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Comportamento
Coisa de criança
Vestidos de Barbie, Peter Pan
e Cinderela, adultos agora
fazem
festas em bufês infantis

Ariel Kostman
Fotos arquivo pessoal
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MARCO
ANTONIO CAMPOS SALLES,
64 anos, advogado
Ele se vestiu de sultão na festa que teve tobogã e
trenzinho: "Queria que meus amigos voltassem aos bons
tempos de criança" |
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O
aniversário de 64 anos do advogado paulista Marco Antonio
Campos Salles foi comemorado em grande estilo. Os 200 convidados
brincaram nos carrinhos bate-bate, escorregaram no tobogã
e andaram de trenzinho. A festa foi realizada no bufê infantil
Planet Mundi, em São Paulo. "Minha intenção
era exatamente essa", diz Marco Antonio. "Fazer com que meus amigos
voltassem aos bons tempos de infância." Ele usou uma fantasia
de sultão. Sua mulher, Sandra, vestiu-se de Jeannie do seriado
Jeannie É um Gênio. Desde o início do
ano, bufês infantis têm sido surpreendidos pela quantidade
de adultos interessados em fazer festas. E não se trata aqui
necessariamente de excêntricos ou adolescentes tardios. São
pessoas com responsabilidades, empregos respeitáveis e, muitas
vezes, com filhos. Simplesmente cultivam a descontração
de uma festa infantil. "É uma moda que está crescendo",
diz a dona do Planet Mundi, Rosangela Veiga. "Hoje, os adultos já
representam 30% das festas."
No Rio de Janeiro, a economista Isadora Skornicki comemorou seus
21 anos fantasiada de Cinderela no bufê Espaço Encantado.
Os convidados também estavam vestidos como personagens de
contos de fada. Além dos brinquedos, ela fez questão
de contratar animadores para entreter seus convidados com brincadeiras
com bexigas. "Para mim, a festa foi uma despedida da infância",
diz Isadora, que trabalha em uma financeira.
No paulista Mega Party, que conta com atrações como
piscina de bolinhas, roda-gigante e videogames, a história
se repete. "Neste ano aumentou a procura de festas para adultos
aqui", diz a gerente Fernanda Machado. "Eles querem algo diferente,
um clima de sonho. O pessoal brinca mesmo, igual criança."
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ISADORA
SKORNICKI,
22 anos, economista
Brinquedos e animadores para entreter os convidados:
"Festa para marcar a despedida da infância" |
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Além
dos bufês infantis, outros profissionais que trabalham com
festas já detectaram o modismo. A decoradora de festas Andrea
Guimarães diz que de um ano para cá esse tipo de encomenda
foi muito solicitado. "Já fiz festas para adulto decoradas
com personagens como Lilo & Stitch e Aladdin", diz. "Um cliente
comemorou seus 40 anos fantasiado de Peter Pan. E só tocava
música infantil." A mineira Fabiana Brito, dona da agência
de garçons Camarero, de Belo Horizonte, diz que festa que
se preze na capital mineira precisa ter lembrancinhas no final.
Entre os mimos, anéis que piscam e óculos coloridos.
Vestidos com orelhas de Mickey, os garçons da Camarero trabalharam
recentemente na festa de aniversário de uma médica
cujo tema era Minnie. Casada, dois filhos já crescidos, a
aniversariante estava vestida como a namorada do Mickey e os convidados,
como personagens infantis. Os garçons serviram cachorro-quente,
pipoca e algodão-doce.
Em julho, a universitária Tatiane Teixeira comemorou seu
23º aniversário vestida de Barbie. A boneca também
foi o tema de toda a decoração, e os convidados eram
recepcionados ao som da Xuxa. "Tive um certo receio de me acharem
muito criança, mas decidi fazer o que tinha vontade", diz
Tatiane. "E os convidados curtiram bastante. Acho que atualmente
as pessoas se sentem mais livres para mostrar seu lado infantil."
Uma das bandas mais requisitadas nas festas paulistanas, a Soul
Gang mantém músicas infantis no repertório
mesmo em eventos para adultos. "Recentemente, em uma festa de casamento,
a turma estava bem desanimada", lembra o produtor da banda, Eder
Triton. "Foi só começarmos a tocar uma música
da Xuxa e todo o pessoal mais velho foi para a pista. Muitas vezes,
os adultos curtem mais as músicas infantis do que as crianças."
A moda das festas com temas infantis só para adultos faz
parte de um fenômeno moderno. Em termos de consumo e hábitos,
nunca os adultos estiveram tão à vontade para se comportar
como crianças. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos,
que ouviu pessoas de 20 a 30 anos de idade em vários países,
detectou a tendência ao consumo dos chamados "produtos regressivos":
brinquedos e objetos de infância. Num esforço de interpretação
psicológica, o instituto sugere que essas compras ocorrem
porque embutem a possibilidade de voltar ao ambiente seguro e aconchegante
da infância. Pesquisa do mesmo instituto no Brasil com homens
de 18 a 29 anos que moram em lares sem crianças mostra que
24,4% deles assistem a programas infantis na TV e 8,8% tinham comprado
brinquedos nos trinta dias anteriores. "Os limites entre o mundo
infantil e o adulto estão desaparecendo", opina a publicitária
Helena Quadrado, vice-presidente de planejamento da McCann-Erickson.
"Se algo me dá prazer, me permito fazer, mesmo que não
seja adequado a minha idade."
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