"Senti
uma profunda paz ao ver a capa de VEJA com boas notícias.
Isso, sim, faz bem ao coração!" Cristina Gonçalves Soares
Araçatuba, SP
Coração
Cumprimento VEJA
pela escolha do assunto de capa ("Coração intocado",
29 de agosto). Uma reportagem desse teor é sempre bem-vinda,
não só por estimular a população
à reflexão acerca de sua saúde, mas também
pela importância do tópico abordado, pela atualidade
de seu conteúdo e por cumprir fielmente a missão
de informar e educar. Certamente, o futuro da medicina emergirá
dessa busca pelo tratamento ideal, que obtenha êxito
em ser, ao mesmo tempo, seguro, preciso, eficaz, resolutivo
e, de preferência, pouco invasivo.
Marco Aurélio Nerosky Hospital Cardiológico Costantini
www.hospitalcostantini.com.br Curitiba, PR
Aplausos novamente
a VEJA pela ousadia de produzir uma matéria sobre tema
tão técnico, como as intervenções
em pacientes com obstruções arteriais, e ainda
assim oferecer explicações claras e de fácil
assimilação. Como médico, no entanto,
devo reforçar alguns aspectos básicos: 1) todas
as medidas terapêuticas citadas, intervencionistas ou
não, são de caráter paliativo, pois nenhuma
delas é capaz de curar a doença de base das
complicações vasculares obstrutivas: a aterosclerose;
2) tanto o tratamento medicamentoso intensivo quanto a angioplastia
e a cirurgia de revascularização miocárdica
são sempre associados a mudanças de hábitos
de vida: não fumar, manter dieta alimentar equilibrada
(com baixo teor de gordura), praticar atividades físicas
regulares (sob orientação médica) e evitar
o stress psicoemocional (o que implica harmonia familiar e
profissional, além de saldo bancário suficiente);
3) lembrar que eventos fatais ou incapacitantes, como o infarto
agudo do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais
isquêmicos, podem representar a primeira manifestação
clínica da obstrução arterial e servem
como alerta de que o paciente é candidato a novos processos
obstrutivos. Benemar Guimarães Médico São Paulo, SP
Parabéns
pela matéria sobre a relação entre atuações
terapêuticas e insuficiência coronariana enfocando
as possibilidades de tratamento clínico hemodinâmico
com angioplastia e cirurgia de revascularização
miocárdica. Na realidade, cada paciente merece uma
análise individual com indicações precisas
no enfoque de tratamento. As possibilidades de intervenção
hemodinâmica, ampliadas com o avanço dos stents
e o desenvolvimento de novas drogas hipolipemiantes e antiagregantes,
tornaram a cirurgia um procedimento com indicações
mais restritas. A mudança de hábitos e a incorporação
de práticas como as dietas balanceadas e equilibradas
e o estímulo à atividade física devem
ser uma premissa estabelecida, qualquer que seja o tratamento.
Constituem a base para o sucesso a longo prazo. Existem, e
sempre existirão, indicações precisas
e imperiosas para o tratamento cirúrgico. No entanto,
sempre devemos lutar para oferecer aos nossos pacientes o
melhor benefício com o menor risco. Daniel Magnoni Chefe da seção de
nutrição clínica do Instituto Dante Pazzanese
de Cardiologia, chefe do serviço de nutrologia e nutrição
clínica do HCor e diretor do Instituto de Metabolismo
e Nutrição (IMeN) São Paulo, SP
Li com atenção
a matéria intitulada "Paz no coração".
Salvo por declarações pouco felizes de alguns
entrevistados, a reportagem reflete com propriedade a situação
atual do tratamento da doença arterial coronária,
especialmente quando afirma: "É bom que se frise que
as pontes de safena e mamária continuam a ser imprescindíveis
nos casos de pacientes de altíssimo risco como
os diabéticos ou aqueles que apresentam o músculo
cardíaco comprometido e três artérias
obstruídas. Para eles, a cirurgia ainda é o
método mais recomendado para aumentar a sobrevida e
aplacar os sintomas recorrentes da doença coronária,
como a dor". Lamentavelmente, essa orientação
não vem sendo seguida em muitos doentes do grupo acima
mencionado, o qual, diga-se de passagem, representa um alto
porcentual dos portadores de doença coronária.
