BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2024

5 de setembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Stephen Kanitz
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Cartas

"Senti uma profunda paz ao ver a capa de VEJA com boas notícias. Isso, sim, faz bem ao coração!"
Cristina Gonçalves Soares
Araçatuba, SP


Coração

Cumprimento VEJA pela escolha do assunto de capa ("Coração intocado", 29 de agosto). Uma reportagem desse teor é sempre bem-vinda, não só por estimular a população à reflexão acerca de sua saúde, mas também pela importância do tópico abordado, pela atualidade de seu conteúdo e por cumprir fielmente a missão de informar e educar. Certamente, o futuro da medicina emergirá dessa busca pelo tratamento ideal, que obtenha êxito em ser, ao mesmo tempo, seguro, preciso, eficaz, resolutivo e, de preferência, pouco invasivo.
Marco Aurélio Nerosky

Hospital Cardiológico Costantini
www.hospitalcostantini.com.br
Curitiba, PR

Aplausos novamente a VEJA pela ousadia de produzir uma matéria sobre tema tão técnico, como as intervenções em pacientes com obstruções arteriais, e ainda assim oferecer explicações claras e de fácil assimilação. Como médico, no entanto, devo reforçar alguns aspectos básicos: 1) todas as medidas terapêuticas citadas, intervencionistas ou não, são de caráter paliativo, pois nenhuma delas é capaz de curar a doença de base das complicações vasculares obstrutivas: a aterosclerose; 2) tanto o tratamento medicamentoso intensivo quanto a angioplastia e a cirurgia de revascularização miocárdica são sempre associados a mudanças de hábitos de vida: não fumar, manter dieta alimentar equilibrada (com baixo teor de gordura), praticar atividades físicas regulares (sob orientação médica) e evitar o stress psicoemocional (o que implica harmonia familiar e profissional, além de saldo bancário suficiente); 3) lembrar que eventos fatais ou incapacitantes, como o infarto agudo do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais isquêmicos, podem representar a primeira manifestação clínica da obstrução arterial e servem como alerta de que o paciente é candidato a novos processos obstrutivos.
Benemar Guimarães
Médico
São Paulo, SP

Parabéns pela matéria sobre a relação entre atuações terapêuticas e insuficiência coronariana enfocando as possibilidades de tratamento clínico hemodinâmico com angioplastia e cirurgia de revascularização miocárdica. Na realidade, cada paciente merece uma análise individual com indicações precisas no enfoque de tratamento. As possibilidades de intervenção hemodinâmica, ampliadas com o avanço dos stents e o desenvolvimento de novas drogas hipolipemiantes e antiagregantes, tornaram a cirurgia um procedimento com indicações mais restritas. A mudança de hábitos e a incorporação de práticas como as dietas balanceadas e equilibradas e o estímulo à atividade física devem ser uma premissa estabelecida, qualquer que seja o tratamento. Constituem a base para o sucesso a longo prazo. Existem, e sempre existirão, indicações precisas e imperiosas para o tratamento cirúrgico. No entanto, sempre devemos lutar para oferecer aos nossos pacientes o melhor benefício com o menor risco.
Daniel Magnoni
Chefe da seção de nutrição clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, chefe do serviço de nutrologia e nutrição clínica do HCor e diretor do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN)
São Paulo, SP

Li com atenção a matéria intitulada "Paz no coração". Salvo por declarações pouco felizes de alguns entrevistados, a reportagem reflete com propriedade a situação atual do tratamento da doença arterial coronária, especialmente quando afirma: "É bom que se frise que as pontes de safena e mamária continuam a ser imprescindíveis nos casos de pacientes de altíssimo risco – como os diabéticos ou aqueles que apresentam o músculo cardíaco comprometido e três artérias obstruídas. Para eles, a cirurgia ainda é o método mais recomendado para aumentar a sobrevida e aplacar os sintomas recorrentes da doença coronária, como a dor". Lamentavelmente, essa orientação não vem sendo seguida em muitos doentes do grupo acima mencionado, o qual, diga-se de passagem, representa um alto porcentual dos portadores de doença coronária. Essa é, na essência, uma das causas da redução no número de cirurgias.
Carlos R. Moraes
Diretor e cirurgião-chefe do Instituto do Coração de Pernambuco
Recife, PE

