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Comportamento
Véu,
grinalda e marketing
Livro
americano ensina as mulheres a
buscar marido como se fosse um plano
de ação no mundo dos negócios

Lizia
Bydlowski
Ilustrações Negreiros
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Livros
sobre estratégias infalíveis de marketing e negócios
são sucesso garantido, como comprovam todas as listas de
"mais vendidos". Manuais sobre como arranjar marido são artigo
de leitura certa (ainda que não assumida), como evidenciam
toneladas de páginas em revistas femininas. A americana Rachel
Greenwald, 39 anos, formada em psicologia com mestrado em administração
de empresas em Harvard, achou um jeito de juntar as duas coisas.
Em seu livro Como Arranjar Marido Depois dos 35 Anos Usando
o que Aprendi na Harvard Business School, ela apresenta um plano
de ação de quinze passos recheado de conceitos e jargão
típicos de marketing que tem por objetivo declarado casar
suas discípulas (por amor, diga-se) num prazo de no máximo
um ano e meio. Lançado em setembro, o livro chegou ao 12º
lugar na lista dos mais vendidos (auto-ajuda) do New York Times
e vai virar filme. Fácil o caminho do altar não
será, adverte Rachel logo na primeira página. Da mulher
que seguir O Programa (escrito assim, em maiúsculas, ao longo
do livro) exige-se determinação, força de vontade,
comprometimento total e uma tremenda cara-de-pau. "Que fique
bem claro: esse não é um plano para gente relapsa.
Ler o livro é como discar Casamento 190. É uma emergência",
avisa. Como saber se a leitora está preparada para tanto
esforço? Fácil. Só estará apta a seguir
O Programa, diz a autora, quem responder com um inequívoco
"sim" à seguinte pergunta: você está disposta
a fazer qualquer coisa, exceto as ilegais e imorais, para
arranjar marido? Se estiver, siga em frente.
Os
quinze passos têm nomes como Embalagem, Marca, Publicidade,
Telemarketing e Marketing On-line. Cada um começa com "O
que eu aprendi em Harvard" e, em seguida, ensina como adaptar princípios
consagrados à empreitada matrimonial. A linguagem é
franca, cruel às vezes. No capítulo "Embalagem," ao
se estender sobre a necessidade de melhorar o visual (inclusive
perguntando a seis pessoas, três homens e três mulheres,
o que vêem de errado em você), Rachel profere, na bucha:
"Gostaria de poder dizer que o que conta é o eu interior
e, a longo prazo, é o que mais conta mesmo ,
mas o fato é que, no começo, sua aparência faz
toda a diferença". Seguem alguns conselhos: roupas, nem muito
chamativas, nem muito sóbrias, nem muito "mulher de negócios".
Preto total "faz você passar despercebida". "Fuja de roupa
que só é elogiada por mulheres". E a regra de ouro,
considerando-se o público americano, mas que tem lá
seu apelo universal: "Use sempre sutiã que projete os seios.
Depois dos 35 anos, só ajuda". Já o excesso de peso,
se não for muito, é relevado. "Serei franca: as gordas
vão experimentar maior rejeição que as magras.
Mesmo assim, siga em frente. Ele existe. Você só precisa
achar um."
Reforçando
os estereótipos mais consagrados, Rachel manda que suas seguidoras
sejam "femininas", usem cabelo comprido, vestidos vaporosos, decotes
discretos, e só muito raramente tomem a iniciativa. Sexo,
jamais nos primeiros encontros melhor é aplicar a
regra "2/2": só com alguém com quem tenha se encontrado
no mínimo duas vezes por semana, por no mínimo dois
meses (o.k., abre-se aqui uma pausa cética). Morar junto,
nem pensar aí entra de novo a especificidade do público
dos EUA, onde a coabitação, nem depois de décadas,
é considerada casamento de verdade. Soa antifeminista? Rachel
não liga a mínima, define-se como "pós-feminista".
Soa desesperado? "Nunca uso a palavra 'desesperada'. Prefiro 'pró-ativa'."
E alerta: "A época é de crise", lembrando que nos
Estados Unidos existem 28 milhões de mulheres solteiras com
mais de 35 anos e só 18 milhões de homens na mesma
situação (no Brasil, a proporção, pelo
menos, é um pouco mais confortável: 7 milhões
de mulheres para 6,2 milhões de homens).