Essa é, na essência, uma das causas da redução
no número de cirurgias. Carlos R. Moraes Diretor e cirurgião-chefe
do Instituto do Coração de Pernambuco Recife, PE
A cirurgia cardíaca
é ainda hoje área pujante entre as especialidades
médicas. Se, por um lado, como está bem demonstrado
na reportagem, houve diminuição de procedimentos
para a realização de revascularização
cirúrgica do miocárdio, por outro, existem inúmeras
patologias para as quais o tratamento é eminentemente
cirúrgico. Infelizmente, nem todos os pacientes conseguem
acesso à cirurgia, ocorrendo situação
de verdadeiro déficit terapêutico, como é
o caso das cirurgias para correção de cardiopatias
congênitas. A necessidade de realização
de cirurgia cardíaca pediátrica em nosso meio
é da ordem de 23.000 casos anuais (dados do Ministério
da Saúde). Porém, apenas a terça parte
desses procedimentos é efetivamente realizada, gerando
situação calamitosa em termos de saúde
pública, com graves conseqüências humanas
e sociais. Moise Dalva Cirurgião cardiovascular
Por e-mail
Sou cardiologista
e atuo fortemente na área de prevenção.
Com relação a marcadores como proteína
C-reativa e homocisteína e a suplementos como os antioxidantes
e o ácido fólico, chamados de "Os furos n'água
da cardiologia", existem inúmeros estudos publicados
nos últimos anos em periódicos médicos
de respeito a favor dessas provas e da utilização
de tais suplementos. Também existem sociedades e ligas
médicas ao redor do mundo estudando, especificamente,
esses temas e políticas governamentais para a fortificação
de alimentos com ácido fólico (Estados Unidos,
Canadá e Chile) e outros. Na minha opinião,
os procedimentos minimamente invasivos são realmente
a boa surpresa dos últimos anos, porém, o grande
"furo n'água" dos últimos meses é a decepção
causada por dados apresentados sobre stents farmacológicos
no risco de formação de coágulos, que
estão causando insegurança na classe médica.
Espero com ansiedade que esse problema seja rapidamente sanado
pelos biopolímeros absorvíveis. Fábio César dos
Santos Cardiologista e ecocardiografista
pela AMB e SBC e consultor científico da Associação
Médica Brasileira de Oxidologia (Ambo) Santo André, SP
João
Doria Jr.
A entrevista com
o empresário, jornalista e publicitário João
Doria Jr. (Amarelas, 29 de agosto) foi fascinante. Não
faço parte da elite. Sou um professor de ensino fundamental
e médio das redes pública e privada, mas concordo
inteiramente com os objetivos e as propostas do movimento
"Cansei". Parabéns. Lupércio Borba
Filho Recife, PE
João Doria
Jr., como sempre, impecável. O brasileiro honesto,
rico e trabalhador não deve ter vergonha de sua situação
socioeconômica e tem o direito de reclamar. O governo
Lula, com sua demagogia e descaso com a classe média,
prejudica quem gera a riqueza do país. Carga tributária
absurda, encargos trabalhistas muito acima do necessário,
mensalão, apagão aéreo, "relaxa e goza",
bois do Renan, e ainda a obrigação de sentir-se
culpado por ser bem-sucedido. "Cansei" também! Vamos
enfileirar nossas Mercedes e BMWs no Palácio do Planalto
e atirar profiteroles na cara dos corruptos! Carlo Marucco Curitiba, PR
O bem-sucedido empresário
João Doria Jr. tem toda a razão. Tudo o que
ele conquistou foi com muito trabalho e dedicação.
Ele, como qualquer brasileiro, tem o direito de se expressar
e de criticar as mazelas que afetam a sociedade. Acho até
que a responsabilidade dele é maior, já que
faz parte da elite brasileira, ou seja, tem dinheiro para
manter um movimento cívico e é profundo conhecedor
dos problemas do país. Wellington Santos da Silva Brasília, DF
Nasci e sempre morei
em Campos do Jordão (SP) e não pertenço
à "elite branca" de minha cidade, pois não tenho
condições de comprar a maioria dos produtos
oferecidos no shopping aqui instalado por João Doria
Jr. em todas as temporadas de inverno. Também não
faço parte dos "pés descalços", pois
possuo diploma universitário, já viajei de avião
e meu nome não figura em nenhuma lista de combate à
pobreza do governo. Mesmo não pertencendo a nenhum
dos extremos, gostaria de me juntar ao coro dos descontentes
porque eu também "Cansei"! Elaine Margarete de
Araujo Adriano Campos do Jordão, SP
João Doria
Jr. é acima de tudo um homem trabalhador e corajoso.