A cirurgia cardíaca é ainda hoje área pujante entre as especialidades médicas. Se, por um lado, como está bem demonstrado na reportagem, houve diminuição de procedimentos para a realização de revascularização cirúrgica do miocárdio, por outro, existem inúmeras patologias para as quais o tratamento é eminentemente cirúrgico. Infelizmente, nem todos os pacientes conseguem acesso à cirurgia, ocorrendo situação de verdadeiro déficit terapêutico, como é o caso das cirurgias para correção de cardiopatias congênitas. A necessidade de realização de cirurgia cardíaca pediátrica em nosso meio é da ordem de 23.000 casos anuais (dados do Ministério da Saúde). Porém, apenas a terça parte desses procedimentos é efetivamente realizada, gerando situação calamitosa em termos de saúde pública, com graves conseqüências humanas e sociais.
Moise Dalva
Cirurgião cardiovascular
Por e-mail

Sou cardiologista e atuo fortemente na área de prevenção. Com relação a marcadores como proteína C-reativa e homocisteína e a suplementos como os antioxidantes e o ácido fólico, chamados de "Os furos n'água da cardiologia", existem inúmeros estudos publicados nos últimos anos em periódicos médicos de respeito a favor dessas provas e da utilização de tais suplementos. Também existem sociedades e ligas médicas ao redor do mundo estudando, especificamente, esses temas e políticas governamentais para a fortificação de alimentos com ácido fólico (Estados Unidos, Canadá e Chile) e outros. Na minha opinião, os procedimentos minimamente invasivos são realmente a boa surpresa dos últimos anos, porém, o grande "furo n'água" dos últimos meses é a decepção causada por dados apresentados sobre stents farmacológicos no risco de formação de coágulos, que estão causando insegurança na classe médica. Espero com ansiedade que esse problema seja rapidamente sanado pelos biopolímeros absorvíveis.
Fábio César dos Santos
Cardiologista e ecocardiografista pela AMB e SBC e consultor científico da Associação Médica Brasileira de Oxidologia (Ambo)
Santo André, SP

 

João Doria Jr.

A entrevista com o empresário, jornalista e publicitário João Doria Jr. (Amarelas, 29 de agosto) foi fascinante. Não faço parte da elite. Sou um professor de ensino fundamental e médio das redes pública e privada, mas concordo inteiramente com os objetivos e as propostas do movimento "Cansei". Parabéns.
Lupércio Borba Filho
Recife, PE

João Doria Jr., como sempre, impecável. O brasileiro honesto, rico e trabalhador não deve ter vergonha de sua situação socioeconômica e tem o direito de reclamar. O governo Lula, com sua demagogia e descaso com a classe média, prejudica quem gera a riqueza do país. Carga tributária absurda, encargos trabalhistas muito acima do necessário, mensalão, apagão aéreo, "relaxa e goza", bois do Renan, e ainda a obrigação de sentir-se culpado por ser bem-sucedido. "Cansei" também! Vamos enfileirar nossas Mercedes e BMWs no Palácio do Planalto e atirar profiteroles na cara dos corruptos!
Carlo Marucco
Curitiba, PR

O bem-sucedido empresário João Doria Jr. tem toda a razão. Tudo o que ele conquistou foi com muito trabalho e dedicação. Ele, como qualquer brasileiro, tem o direito de se expressar e de criticar as mazelas que afetam a sociedade. Acho até que a responsabilidade dele é maior, já que faz parte da elite brasileira, ou seja, tem dinheiro para manter um movimento cívico e é profundo conhecedor dos problemas do país.
Wellington Santos da Silva
Brasília, DF

Nasci e sempre morei em Campos do Jordão (SP) e não pertenço à "elite branca" de minha cidade, pois não tenho condições de comprar a maioria dos produtos oferecidos no shopping aqui instalado por João Doria Jr. em todas as temporadas de inverno. Também não faço parte dos "pés descalços", pois possuo diploma universitário, já viajei de avião e meu nome não figura em nenhuma lista de combate à pobreza do governo. Mesmo não pertencendo a nenhum dos extremos, gostaria de me juntar ao coro dos descontentes porque eu também "Cansei"!
Elaine Margarete de Araujo Adriano
Campos do Jordão, SP

João Doria Jr. é acima de tudo um homem trabalhador e corajoso. O Brasil precisa mesmo parar de condenar as elites como se elas fossem a causa do descalabro que vemos por aqui. Será que vou ter de pedir desculpas a alguns por nunca ter sido pobre, por ter formação universitária, trabalhar muito, ter um cachorrinho lindo, pagar os impostos e gerar muitos empregos? Será que por causa disso perco o direito de me manifestar? Eu também "Cansei"!
Adriana Moulin de Alencar Picoli
Médica e empresária
Imperatriz, MA