No
capítulo "Telemarketing", manda a candidata telefonar a todos
(todos mesmo) os parentes, amigos, conhecidos e conhecidos de conhecidos,
perguntando se não conhecem ninguém para lhe apresentar.
Já em outro, prega a necessidade de se identificarem nichos
de mercado "menos quantidade, mais qualidade". Em "Marketing
de massa", o inusitado pode se tornar campo fértil: quem
mais, além de Rachel Greenwald, perceberia o potencial, em
matéria de marido, de fazer parte de um júri? A explicação:
"É uma oportunidade de conhecer onze homens e mulheres. Poucos
serão homens solteiros na sua faixa de idade. Mas nunca se
sabe quem, numa conversa casual, pode fazer menção
a algo que a leve a seu futuro marido. Todos os onze homens e mulheres
do júri têm amigos, primos, colegas de trabalho". Ir
a festas é importantíssimo, fazer cursos também
de assuntos "masculinos", como pescaria, mecânica e
golfe, não só para conhecer candidatos como para poder
conversar depois sobre eles com algum conhecimento de causa. Tudo
isso, claro, custa dinheiro. Daí a necessidade, logo no primeiro
momento, de abrir uma conta bancária separada só para
a atividade de arranjar marido. Uma dotação orçamentária,
por assim dizer, composta de 10% no mínimo, 20% se possível,
da renda anual da candidata ao casamento.
A
certa altura vem a avaliação e, para muitas, a pior
humilhação: perguntar a homens interessantes que não
a convidaram para sair de novo depois de um primeiro encontro o
que viram de errado na sua preciosa pessoa. A boa notícia:
você não precisa perguntar pessoalmente. A má:
tem de achar uma amiga que faça isso por você, tabule
as respostas e relate os resultados que certamente arrancarão
nacos de sua auto-estima. Isso feito, é preciso mudar o que
está errado e seguir na luta. Dureza? "Quem procura emprego
dedica tempo e esforço a achar o melhor. Quem quer perder
peso aceita qualquer sacrifício", exemplifica Rachel
que por sinal é casada há onze anos e tem três
filhos. "O Programa é uma mistura de busca de emprego e regime
rígido: exige dedicação, sacrifícios
e regras". Às brasileiras que se encaixam no perfil e clamam
por mais detalhes: "Como Arranjar Marido Depois dos 35 Anos"
deve sair no Brasil em abril do ano que vem, publicado pela editora
Sextante.
Abaixo
o barzinho, viva a festa
Um
dos recursos mais utilizados por brasileiras empenhadas
em achar marido é freqüentar os chamados
single bars, redutos de solteiros interessados em companhia
do sexo oposto. No Charles Edward, casa noturna com
estilo de pub inglês que se tornou um dos mais
concorridos single bars de São Paulo "Primeiro,
vieram meus amigos separados; depois, as ex-mulheres
e amigas delas", conta o dono, Kyko Dias , é
palpável o clima de mútua procura.
O
problema: pela própria natureza do ambiente,
os homens vão a single bars para se divertir.
Isso significa nada, nada, nadinha de compromisso. Márcia
(identidade mantida em sigilo, a pedido), 49 anos, freqüenta
esses bares há tempo suficiente para ter feito
algumas constatações básicas. "Os
homens mentem o estado civil e a profissão. A
maioria quer uma aventura de uma noite só", registra.
A médica Célia, 36 anos, ao contrário,
conheceu o marido em um deles, mas avisa: custa caro
cerca de 100 reais para se produzir, mais 35
em petiscos e bebidas.
A
solução Greenwald:
o livro, decididamente, não é favorável
a single bars quando se trata de arranjar marido. Rachel
põe muito mais fé em uma festa
quanto maior, melhor. E dá dicas:
Chegar cedo, para conhecer o ambiente, posicionar-se
em local favorável para ver e ser vista e poder
dar informações sobre o lugar ("Um iniciador
natural de conversas").
Ir
sozinha, por mais constrangedor que possa ser. No máximo,
chegue com uma amiga, combinando se separarem assim
que passarem da porta.
Circular
e trazer de casa, bem decorada, uma lista de perguntas
que possam dar partida a uma conversa interessante com
algum candidato a marido (tipo "Meu chefe comprou um
Jaguar. Você já viu algum ao vivo?"
sim, um vocabulário básico sobre carros
e esportes é essencial nessa fase).