O Brasil precisa mesmo parar de condenar as elites como se
elas fossem a causa do descalabro que vemos por aqui. Será
que vou ter de pedir desculpas a alguns por nunca ter sido
pobre, por ter formação universitária,
trabalhar muito, ter um cachorrinho lindo, pagar os impostos
e gerar muitos empregos? Será que por causa disso perco
o direito de me manifestar? Eu também "Cansei"! Adriana Moulin de Alencar Picoli Médica e empresária
Imperatriz, MA
Corajosa, lúcida,
inteligente a entrevista de João Doria Jr., apesar
do medo de assumir claramente sua oposição ao
governo. Finalmente uma voz se levanta. Pouco importa se é
de rico ou de pobre. Raimunda Monteiro Belém, PA
Mensalão
A história
desse julgamento será o marco divisório da Justiça
do Brasil. A partir daí, estará definida a Justiça
brasileira como poder independente e capaz de nortear todos
os demais. Estarão definidos os valores nacionais para
os cidadãos na busca da plena evolução
democrática. Que Deus os ilumine ("O julgamento da
história", 29 de agosto). José Roberto
de Lima Machado Salvador, BA
Há que louvar
a exemplar postura do ministro Joaquim Barbosa, competente
relator do julgamento do mensalão. Não obstante
ter sido indicado por Lula, não titubeou por um instante
sequer ao optar pelo cumprimento do dever em detrimento do
falacioso conflito de consciência incorporado por alguns.
Foi brilhante e didático ao interpretar, montar e relatar
a denúncia do também ilustre procurador-geral
Antonio Fernando de Souza. Maurílio Eberle Limeira, SP
Será que
sua excelência, o presidente Lula, viu ou soube do julgamento
no STF dos quadrilheiros do mensalão? Silvio Juliano Luchi Florianópolis, SC
Depois de os ministros
do STF e do procurador-geral da República terem dado
uma demonstração de seriedade e competência
no julgamento da aceitação das denúncias
dos envolvidos no esquema do mensalão, urge que no
julgamento dos réus não esmoreçam e,
com criatividade e determinação, procurem acelerar
a funcionalidade dos processos. Envidem os maiores esforços
no sentido de que o julgamento dos quarenta aloprados, verdadeiros
"autores de crimes em quantidades enlouquecidas", seja realizado
no mais breve espaço de tempo, evitando, assim, que
os processos se arrastem ao longo dos anos e aqueles crimes
caiam no esquecimento ou na prescrição. Gerson S. Monteiro Rio de Janeiro, RJ
Ainda não
temos a luz do meio e do fim do túnel, mas a do início
já foi acesa pelo STF, no mais aplaudido rigor da lei
na qual nós, brasileiros, acreditamos. Falta acreditar
nas duas outras, pois, se votar abertamente for violação
da democracia, prendam-se todos nós, brasileiros, e
deixem-se soltos o senhor Renan Calheiros e o Ali Babá,
que declarou publicamente em rede nacional que caixa dois
é normal nas eleições. Helvécio Luiz
Piccinini Joinville, SC
O mensalão
volta aos noticiários dois anos depois de se tornar
público. A denúncia do Ministério Público
enfim chega ao STF sob os desconfiados olhos da sociedade,
que pede o fim do foro privilegiado, sinônimo de impunidade
e lentidão. A velha e hipócrita defesa dos men$aleiros
é sempre a mesma: negam envolvimento num fato claro
e comprovado. São todos santos. O STF deveria dispor
mais sobre direito canônico ("O julgamento da história",
29 de agosto). Ricolas Mejatovic Brasília, DF
Atentado à
liberdade de imprensa
Informo a retirada
de minha assinatura em apoio à instituição
da CPI constante no RCP n° 6/2007 (TVA e Telesp), apresentado
à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em 23
de agosto último. Fundamenta essa decisão a
análise criteriosa dos fatos ulteriores à data
em que subscrevi o pedido. Percebem-se, claramente, uma intenção
política espúria e uma perseguição
injustificável ao segmento, contrariando de forma radical
o objetivo inicialmente sustentado e que deve ensejar a instituição
de qualquer CPI: acontecimento de relevante interesse para
a vida pública e a ordem constitucional, legal, econômica
e social do país. Por fim, quero reafirmar a disposição
de envidar todo o meu vigor para convencer os demais parlamentares
a retirar sua assinatura do mencionado documento, por considerar
sagrada a missão dos órgãos de imprensa
e entender a proposta desvirtuada e inconsistente ("O ataque
da corrupção", 29 de agosto). Ratinho Junior
Deputado federal (PSC/PR)
Brasília, DF
É obrigação
do Congresso Nacional adotar critérios rigorosos nas
concessões públicas para a exploração
de canais de rádio e televisão, supervisionar
o cumprimento das regras estabelecidas e investigar denúncias
de ilegalidades. Aliás, acredito que todos aqueles
que participam dos atos de concessão e/ou fiscalização
não podem e não devem ser detentores de serviços
concedidos. Muito menos se esconder por trás de "laranjas".