Corajosa, lúcida, inteligente a entrevista de João Doria Jr., apesar do medo de assumir claramente sua oposição ao governo. Finalmente uma voz se levanta. Pouco importa se é de rico ou de pobre.
Raimunda Monteiro
Belém, PA

 

Mensalão

A história desse julgamento será o marco divisório da Justiça do Brasil. A partir daí, estará definida a Justiça brasileira como poder independente e capaz de nortear todos os demais. Estarão definidos os valores nacionais para os cidadãos na busca da plena evolução democrática. Que Deus os ilumine ("O julgamento da história", 29 de agosto).
José Roberto de Lima Machado
Salvador, BA

Há que louvar a exemplar postura do ministro Joaquim Barbosa, competente relator do julgamento do mensalão. Não obstante ter sido indicado por Lula, não titubeou por um instante sequer ao optar pelo cumprimento do dever em detrimento do falacioso conflito de consciência incorporado por alguns. Foi brilhante e didático ao interpretar, montar e relatar a denúncia do também ilustre procurador-geral Antonio Fernando de Souza.
Maurílio Eberle
Limeira, SP

Será que sua excelência, o presidente Lula, viu ou soube do julgamento no STF dos quadrilheiros do mensalão?
Silvio Juliano Luchi
Florianópolis, SC

Depois de os ministros do STF e do procurador-geral da República terem dado uma demonstração de seriedade e competência no julgamento da aceitação das denúncias dos envolvidos no esquema do mensalão, urge que no julgamento dos réus não esmoreçam e, com criatividade e determinação, procurem acelerar a funcionalidade dos processos. Envidem os maiores esforços no sentido de que o julgamento dos quarenta aloprados, verdadeiros "autores de crimes em quantidades enlouquecidas", seja realizado no mais breve espaço de tempo, evitando, assim, que os processos se arrastem ao longo dos anos e aqueles crimes caiam no esquecimento ou na prescrição.
Gerson S. Monteiro
Rio de Janeiro, RJ

Ainda não temos a luz do meio e do fim do túnel, mas a do início já foi acesa pelo STF, no mais aplaudido rigor da lei na qual nós, brasileiros, acreditamos. Falta acreditar nas duas outras, pois, se votar abertamente for violação da democracia, prendam-se todos nós, brasileiros, e deixem-se soltos o senhor Renan Calheiros e o Ali Babá, que declarou publicamente em rede nacional que caixa dois é normal nas eleições.
Helvécio Luiz Piccinini
Joinville, SC

O mensalão volta aos noticiários dois anos depois de se tornar público. A denúncia do Ministério Público enfim chega ao STF sob os desconfiados olhos da sociedade, que pede o fim do foro privilegiado, sinônimo de impunidade e lentidão. A velha e hipócrita defesa dos men$aleiros é sempre a mesma: negam envolvimento num fato claro e comprovado. São todos santos. O STF deveria dispor mais sobre direito canônico ("O julgamento da história", 29 de agosto).
Ricolas Mejatovic
Brasília, DF

 

Atentado à liberdade de imprensa

Informo a retirada de minha assinatura em apoio à instituição da CPI constante no RCP n° 6/2007 (TVA e Telesp), apresentado à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em 23 de agosto último. Fundamenta essa decisão a análise criteriosa dos fatos ulteriores à data em que subscrevi o pedido. Percebem-se, claramente, uma intenção política espúria e uma perseguição injustificável ao segmento, contrariando de forma radical o objetivo inicialmente sustentado e que deve ensejar a instituição de qualquer CPI: acontecimento de relevante interesse para a vida pública e a ordem constitucional, legal, econômica e social do país. Por fim, quero reafirmar a disposição de envidar todo o meu vigor para convencer os demais parlamentares a retirar sua assinatura do mencionado documento, por considerar sagrada a missão dos órgãos de imprensa e entender a proposta desvirtuada e inconsistente ("O ataque da corrupção", 29 de agosto).
Ratinho Junior
Deputado federal (PSC/PR)
Brasília, DF

