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CONCERTO
Orquestra
Filarmônica Della Scala de Milão (de 3 a 5 de setembro
em São Paulo) As apresentações da orquestra
de Milão são o grande evento da música clássica
neste ano. Comandada pelo maestro italiano Riccardo Muti, a formação
mostrará um repertório que contém ópera e
peças românticas. Muti vai reger, em dias alternados, trechos
de As Vésperas Sicilianas, do compositor Giuseppe Verdi,
o balé O Beijo da Fada, de Igor Stravinsky, Guilherme
Tell, de Gioacchino Rossini, e as sinfonias Número 3
de Schumann e Número 6 de Tchaikovsky. Além da excelência
dos músicos, a performance enérgica de Muti é um
espetáculo à parte.
INFANTO-JUVENIS
Sexta-Feira
ou A Vida Selvagem, de Michel Tournier (tradução
de Flávia Nascimento; Bertrand Brasil; 136 páginas; 18 reais)
O francês Michel Tournier só lançou seu primeiro
livro aos 43 anos, mas logo de cara produziu um clássico: Sexta-Feira
ou Os Limbos do Pacífico. Sucesso nos anos 60, a obra reconta
as aventuras de Robinson Crusoé, personagem criado pelo inglês
Daniel Defoe no século XVIII. Nas mãos de Tournier, o famoso
náufrago, que passa 27 anos numa ilha deserta acompanhado do selvagem
Sexta-Feira, ganha um problema moderno: crise de identidade. Essa versão
reduzida da história, feita para o público jovem, preserva
o charme original e dá para devorar de uma sentada.
A
Gatinha Siamesa Chinesa, de Amy Tan (tradução de
Lia Wyler; Rocco; 32 páginas; 22 reais) O que à primeira
vista chama a atenção nessa obra para crianças são
as ilustrações coloridas e cheias de grafismos. Mas o melhor
mesmo é a história, deliciosamente narrada pela escritora
americana Amy Tan. Filha de imigrantes chineses, ela é mais conhecida
por seus livros adultos entre os quais, o best-seller O Clube
da Felicidade e da Sorte. Amy volta a falar de suas raízes
na obra infantil, que deu origem a um desenho animado da rede pública
americana PBS. Trata-se da aventura de uma gatinha chinesa que ajuda um
magistrado mal-humorado a ver o quanto as leis criadas por ele são
injustas. Por trás da fachada adocicada, há uma metáfora
contra o autoritarismo.
LIVRO
O
Legado de Eszter, de Sándor Márai (tradução
de Paulo Schiller; Companhia das Letras; 114 páginas; 19 reais)
Márai (1900-1989) teve seus livros banidos e se exilou de
seu país, a Hungria, com a chegada dos comunistas ao poder, nos
anos 40. Vista por um tempo como entulho do passado, sua obra é
hoje reconhecida como uma das maiores de sua língua. O Legado
de Eszter é uma boa introdução à prosa
envolvente e melancólica de Márai. Narra a história
de uma solteirona que, na juventude, se apaixonou por um sujeito sem caráter
e o vê casar-se com sua irmã e se tornar um sanguessuga.
Anos depois da morte da mulher, ele anuncia uma visita à narradora
e desencadeia um turbilhão de memórias.
DISCO
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| New
Order: eletrônico palatável |
Get
Ready, New Order (WEA) Um dos ícones da música
eletrônica dos anos 80, o grupo inglês New Order sempre se
diferenciou de seus pares porque produzia som ultradançante, mas
nunca apelativo. Seus discos continham um vasto leque de influências,
do punk (cortesia do baixo galopante de Peter Hook) ao funk americano.
Get Ready, primeiro disco da banda em oito anos, continua nessa
trilha. Há poucas mudanças de estilo, apesar das participações
de prima-donas do pop, como o guitarrista Billy Corgan, ex-Smashing Pumpkins
(em Turn My Way), e o cantor Bobby Gillespie, do Primal Scream
(em Rock the Shack, digna de um Rolling Stones). O talento do quarteto
em produzir melodias palatáveis mantém-se intacto
vide as belas Crystal e Slow Jam.
CINEMA
Divulgação
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| O
novo Scola: perseguição racial |
Concorrência
Desleal (Concorrenza Sleale, Itália, 2000. A partir
de quinta-feira em São Paulo, Brasília e Porto Alegre)
O novo filme de Ettore Scola parece, de início, uma daquelas confecções
ao estilo de Cinema Paradiso ou seja, homem adulto narra
reminiscências da infância. Felizmente, é só
engano: o diretor centra a ação na rivalidade entre dois
lojistas, o veterano Umberto e o recém-chegado Leone, na Roma do
período pré-II Guerra. A hostilidade vira tentativa de aproximação,
quando o ditador Mussolini promulga suas leis raciais, que subtraíam
direitos aos judeus entre eles, o comerciante Leone. Além
de recuperar um episódio que ficou ofuscado pelas atrocidades dos
alemães, o diretor mostra com elegância como
fascismo e alienação sempre caminham juntos.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Para
a maioria dos mortais, é mais fácil decifrar o sorriso
da esfinge do que saber a diferença entre CDB e fundo DI.
Aventurar-se nos meandros da especulação imobiliária,
então, nem se fala. Mas, em algum momento da vida
seja ao aplicar economias no banco ou ao comprar uma casa própria
, você se verá diante de um desafio parecido
na selva do economês. Já que poucos podem dar-se ao
luxo de pagar pela assessoria de um especialista no ramo, não
é de estranhar o sucesso de Investimentos Como
Administrar Melhor Seu Dinheiro (Fundamento; 142 páginas;
28 reais), do economista Mauro Halfeld. Em nono lugar na categoria
de auto-ajuda, ele é um guia didático que troca números
e conceitos complicados em miúdos para as pessoas comuns.
Traz desde noções básicas de poupança
para quem ganha pouco até dicas para quem já consolidou
sua independência financeira passando por temas como
imóveis, previdência privada e mercado de ações.
Gilvan Barreto
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| Halfeld:
simples e didático, sem cair no lugar-comum |
Professor
da Universidade Federal do Paraná, Halfeld foge da fórmula
sonolenta da maioria dos livros do gênero, que se limitam
a ser meros dicionários de economia. Para tanto, ele estruturou
os capítulos em forma de pergunta e resposta ("Investir na
bolsa é como jogar em cassino?", "O excesso de liquidez pode
ser um problema?") e não raro assume o papel de animador
de seus aprendizes de capitalistas ("A regra número 1 é
ter metas, sonhos"). Entre um conselho e outro, narra casos de investidores
bem-sucedidos e espana velhas idéias, como a de que pagar
aluguel é jogar dinheiro fora. Halfeld é simples,
mas sem cair no lugar-comum.
Marcelo
Marthe
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