Sou também favorável a qualquer tipo de CPI
que objetive investigar fatos ilegais. Contudo, não
posso concordar que o objetivo de uma proposta de CPI que
colheu inúmeras assinaturas, dentre elas a minha, para
apurar atos da Anatel venha a ser desvirtuado, para servir
de instrumento de pressão política que vise
a atingir a liberdade de expressão e de imprensa. Razão
pela qual me coloco, de público, contra a chamada CPI
da TVA ("O ataque da corrupção", 29 de agosto). Marcelo Itagiba
Deputado federal (PMDB-RJ)
Brasília, DF
Ridícula
a atitude de políticos capitaneada pelo senador Renan
Calheiros em busca desesperada de assinaturas para a abertura
de CPI contra o Grupo Abril. Cheira mal! A liberdade de imprensa
é um dos princípios básicos que norteiam
um estado democrático, assegurando o direito e a liberdade
de expressão aos seus cidadãos e órgãos
de imprensa. O nosso total repúdio. Pedro Sergio Ronco
Diretor do Jornal Agosto e presidente da Rádio
BJ FM
Ribeirão Bonito, SP
A respeito de declarações
minhas publicadas na última edição de
VEJA, gostaria de confirmar que a atitude do senhor Calheiros
parece represália contra a publicação,
por VEJA, de reportagens que me parecem bem-feitas, que exibem
dimensões antes desconhecidas de seus negócios
e que o deixam muito mal embora não seja possível
opinar, pela leitura dos jornais, se houve ilícito
ou não por parte da Editora Abril. Claudio Weber Abramo
Diretor executivo
Transparência Brasil http://www.transparencia.org.br
São Paulo, SP
André
Petry
Em seu artigo "Cansei
de rir" (29 de agosto), André Petry explora com precisão
o dilema vivido pela combalida classe média brasileira,
que não aceita ser rotulada como tal. É incrível
que, mesmo após o papelão de Geraldo Alckmin
no segundo turno da última eleição, continuemos
a ter medo do que somos. Não foi por acaso que, por
não defender os legítimos princípios
de seu partido e do governo que havia integrado, o então
candidato conseguiu a proeza de obter menos votos no segundo
turno do que havia conseguido no primeiro. Edson Pinto da Silva Filho
Vinhedo, SP
Não me sinto
nem um pouco constrangida por não ser pobre. Estou
cansada, sim, mas não sou dondoca. Trabalho muito e
pago inúmeros impostos. Pertenço à elite,
sim, e sou muito feliz por isso. Mas a reportagem tem razão:
montei uma comunidade no Orkut há algum tempo
Faço Parte da Elite , mas até hoje só
eu aderi. Lilian Gallagher Rio de Janeiro, RJ
Bolsa Família
Em relação
à reportagem "Fácil de entrar, difícil
de sair" (29 de agosto), o Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS) esclarece que as famílias
que recebem transferência de renda condicionada têm
nível de participação no mercado de trabalho
maior do que as famílias com o mesmo perfil que não
recebem nenhum tipo de transferência. Dados divulgados
na Pesquisa de Avaliação de Impacto do programa
Bolsa Família, realizada pela Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG/2006), mostram que a proporção
de pessoas beneficiadas que declaram estar procurando trabalho
é positiva. Além disso, o beneficiário
do Bolsa Família trabalha mais do que o não
beneficiário a taxa de ocupação
dos adultos na extrema pobreza incluídos no programa
é 3,1 pontos porcentuais maior do que a dos não
beneficiários na mesma situação de renda.
Os integrantes do programa podem ter carteira de trabalho
assinada, já que o critério para receber o benefício
é renda mensal per capita de até 120 reais.
Além disso, não é possível afirmar
que cada beneficiário recebe 15 reais em média,
pois o Bolsa Família paga benefícios fixos e
variáveis. O valor médio nacional por família
chega hoje a 74 reais. Sobre a informação publicada
na seção Carta ao leitor, sob o título
"Falta uma porta", o MDS esclarece que o valor do benefício
foi reajustado em agosto deste ano e já começou
a ser pago. Com a recomposição do benefício,
o menor valor passa de 15 para 18 reais e o máximo
de 95 para 112. Roberta Caldo
Assessoria de imprensa
Brasília, DF
A reportagem "Fácil
de entrar, difícil de sair" faz uma análise
bastante interessante sobre o Bolsa Família. Reconhece
os aspectos positivos do programa, que, de fato, tem contribuído
para reduzir a desigualdade de renda e a pobreza absoluta
no Brasil. VEJA, entretanto, deixa de informar mais adequadamente
o conjunto de programas de transferência de renda nos
EUA que beneficiam, presentemente, um número muito
maior de pessoas do que o registrado. Lá são
vigentes os programas Food Stamps, Temporary Assistance for
Needy Families, Seguro-desemprego, Seguridade Social e o Crédito
Fiscal por Remuneração Recebida. Só este
programa paga anualmente mais de 40 bilhões de dólares
a mais de 21,5 milhões de famílias, um número
maior do que o de beneficiários do Bolsa Família.
