A ministra Ellen Gracie, presidente
do STF: decisão contra a praga da impunidade
Vinte
e oito de agosto de 2007 entrará para a história
como a data em que o Brasil começou a mudar
para melhor. Foi nesse dia que finalmente o país começou
a eliminar uma praga que corrói suas instituições
e devora a esperança dos cidadãos: a praga da
impunidade. Com clareza e destemor, em sessões presididas
com serenidade pela ministra Ellen Gracie, o Supremo Tribunal
Federal (STF) aceitou a denúncia do procurador-geral
da República, Antonio Fernando Souza, contra os quarenta
integrantes da "organização criminosa" que visava
a perpetuar-se no poder. Os ministros do STF se agigantaram
diante da nação ao demonstrar que, acima dos
homens, estão elas as instituições
das quais há tanto se lamenta o estado de abatimento.
Muitos dos ministros votaram contra amigos e suas próprias
convicções ideológicas. Com isso, inclinaram-se
às evidências, à lógica, à
lei. Disse Ellen Gracie: "No momento em que encerramos um
julgamento que muitos consideram histórico, tenho dificuldade
de acreditar que alguma corte suprema do mundo se reúna
para apreciar denúncia dessa complexidade com esse
nível de detalhe, com esse esforço analítico".
A decisão
do STF de abrir processo criminal contra os quarenta integrantes
da "quadrilha" interrompe a má ficção
que se vinha tentando escrever, para tentar confundir a cabeça
dos cidadãos menos informados a de que nunca
houve mensalão, dólares na cueca, empréstimos
que não eram empréstimos e desvio de dinheiro
público. De que tudo era invenção da
"mídia golpista". Os acusados agora terão de
encontrar linhas de defesa que não se limitem aos ataques
à imprensa. Os processos deverão durar anos,
mas a forma como o STF aceitou a denúncia, magistralmente
esmiuçada pelo relator do caso, o ministro Joaquim
Barbosa, leva a crer que os indiciados não escaparão
de pagar pelos crimes dos quais são acusados. A reportagem
especial que VEJA publica nesta edição é
uma celebração do 28 de agosto de 2007. Um dia
que já entrou para a história.