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Guia
Comece a reciclar
Novos números
sobre reciclagem no Brasil mostram que o
país reaproveita apenas 11% de tudo o que joga na lata
de
lixo cinco vezes menos do que nos países desenvolvidos.

Monica Weinberg
De acordo com os dados
reunidos pelo Cempre, uma entidade especializada no assunto,
o Brasil está melhor nesse indicador, mas mesmo assim
são apenas 327 os municípios no país
que dispõem de algum sistema público de coleta
seletiva, 6% do total. O trabalho revela também que
os índices brasileiros de reciclagem variam muito de
acordo com o material em questão. Enquanto o país
é o campeão mundial no reaproveitamento de garrafas
PET e latas de alumínio, plásticos e latas de
aço têm como destino preferencial os "lixões"
a céu aberto. A razão: esse é um setor
ainda dado a improvisos, como cooperativas que marcam hora
para buscar o lixo mas não aparecem ou firmas especializadas
que só enviam às empresas recicladoras uma parte
dos detritos o resto vai parar num lixo comum. Especialistas
ouvidos por VEJA jogam luz nesses e noutros obstáculos
à vista para quem quer reciclar, mas são contundentes
em relação à necessidade de começar
já.
Os benefícios ao
meio ambiente são mensuráveis, como mostram
os dados a seguir.
O que ainda não pegou
A reciclagem dos três
itens abaixo patina em índices ainda baixos no Brasil,
de não mais do que 30% do que vai para o lixo. Os especialistas
explicam por quê.
PLÁSTICO
Por que se recicla pouco: a
maioria das pessoas não reconhece como plástico
as resinas mais maleáveis, como as das sacolas de supermercado.
Por isso elas acabam no lixo comum
Benefícios ambientais:
a versão reciclada consome apenas 10% do petróleo
exigido na produção do plástico virgem
LATAS
DE AÇO
Por que se recicla pouco: pesquisas
mostram que há resistência das pessoas em guardar
essas latas no lixo de casa. Diz-se delas que são "volumosas"
e "difíceis de amassar"
Benefícios ambientais:
cada tonelada de aço reciclado preserva 110000
toneladas de minério de ferro
CAIXAS
LONGA-VIDA
Por que se recicla pouco:
novas tecnologias já permitem separar as seis camadas
que compõem a embalagem, mas, como é coisa recente,
quase ninguém no Brasil o faz
Benefícios ambientais:
em 2006, com a reciclagem de 30000 toneladas de papel
provenientes dessas caixas, foram poupadas 600000 árvores
de áreas reflorestadas
O lixo e seus obstáculos
Além de postos
de coleta em praças e supermercados, há três
opções para ter o lixo recolhido em casa, todas
gratuitas. Veja o que os especialistas apontam como as causas
mais comuns para que o lixo coletado por meio dessas opções
não chegue às indústrias especializadas
em reciclagem.

O isopor dela foi
parar no "lixão"
Daniel Wainstein
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Depois de liderar uma campanha para que seus 116 vizinhos
passassem a reciclar o lixo, num prédio de São
Paulo, a economista Liz Pontes Moreira, 45 anos, sofreu
duas decepções. Primeiro, ela e os outros viram
os restos se acumular duas semanas a fio na lixeira, sem que
a cooperativa de catadores cumprisse o combinado: removê-los.
Depois, foi a vez de a empresa particular que havia sido acionada
pelo síndico falhar. Ao ligar para a firma, Liz foi
informada pelo gerente: "Enviamos uma parte do lixo da senhora
para o lixão". A razão? "Isopor e caixas longa-vida
não valem nada neste mercado." Desiludida, a economista
resolveu deixar o lixo num posto de coleta.
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