Nosso programa mais racional é a Renda Básica
de Cidadania, objeto da Lei nº 10.835, sancionada pelo
presidente Luiz Inácio da Silva em 8 de janeiro de
2004. Onde está a evidência de que o sistema
mais racional é a Renda Básica de Cidadania?
Na própria experiência vigente, desde os anos
80, nos EUA. O sistema de dividendos proporcionado pelo Fundo
Permanente do Alasca vem pagando uma renda anual equivalente
a 6% de seu PIB a todos os 700 000 habitantes daquele estado.
Cabe ressaltar que esse programa fez do Alasca o mais igualitário
dos cinqüenta estados americanos. Eduardo Matarazzo Suplicy
Senador (PT-SP)
Brasília, DF
Correção:
Na seção Auto-retrato, o nome correto do entrevistado
é Gabriel Padilla e não Padilha.
OS ARAPONGAS
E O STF
A
reportagem "A sombra do estado policial" (22 de agosto)
falou das suspeitas de alguns ministros do Supremo Tribunal
Federal de que estariam sendo vítimas de escutas
clandestinas e mereceu dos leitores 76 comentários,
uma quantidade de correspondência relativamente
baixa para uma reportagem de capa. Mas chamou atenção
a qualidade dos comentários de um grupo significativo
de leitores. "Quem não deve não teme!",
escreveu Divanir Coppini, de São Bernardo do
Campo, citando um dito popular que foi repetido por
diversos outros missivistas. "O Supremo deveria se preocupar
com a falta de justiça que impera em nosso país,
onde os políticos, protegidos pela imunidade
e impunidade, roubam nosso dinheiro e não são
punidos", escreveu Mauro Asperti, de São Paulo.
"Os ministros do STF, exatamente por serem os confiáveis
membros da mais alta corte de Justiça do país,
não deveriam repudiar o grampo. Deveriam abrir-se
e deixar que todos vejam de forma transparente sua conduta
impecável", disse Kelly Reis, de Caxias do Sul.
Entende esse grupo de leitores que os ministros do Supremo
estariam pleiteando para si uma situação
privilegiada, colocando-se acima do bem e do mal, não
aceitando a vigilância da sociedade. Na realidade,
ao repudiar o grampo ilegal os magistrados estão
apenas defendendo a legalidade, o respeito às
leis e à inviolabilidade da privacidade de todos
os cidadãos. Os juízes do Supremo estão
sujeitos às leis como todo mundo e não
estão defendendo um privilégio, mas condenando
o que não pode ser feito com ninguém.
Portanto, não se colocam acima da lei. Todos
devem temer o atentado à liberdade que representa
um grampo ilegal, como felizmente entendeu a maioria
dos leitores. Mauro A. de Paula, de Monte Belo, Minas
Gerais, resumiu bem o pensamento dessa maioria: "Quando
até mesmo a mais alta corte do país se
sente desprotegida, vigiada e sob ameaça, o que
dizer do cidadão comum?".
KALININGRADO
Kaliningrado: enclave
russo
O leitor Herve Thery,
professor convidado do departamento de geografia da
Universidade de São Paulo, envia mais informações
sobre Kaliningrado, o local onde a Sadia vai inaugurar
sua primeira fábrica no exterior e que foi citado
na nota "Um porto que não congela" (Radar, 29
de agosto). "Kaliningrado é o antigo porto alemão
de Konigsberg (onde nasceu, entre outros, o filosofo
Kant). Foi anexado pela União Soviética
depois da II Guerra Mundial e, com a independência
das repúblicas bálticas, é hoje
um enclave separado do território russo. Para
mandar os seus produtos para a Rússia, a Sadia
deve cruzar várias fronteiras", diz o professor
Thery. Veja no mapa a localização do enclave,
que faz limites com o Mar Báltico, a Polônia
e a Lituânia e deve seu nome a Mikhail Kalinin,
que presidiu a URSS de 1919 a 1946.