Em Segredo(Grbavica,Áustria/Bósnia-Herzegovina/Croácia,
2006. Europa) Uma mãe solteira até onde se sabe, viúva
arruma emprego num bar, janta com sua filha adolescente, briga com ela
quando sua rebeldia passa dos limites. A aparência de normalidade, porém,
é só isso: aparência. Na Sarajevo de hoje, que a diretora
Jasmila Zbanic retrata em seu filme de estréia, os ecos da Guerra da Bósnia
se fazem ouvir em todas as circunstâncias e em todos os lugares especialmente
no bairro de Grbavica, onde a protagonista Esma (Mirjana Karanovic) mora e no
qual as valas comuns continuam a ser abertas, revelando cadáveres anônimos
que os sobreviventes tentam identificar. O saldo do conflito, mostra a diretora,
é mais duro para as mulheres, em quem as memórias continuam vivas
de formas inesperadas.
Como
Possuir Lissu(Gambit,
Estados Unidos, 1966. Universal) Nos anos 60, as boas comédias sobre
golpes brotavam como mato e essa é uma das melhores. Michael Caine
é o escroque que está de olho no valiosíssimo busto de uma
rainha egípcia (a totalmente fictícia Lissu do título). Para
ganhar acesso ao seu dono, um milionário recluso, arregimenta uma garota
de programa, interpretada por Shirley MacLaine, que é a imagem viva da
estátua. Encantadora no auge da juventude e do seu timing cômico,
Shirley passa a primeira parte do filme sem dizer palavra e a explicação
para tanto é só uma das ótimas sacadas do filme dirigido
pelo inglês Ronald Neame, veterano de outros excelentes suspenses mais ou
menos sérios, como O Dossiê de Odessa e O Espião
Trapalhão.
LIVROS
A
Bela Senhora Seidenman, de Andrzej
Szczypiorsky (tradução de Henryk Siewierski; Estação
Liberdade; 240 páginas; 39 reais) Como tantos poloneses de sua geração,
Andrzej Szczypiorsky (1924-2000) conheceu a perseguição nazista
foi detento num campo de concentração e depois a opressão
comunista. Embora sua matéria principal seja a Polônia ocupada pelos
alemães, A Bela Senhora Seidenman, publicado em Paris em 1986, só
circulou clandestinamente pela Polônia comunista. Tratava-se, afinal, de
uma reflexão sobre todas as formas de autoritarismo. O romance acompanha
uma galeria de personagens do gueto de Varsóvia, em 1943. A personagem
que dá título à obra tenta sobreviver fazendo-se passar por
viúva de um oficial polonês. Leia
trecho.
Viagem
à Lua, de Cyrano de Bergerac (tradução de Fulvia
M.L. Moretto; Globo; 240 páginas; 29 reais) Muitas lendas românticas
se criaram em torno do escritor francês Cyrano de Bergerac (1619-1655) e
seu proverbial narigão. Nenhuma supera a surpresa e a originalidade de
sua literatura. Espécie de romance de ficção científica
avant la lettre, Viagem à Lua, com sua fantasia exuberante, seu
deboche das autoridades religiosas e sua divulgação de novas idéias
científicas, tinha um conteúdo explosivo para a época. Foi
publicado pela primeira vez dois anos depois da morte do autor, com vários
trechos expurgados e o texto integral só foi restabelecido no século
XX. A presente edição traz ainda cartas de Cyrano, que incluem ataques
ferinos a seus inimigos e até considerações heréticas
sobre a feitiçaria. Leia
trecho.
A
Sombra de Allan Poe, de Matthew Pearl (tradução de Maria
Inês Duque Estrada; Ediouro; 400 páginas; 44,90 reais) Mestre
do conto de horror, o americano Edgar Allan Poe (1809-1849) morreu em circunstâncias
misteriosas. Saiu de Richmond, onde morava, em viagem a Nova York, com uma escala
prevista na Filadélfia, mas, depois de um sumiço de cinco dias,
acabou aparecendo, doente e desorientado, em uma taverna de Baltimore, cidade
onde morreu quatro dias mais tarde. Autor de O Clube Dante, romance policial
que envolvia os primeiros tradutores americanos da Divina Comédia, Matthew
Pearl toma os dias finais de Poe como ponto de partida para um thriller histórico
em que um devoto leitor de Os Crimes da Rua Morgue resolve investigar os
detalhes da morte do escritor. Leia
trecho.
DISCO
Mardulce,
Bajofondo (Universal) Formado por músicos argentinos e uruguaios,
o grupo Bajofondo foi um dos precursores da fusão de tango e música
eletrônica (que já dava tom a seu disco de estréia, de 2003).
Hoje em dia, quando esse tipo de mistura virou modismo, o Bajofondo investe em
outras direções musicais. Mardulce apelido do Rio
da Prata, que separa a Argentina do Uruguai tem participação
especial de artistas do rock, pop e outros ritmos da região. Na primeira
categoria, um dos destaques é o cantor argentino Gustavo Cerati. Sua El
Mareo tem o vigor característico do rock local. Outro gênero
presente no álbum é o candombe, um ritmo afro-uruguaio. Ele pode
ser apreciado na faixa Chiquilines, interpretada pela veterana cantora
Lágrima Ríos.
TELEVISÃO
Divulgação
Big Love:
a nada mole vida de um mórmon dissidente com três mulheres
Amor Imenso
Big Love(estréia
no domingo 9, às 22h, na HBO) No início da segunda temporada
da série produzida pela HBO em parceria com Tom Hanks, a dona-de-casa Barb
(Jeanne Tripplehorn) está em crise. O motivo: quando estava prestes a se
sagrar a Mãe do Ano do estado americano de Utah, ela tem sua condição
de esposa de um polígamo revelada e perde o título. A convulsão
familiar que se segue a isso não é à toa: poligamia é
crime nos Estados Unidos, embora seja praticada de forma clandestina no interior
do país por mórmons fundamentalistas como os protagonistas. Big
Love mostra com realismo a vida de um homem (Bill Paxton) emparedado. Além
de administrar um casamento com três mulheres, ele vive com medo constante
de ser denunciado e tem de lidar com parentes para lá de mafiosos.