É obrigação do Congresso Nacional adotar critérios rigorosos nas concessões públicas para a exploração de canais de rádio e televisão, supervisionar o cumprimento das regras estabelecidas e investigar denúncias de ilegalidades. Aliás, acredito que todos aqueles que participam dos atos de concessão e/ou fiscalização não podem e não devem ser detentores de serviços concedidos. Muito menos se esconder por trás de "laranjas". Sou também favorável a qualquer tipo de CPI que objetive investigar fatos ilegais. Contudo, não posso concordar que o objetivo de uma proposta de CPI que colheu inúmeras assinaturas, dentre elas a minha, para apurar atos da Anatel venha a ser desvirtuado, para servir de instrumento de pressão política que vise a atingir a liberdade de expressão e de imprensa. Razão pela qual me coloco, de público, contra a chamada CPI da TVA ("O ataque da corrupção", 29 de agosto).
Marcelo Itagiba
Deputado federal (PMDB-RJ)
Brasília, DF

Ridícula a atitude de políticos capitaneada pelo senador Renan Calheiros em busca desesperada de assinaturas para a abertura de CPI contra o Grupo Abril. Cheira mal! A liberdade de imprensa é um dos princípios básicos que norteiam um estado democrático, assegurando o direito e a liberdade de expressão aos seus cidadãos e órgãos de imprensa. O nosso total repúdio.
Pedro Sergio Ronco
Diretor do Jornal Agosto e presidente da Rádio BJ FM
Ribeirão Bonito, SP

A respeito de declarações minhas publicadas na última edição de VEJA, gostaria de confirmar que a atitude do senhor Calheiros parece represália contra a publicação, por VEJA, de reportagens que me parecem bem-feitas, que exibem dimensões antes desconhecidas de seus negócios e que o deixam muito mal – embora não seja possível opinar, pela leitura dos jornais, se houve ilícito ou não por parte da Editora Abril.
Claudio Weber Abramo
Diretor executivo
Transparência Brasil
http://www.transparencia.org.br
São Paulo, SP

 

André Petry

Em seu artigo "Cansei de rir" (29 de agosto), André Petry explora com precisão o dilema vivido pela combalida classe média brasileira, que não aceita ser rotulada como tal. É incrível que, mesmo após o papelão de Geraldo Alckmin no segundo turno da última eleição, continuemos a ter medo do que somos. Não foi por acaso que, por não defender os legítimos princípios de seu partido e do governo que havia integrado, o então candidato conseguiu a proeza de obter menos votos no segundo turno do que havia conseguido no primeiro.
Edson Pinto da Silva Filho
Vinhedo, SP

Não me sinto nem um pouco constrangida por não ser pobre. Estou cansada, sim, mas não sou dondoca. Trabalho muito e pago inúmeros impostos. Pertenço à elite, sim, e sou muito feliz por isso. Mas a reportagem tem razão: montei uma comunidade no Orkut há algum tempo – Faço Parte da Elite –, mas até hoje só eu aderi.
Lilian Gallagher
Rio de Janeiro, RJ

 

Bolsa Família

Em relação à reportagem "Fácil de entrar, difícil de sair" (29 de agosto), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) esclarece que as famílias que recebem transferência de renda condicionada têm nível de participação no mercado de trabalho maior do que as famílias com o mesmo perfil que não recebem nenhum tipo de transferência. Dados divulgados na Pesquisa de Avaliação de Impacto do programa Bolsa Família, realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/2006), mostram que a proporção de pessoas beneficiadas que declaram estar procurando trabalho é positiva. Além disso, o beneficiário do Bolsa Família trabalha mais do que o não beneficiário – a taxa de ocupação dos adultos na extrema pobreza incluídos no programa é 3,1 pontos porcentuais maior do que a dos não beneficiários na mesma situação de renda. Os integrantes do programa podem ter carteira de trabalho assinada, já que o critério para receber o benefício é renda mensal per capita de até 120 reais. Além disso, não é possível afirmar que cada beneficiário recebe 15 reais em média, pois o Bolsa Família paga benefícios fixos e variáveis. O valor médio nacional por família chega hoje a 74 reais. Sobre a informação publicada na seção Carta ao leitor, sob o título "Falta uma porta", o MDS esclarece que o valor do benefício foi reajustado em agosto deste ano e já começou a ser pago. Com a recomposição do benefício, o menor valor passa de 15 para 18 reais e o máximo de 95 para 112.
Roberta Caldo
Assessoria de imprensa
Brasília, DF