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Cair
na rede é preciso
Só
no mês de setembro, 665 000 pessoas acessaram
sites de relacionamento no Brasil. Desse total, 67%
eram da espécie procurada homens
e 25% tinham mais de 35 anos, de acordo com a aferição
do Ibope/NetRatings. Em alguns sites a inscrição
é gratuita; outros, com mais recursos, cobram
uma taxa, que no ParPerfeito, o site de relacionamento
nacional mais acessado pelos brasileiros, é de
29 reais por mês.
O
problema:
para sua tese de mestrado sobre sites de relacionamento,
a jornalista e psicóloga Luciene Setta entrevistou
500 homens e mulheres entre 25 e 45 anos e concluiu
que apenas 2% criaram vínculos afetivos mais
sólidos. A maioria não costuma culminar
em coisa séria de verdade, como aprendeu a decoradora
paulista Ana Cláudia Sanches, 46 anos: "Há
mais de seis anos freqüento salas de bate-papo
na internet. Também gosto de sair à noite,
mas não dou chance para homens que não
são atraentes. Na internet, a gente pode gostar
da pessoa mesmo sem ver. O duro é que parece
que a maioria dos homens que estão na rede é
casada. Tive dois relacionamentos sérios com
homens que conheci na internet e os dois acabaram porque
eles eram casados".
A
solução Greenwald: Rachel insiste
que a internet é obrigatória para mulheres
solteiras com mais de 35 anos, por ser o jeito mais
fácil e barato de garantir ampla fartura de contatos
providência essencial no seu plano de quinze
passos. Ela recomenda que, no início da prospecção,
a candidata se passe por homem, para "sondar a concorrência"
e entender a cabeça do público-alvo. Também
aconselha alguns dias de séria meditação
sobre o nome e o resumo de qualidades que acompanharão
o cadastro. No mais, é agenda livre, expectativas
flexíveis, exagero contido ("Tente achar um ponto
de equilíbrio parecer bonita sem se comparar
a uma Jennifer Aniston") e, indispensável, um
diário, para não se confundir entre tantos
pretendentes. Por último, não jogue tempo
e esforço fora. Encontrou, conversou, não
bateu, dispensou. Ponto final.
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De
cães a bombeiros, tente tudo
Na
hora de procurar o homem dos seus sonhos, inscrever-se
em um curso ou contratar o serviço de uma agência
de encontros direcionada para um determinado objetivo
pode ensejar o desfecho feliz. A Table for Six promove
encontros de homens e mulheres de 30 a 55 anos de classes
A e B. Como seleciona? Simples: cobra caro em
um ano, gastam-se 1 560 reais. Além de jantares
em bons restaurantes, organiza aulas de culinária,
viagens nos fins de semana e passeios de balão.
O
problema: o maior risco das atividades em pequenos
grupos é que todo mundo acaba amigo de todo mundo
e os namoros passam para segundo plano um pecado
inominável na bíblia de Rachel Greenwald.
A advogada Lilian, 44 anos, morou fora do Brasil muito
tempo e, quando voltou, encontrou os amigos todos casados.
Associou-se à Table for Six e já participou
de uma viagem de fim de semana com curso intensivo de
dança de salão. "Conheci muita gente e
fiz muitos amigos, mas é difícil encontrar
alguém com o perfil que tenho em mente", diz.
A agente de viagens Monique de Carvalho, 46 anos, separada,
uma filha, prefere freqüentar os jantares. "Faço
muitos amigos. Já tenho até uma turma",
conta. Mas novo parceiro, nada. "Nesta faixa de idade
é difícil. Os homens só querem
garotinhas."
A
solução Greenwald:
variar, sempre e muito. "Desafie-se a listar cinqüenta
opções na categoria 'grupos de solteiros'",
ensina. Procure, evidentemente, ambientes favoráveis
a homens solteiros, como (sugestões dela) curso
de marcenaria, adestramento de cães, treinamento
em caso de incêndio. Ou, melhor ainda, dê
um curso: pegue um bom livro de receitas, monte um cardápio
de oito pratos fáceis e ofereça-se no
seu clube para dar um curso de duas horas intitulado
"Refeições rápidas para solteiros".
Quer tentar a chance de brilhar sozinha perante a platéia
perfeita?
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