold Bloom. A Ántonia do título é uma garota de origem boêmia que chega a Nebraska com sua família para cultivar a terra. Ela marca a juventude de Jim Burden – o narrador que, anos mais tarde, recompõe todo aquele ambiente (com a linguagem delicada que Willa Cather lhe empresta) graças às lembranças que carrega de Ántonia: "Ela sempre fora de deixar na mente imagens que não se desvaneciam – que ficavam mais fortes com o tempo". Leia trecho do livro.

Tesouro do Templo, de Eliette Abécassis (tradução de Maria Angela Villela; Ediouro; 294 páginas; 36 reais) – Francesa de origem judaica, Eliette Abécassis é escritora, filósofa e roteirista de cinema. Ela dividiu com o diretor isralense Amos Gitai os créditos de Laços Sagrados – Kadosh, filme que causou polêmica ao abordar o modo de vida dos judeus fundamentalistas. Eliette, de 34 anos, também é autora de uma trilogia de romances policiais históricos – sim, o gênero é esse mesmo – cujas tramas giram em torno dos Manuscritos do Mar Morto. O Tesouro do Templo é o segundo livro da série, mas o primeiro lançado no Brasil. A partir do assassinato brutal de um arqueólogo, desenrola-se uma história que tem conexões com fatos do passado e do presente de Israel.

 

CINEMA

Divulgação
Segunda-Feira ao Sol: a angústia dos desempregados


Segunda-Feira ao Sol
(Lunes al Sol, Espanha/França/Itália, 2002. Estréia nesta sexta-feira) – Num porto espanhol, um grupo de amigos desempregados devido ao fechamento de um estaleiro passa os dias num bar, destilando suas amarguras. Um deles esconde dos colegas o fato de que foi abandonado pela família. Outro tenta parecer mais jovem para arrumar trabalho, e outro ainda se ressente de ser sustentado pela mulher. Santa (Javier Bardem), o líder informal da trupe, esbraveja muito, mas nada faz. É um retrato triste e honesto da apatia, da perda de referências e do tolhimento da masculinidade acarretados pelo desemprego. Apesar disso, e da magnífica atuação de Bardem, o que deu fama ao filme foi ter sido indicado pela Espanha ao Oscar de produção estrangeira neste ano, no lugar do Fale com Ela de Pedro Almodóvar.

 

DISCOS

 
Divulgação
Van Morrison: jazz, blues, folk e rock  

What's Wrong with This Picture?, Van Morrison (EMI) – Autor de álbuns clássicos como Astral Weeks (1968) e Moondance (1970), o irlandês Van Morrison, de 58 anos, é uma das figuras menos afeitas à badalação no showbiz. Toda a sua energia é dedicada à música: ele lança um disco após o outro, mantendo um impressionante padrão de qualidade. A única oscilação é entre CDs de inspiração mais jazzística e outros em que ele explora a mistura de blues, jazz, rock e música folk que o consagrou. Esse novo disco – trabalho de estréia em uma nova casa, o selo Blue Note – inclui-se na segunda categoria. Considerado um dos grandes letristas da música pop, Morrison aborda temas como a solidão e a fama em músicas como Meaning of Loneliness e Goldfish Bowl.

Original Pirate Material, The Streets (Warner) – The Streets é um grupo de um homem só: o produtor e cantor Mike Skinner. Considerado o enfant terrible da música eletrônica inglesa, ele se tornou um dos porta-vozes da juventude de seu país, que vive a ressaca dos excessos do ecstasy e das raves nos anos 90. A novidade de Original Pirate Material, seu primeiro álbum, está em injetar boas doses de crítica social num gênero para lá de despretensioso: o 2-step, uma batida dançante que faz sucesso nas pistas inglesas. Nas catorze faixas do disco, Skinner dispara letras inteligentes numa cadência que oscila do soul ao hip hop. Os agradecimentos no encarte do CD dão uma idéia da irreverência do rapaz: "Obrigado a todas as garotas que me deram foras e a todos os valentões que me espancaram – vocês me ajudaram a ser tão centrado".

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Natal: Sodiler.
 
 
 
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