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5 de setembro de 2007
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Esporte
Não é por amor à camisa

Por que tantos ricaços estão comprando
clubes da primeira divisão do futebol inglês


Denise Dweck

Clive Brunskill/Getty Images
Elano, com a camisa do City: Shinawatra pagou 16 milhões de dólares por seu passe


Alguns estrangeiros com problemas com a Justiça em seu país de origem descobriram um porto seguro no futebol inglês. Nove dos vinte clubes da primeira divisão são propriedade de cartolas de fora do país ou imigrantes recentes. Muitos deles são investidores respeitáveis. O time daqueles com riqueza suspeita, contudo, não pára de crescer. Desde que comprou o Manchester City por 162 milhões de dólares, dois meses atrás, o tailandês Thaksin Shinawatra já gastou 80 milhões de dólares em reforços. Um deles é o meia brasileiro Elano, que jogava no Shakhtar Donetsk, na Ucrânia. Magnata das telecomunicações e primeiro-ministro, Shinawatra foi derrubado por um golpe militar no ano passado e se exilou na Inglaterra. A junta militar tailandesa, que o acusa de corrupção e de abuso de poder, congelou suas contas no país – um total de quase 2 bilhões de dólares. Na Inglaterra, ninguém pergunta de onde vem o dinheiro que fez a alegria da torcida do City. "A liga inglesa não é rígida nesse quesito. Até pouco tempo atrás, permitia-se que empresas criadas em paraísos fiscais fossem donas de equipes", diz Antonio Roque Citadini, presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e dirigente do Corinthians.

A compra de um time do campeonato inglês traz pelo menos três vantagens para os ricaços exilados. A primeira é o acesso ao mercado milionário – e nem sempre transparente – de compra e venda de jogadores. A venda do atacante argentino Carlos Tevez para o Manchester United ficou embargada na Justiça durante todo o mês de julho enquanto se discutia se o dono do passe era seu time, o West Ham, ou seu empresário, Kia Joorabchian, da MSI, até recentemente parceira do Corinthians. Kia e seu chefe, o milionário russo Boris Berezovsky, exilado em Londres, tiveram a prisão preventiva decretada no Brasil por lavagem de dinheiro. A segunda vantagem de investir no futebol inglês é o prestígio político. "Os exilados sentem-se protegidos pela popularidade que o esporte dá", disse a VEJA o inglês Wyn Grant, da Universidade de Warwick, autor de um estudo sobre a economia e o futebol. Roman Abramovich, dono do Chelsea, mudou-se para Londres para sair do caminho do presidente Vladimir Putin, cujo serviço secreto é suspeito de já ter assassinado desafetos do governo russo exilados na Inglaterra. Por fim, comprar um clube pode ser uma boa fachada de legalidade para negócios obscuros. No ano passado, o francês Alexandre Gaydamak comprou o Portsmouth e, poucos meses depois, descobriu-se que ele tinha uma conta conjunta num paraíso fiscal com o pai, Arcadi, investigado na França por contrabando de armas, lavagem de dinheiro e fraude fiscal.




Fotos Adrian Dennis/AFP, Julian Finney/Getty Images e Alex Livesey/Getty Images

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