A reportagem "Fácil de entrar, difícil de sair" faz uma análise bastante interessante sobre o Bolsa Família. Reconhece os aspectos positivos do programa, que, de fato, tem contribuído para reduzir a desigualdade de renda e a pobreza absoluta no Brasil. VEJA, entretanto, deixa de informar mais adequadamente o conjunto de programas de transferência de renda nos EUA que beneficiam, presentemente, um número muito maior de pessoas do que o registrado. Lá são vigentes os programas Food Stamps, Temporary Assistance for Needy Families, Seguro-desemprego, Seguridade Social e o Crédito Fiscal por Remuneração Recebida. Só este programa paga anualmente mais de 40 bilhões de dólares a mais de 21,5 milhões de famílias, um número maior do que o de beneficiários do Bolsa Família. Nosso programa mais racional é a Renda Básica de Cidadania, objeto da Lei nº 10.835, sancionada pelo presidente Luiz Inácio da Silva em 8 de janeiro de 2004. Onde está a evidência de que o sistema mais racional é a Renda Básica de Cidadania? Na própria experiência vigente, desde os anos 80, nos EUA. O sistema de dividendos proporcionado pelo Fundo Permanente do Alasca vem pagando uma renda anual equivalente a 6% de seu PIB a todos os 700 000 habitantes daquele estado. Cabe ressaltar que esse programa fez do Alasca o mais igualitário dos cinqüenta estados americanos.
Eduardo Matarazzo Suplicy
Senador (PT-SP)
Brasília, DF

Correção: Na seção Auto-retrato, o nome correto do entrevistado é Gabriel Padilla e não Padilha.

 

 

OS ARAPONGAS E O STF

A reportagem "A sombra do estado policial" (22 de agosto) falou das suspeitas de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal de que estariam sendo vítimas de escutas clandestinas e mereceu dos leitores 76 comentários, uma quantidade de correspondência relativamente baixa para uma reportagem de capa. Mas chamou atenção a qualidade dos comentários de um grupo significativo de leitores. "Quem não deve não teme!", escreveu Divanir Coppini, de São Bernardo do Campo, citando um dito popular que foi repetido por diversos outros missivistas. "O Supremo deveria se preocupar com a falta de justiça que impera em nosso país, onde os políticos, protegidos pela imunidade e impunidade, roubam nosso dinheiro e não são punidos", escreveu Mauro Asperti, de São Paulo. "Os ministros do STF, exatamente por serem os confiáveis membros da mais alta corte de Justiça do país, não deveriam repudiar o grampo. Deveriam abrir-se e deixar que todos vejam de forma transparente sua conduta impecável", disse Kelly Reis, de Caxias do Sul. Entende esse grupo de leitores que os ministros do Supremo estariam pleiteando para si uma situação privilegiada, colocando-se acima do bem e do mal, não aceitando a vigilância da sociedade. Na realidade, ao repudiar o grampo ilegal os magistrados estão apenas defendendo a legalidade, o respeito às leis e à inviolabilidade da privacidade de todos os cidadãos. Os juízes do Supremo estão sujeitos às leis como todo mundo e não estão defendendo um privilégio, mas condenando o que não pode ser feito com ninguém. Portanto, não se colocam acima da lei. Todos devem temer o atentado à liberdade que representa um grampo ilegal, como felizmente entendeu a maioria dos leitores. Mauro A. de Paula, de Monte Belo, Minas Gerais, resumiu bem o pensamento dessa maioria: "Quando até mesmo a mais alta corte do país se sente desprotegida, vigiada e sob ameaça, o que dizer do cidadão comum?".

 

KALININGRADO

Kaliningrado: enclave russo

O leitor Herve Thery, professor convidado do departamento de geografia da Universidade de São Paulo, envia mais informações sobre Kaliningrado, o local onde a Sadia vai inaugurar sua primeira fábrica no exterior e que foi citado na nota "Um porto que não congela" (Radar, 29 de agosto). "Kaliningrado é o antigo porto alemão de Konigsberg (onde nasceu, entre outros, o filosofo Kant). Foi anexado pela União Soviética depois da II Guerra Mundial e, com a independência das repúblicas bálticas, é hoje um enclave separado do território russo. Para mandar os seus produtos para a Rússia, a Sadia deve cruzar várias fronteiras", diz o professor Thery. Veja no mapa a localização do enclave, que faz limites com o Mar Báltico, a Polônia e a Lituânia e deve seu nome a Mikhail Kalinin, que presidiu a URSS de 1919 a 1946.

 

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |