Visitar os lugares
santos do mundo, para muita gente, é uma forma de enriquecimento
interior. Imagine-se só, no caso dos católicos,
peregrinar a bordo de um avião que foi abençoado
pelo próprio papa Bento XVI. E que tal, durante o vôo,
refletir sobre os salmos religiosos estampados no encosto
das poltronas, como "Cerco il Tuo Volto, Signore!" (Procuro
o teu rosto, Senhor!)? Essa é a experiência que
promete a agência de viagens Opera Romana Pellegrinaggi,
ligada ao Vaticano. Na semana passada, a agência realizou
a primeira viagem desse tipo, em direção a Lourdes,
na França, com o Boeing 737-300 especialmente fretado
para os seis roteiros católicos que serão oferecidos
inicialmente (veja
o quadro). O vôo inaugural transportou apenas
religiosos, jornalistas e convidados. Até o fim do
ano, estão previstas outras saídas de teste
para Israel e França. Os vôos regulares têm
início em abril do ano que vem, quando o Boeing já
estará pintado com as cores do Vaticano. Até
lá, os comissários de bordo, exclusivos dessa
linha, terão na ponta da língua todas as informações
sobre os destinos das excursões, para orientar os passageiros.
No futuro, o serviço oferecerá viagens a outras
localidades, como o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe,
no México, onde os fiéis reverenciam a Virgem,
padroeira do país.
Não é
de admirar que o Vaticano invista em empreendimentos turísticos.
O turismo moderno nasceu com viagens de cunho religioso. Em
suas origens estão as romarias, que se popularizaram
na Europa principalmente a partir da Idade Média. Numa
época em que rodar o mundo atrás de aventura
e conhecimento não figurava entre os sonhos de consumo
de nenhum dos povos, a religião era a motivação
mais freqüente para que as pessoas atravessassem grandes
distâncias voluntariamente. Os muçulmanos são
incentivados pelo Corão a peregrinar
ao menos uma vez na vida devem refazer o caminho entre Medina
e Meca, percorrido pelo profeta Maomé no século
VII. Nas excursões promovidas pelo Vaticano a santuários
cristãos, tem-se a garantia de viajar com quem conhece
o destino.