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5 de setembro de 2007
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Religião
Boeing da fé

O Vaticano freta avião e o decora com mensagens
bíblicas para promover excursões a lugares santos


Paula Neiva

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Nesta reportagem
Quadro: As rotas da peregrinação

Visitar os lugares santos do mundo, para muita gente, é uma forma de enriquecimento interior. Imagine-se só, no caso dos católicos, peregrinar a bordo de um avião que foi abençoado pelo próprio papa Bento XVI. E que tal, durante o vôo, refletir sobre os salmos religiosos estampados no encosto das poltronas, como "Cerco il Tuo Volto, Signore!" (Procuro o teu rosto, Senhor!)? Essa é a experiência que promete a agência de viagens Opera Romana Pellegrinaggi, ligada ao Vaticano. Na semana passada, a agência realizou a primeira viagem desse tipo, em direção a Lourdes, na França, com o Boeing 737-300 especialmente fretado para os seis roteiros católicos que serão oferecidos inicialmente (veja o quadro). O vôo inaugural transportou apenas religiosos, jornalistas e convidados. Até o fim do ano, estão previstas outras saídas de teste para Israel e França. Os vôos regulares têm início em abril do ano que vem, quando o Boeing já estará pintado com as cores do Vaticano. Até lá, os comissários de bordo, exclusivos dessa linha, terão na ponta da língua todas as informações sobre os destinos das excursões, para orientar os passageiros. No futuro, o serviço oferecerá viagens a outras localidades, como o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, onde os fiéis reverenciam a Virgem, padroeira do país.

Não é de admirar que o Vaticano invista em empreendimentos turísticos. O turismo moderno nasceu com viagens de cunho religioso. Em suas origens estão as romarias, que se popularizaram na Europa principalmente a partir da Idade Média. Numa época em que rodar o mundo atrás de aventura e conhecimento não figurava entre os sonhos de consumo de nenhum dos povos, a religião era a motivação mais freqüente para que as pessoas atravessassem grandes distâncias voluntariamente. Os muçulmanos são incentivados pelo Corão a peregrinar – ao menos uma vez na vida devem refazer o caminho entre Medina e Meca, percorrido pelo profeta Maomé no século VII. Nas excursões promovidas pelo Vaticano a santuários cristãos, tem-se a garantia de viajar com quem conhece o destino.

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