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Edição 2024

5 de setembro de 2007
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Carta ao leitor
Um dia para a história

 
Alan Marques/Folha Imagem
A ministra Ellen Gracie, presidente do STF: decisão contra a praga da impunidade

Vinte e oito de agosto de 2007 entrará para a história como a data em que o Brasil começou a mudar – para melhor. Foi nesse dia que finalmente o país começou a eliminar uma praga que corrói suas instituições e devora a esperança dos cidadãos: a praga da impunidade. Com clareza e destemor, em sessões presididas com serenidade pela ministra Ellen Gracie, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contra os quarenta integrantes da "organização criminosa" que visava a perpetuar-se no poder. Os ministros do STF se agigantaram diante da nação ao demonstrar que, acima dos homens, estão elas – as instituições das quais há tanto se lamenta o estado de abatimento. Muitos dos ministros votaram contra amigos e suas próprias convicções ideológicas. Com isso, inclinaram-se às evidências, à lógica, à lei. Disse Ellen Gracie: "No momento em que encerramos um julgamento que muitos consideram histórico, tenho dificuldade de acreditar que alguma corte suprema do mundo se reúna para apreciar denúncia dessa complexidade com esse nível de detalhe, com esse esforço analítico".

A decisão do STF de abrir processo criminal contra os quarenta integrantes da "quadrilha" interrompe a má ficção que se vinha tentando escrever, para tentar confundir a cabeça dos cidadãos menos informados – a de que nunca houve mensalão, dólares na cueca, empréstimos que não eram empréstimos e desvio de dinheiro público. De que tudo era invenção da "mídia golpista". Os acusados agora terão de encontrar linhas de defesa que não se limitem aos ataques à imprensa. Os processos deverão durar anos, mas a forma como o STF aceitou a denúncia, magistralmente esmiuçada pelo relator do caso, o ministro Joaquim Barbosa, leva a crer que os indiciados não escaparão de pagar pelos crimes dos quais são acusados. A reportagem especial que VEJA publica nesta edição é uma celebração do 28 de agosto de 2007. Um dia que já entrou para a história.

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