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5 de setembro de 2007
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Guia
Comece a reciclar

Novos números sobre reciclagem no Brasil mostram que o
país reaproveita apenas 11% de tudo o que joga na lata de
lixo – cinco vezes menos do que nos países desenvolvidos.


Monica Weinberg


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Nesta reportagem
Quadro: Os campeões em reciclagem

De acordo com os dados reunidos pelo Cempre, uma entidade especializada no assunto, o Brasil está melhor nesse indicador, mas mesmo assim são apenas 327 os municípios no país que dispõem de algum sistema público de coleta seletiva, 6% do total. O trabalho revela também que os índices brasileiros de reciclagem variam muito de acordo com o material em questão. Enquanto o país é o campeão mundial no reaproveitamento de garrafas PET e latas de alumínio, plásticos e latas de aço têm como destino preferencial os "lixões" a céu aberto. A razão: esse é um setor ainda dado a improvisos, como cooperativas que marcam hora para buscar o lixo mas não aparecem ou firmas especializadas que só enviam às empresas recicladoras uma parte dos detritos – o resto vai parar num lixo comum. Especialistas ouvidos por VEJA jogam luz nesses e noutros obstáculos à vista para quem quer reciclar, mas são contundentes em relação à necessidade de começar já.

Os benefícios ao meio ambiente são mensuráveis, como mostram os dados a seguir.


O que ainda não pegou

A reciclagem dos três itens abaixo patina em índices ainda baixos no Brasil, de não mais do que 30% do que vai para o lixo. Os especialistas explicam por quê.

PLÁSTICO
Por que se recicla pouco: a maioria das pessoas não reconhece como plástico as resinas mais maleáveis, como as das sacolas de supermercado. Por isso elas acabam no lixo comum
Benefícios ambientais: a versão reciclada consome apenas 10% do petróleo exigido na produção do plástico virgem

LATAS DE AÇO
Por que se recicla pouco: pesquisas mostram que há resistência das pessoas em guardar essas latas no lixo de casa. Diz-se delas que são "volumosas" e "difíceis de amassar"
Benefícios ambientais: cada tonelada de aço reciclado preserva 110000 toneladas de minério de ferro

CAIXAS LONGA-VIDA
Por que se recicla pouco: novas tecnologias já permitem separar as seis camadas que compõem a embalagem, mas, como é coisa recente, quase ninguém no Brasil o faz
Benefícios ambientais: em 2006, com a reciclagem de 30000 toneladas de papel provenientes dessas caixas, foram poupadas 600000 árvores de áreas reflorestadas

 

O lixo e seus obstáculos

Além de postos de coleta em praças e supermercados, há três opções para ter o lixo recolhido em casa, todas gratuitas. Veja o que os especialistas apontam como as causas mais comuns para que o lixo coletado por meio dessas opções não chegue às indústrias especializadas em reciclagem.


 

 

O isopor dela foi parar no "lixão"

Daniel Wainstein


Depois de liderar uma campanha para que seus 116 vizinhos passassem a reciclar o lixo, num prédio de São Paulo, a economista Liz Pontes Moreira, 45 anos, sofreu duas decepções. Primeiro, ela e os outros viram os restos se acumular duas semanas a fio na lixeira, sem que a cooperativa de catadores cumprisse o combinado: removê-los. Depois, foi a vez de a empresa particular que havia sido acionada pelo síndico falhar. Ao ligar para a firma, Liz foi informada pelo gerente: "Enviamos uma parte do lixo da senhora para o lixão". A razão? "Isopor e caixas longa-vida não valem nada neste mercado." Desiludida, a economista resolveu deixar o lixo num posto de coleta.

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