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Edição 1 716 - 5 de setembro de 2001
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CONCERTO

Orquestra Filarmônica Della Scala de Milão (de 3 a 5 de setembro em São Paulo) – As apresentações da orquestra de Milão são o grande evento da música clássica neste ano. Comandada pelo maestro italiano Riccardo Muti, a formação mostrará um repertório que contém ópera e peças românticas. Muti vai reger, em dias alternados, trechos de As Vésperas Sicilianas, do compositor Giuseppe Verdi, o balé O Beijo da Fada, de Igor Stravinsky, Guilherme Tell, de Gioacchino Rossini, e as sinfonias Número 3 de Schumann e Número 6 de Tchaikovsky. Além da excelência dos músicos, a performance enérgica de Muti é um espetáculo à parte.

 

INFANTO-JUVENIS

Sexta-Feira ou A Vida Selvagem, de Michel Tournier (tradução de Flávia Nascimento; Bertrand Brasil; 136 páginas; 18 reais) – O francês Michel Tournier só lançou seu primeiro livro aos 43 anos, mas logo de cara produziu um clássico: Sexta-Feira ou Os Limbos do Pacífico. Sucesso nos anos 60, a obra reconta as aventuras de Robinson Crusoé, personagem criado pelo inglês Daniel Defoe no século XVIII. Nas mãos de Tournier, o famoso náufrago, que passa 27 anos numa ilha deserta acompanhado do selvagem Sexta-Feira, ganha um problema moderno: crise de identidade. Essa versão reduzida da história, feita para o público jovem, preserva o charme original – e dá para devorar de uma sentada.

A Gatinha Siamesa Chinesa, de Amy Tan (tradução de Lia Wyler; Rocco; 32 páginas; 22 reais) – O que à primeira vista chama a atenção nessa obra para crianças são as ilustrações coloridas e cheias de grafismos. Mas o melhor mesmo é a história, deliciosamente narrada pela escritora americana Amy Tan. Filha de imigrantes chineses, ela é mais conhecida por seus livros adultos – entre os quais, o best-seller O Clube da Felicidade e da Sorte. Amy volta a falar de suas raízes na obra infantil, que deu origem a um desenho animado da rede pública americana PBS. Trata-se da aventura de uma gatinha chinesa que ajuda um magistrado mal-humorado a ver o quanto as leis criadas por ele são injustas. Por trás da fachada adocicada, há uma metáfora contra o autoritarismo.

 

LIVRO

O Legado de Eszter, de Sándor Márai (tradução de Paulo Schiller; Companhia das Letras; 114 páginas; 19 reais) – Márai (1900-1989) teve seus livros banidos e se exilou de seu país, a Hungria, com a chegada dos comunistas ao poder, nos anos 40. Vista por um tempo como entulho do passado, sua obra é hoje reconhecida como uma das maiores de sua língua. O Legado de Eszter é uma boa introdução à prosa envolvente e melancólica de Márai. Narra a história de uma solteirona que, na juventude, se apaixonou por um sujeito sem caráter e o vê casar-se com sua irmã e se tornar um sanguessuga. Anos depois da morte da mulher, ele anuncia uma visita à narradora e desencadeia um turbilhão de memórias.

 

DISCO

New Order: eletrônico palatável

Get Ready, New Order (WEA) – Um dos ícones da música eletrônica dos anos 80, o grupo inglês New Order sempre se diferenciou de seus pares porque produzia som ultradançante, mas nunca apelativo. Seus discos continham um vasto leque de influências, do punk (cortesia do baixo galopante de Peter Hook) ao funk americano. Get Ready, primeiro disco da banda em oito anos, continua nessa trilha. Há poucas mudanças de estilo, apesar das participações de prima-donas do pop, como o guitarrista Billy Corgan, ex-Smashing Pumpkins (em Turn My Way), e o cantor Bobby Gillespie, do Primal Scream (em Rock the Shack, digna de um Rolling Stones). O talento do quarteto em produzir melodias palatáveis mantém-se intacto – vide as belas Crystal e Slow Jam.

 

CINEMA

Divulgação
O novo Scola: perseguição racial

Concorrência Desleal (Concorrenza Sleale, Itália, 2000. A partir de quinta-feira em São Paulo, Brasília e Porto Alegre) – O novo filme de Ettore Scola parece, de início, uma daquelas confecções ao estilo de Cinema Paradiso – ou seja, homem adulto narra reminiscências da infância. Felizmente, é só engano: o diretor centra a ação na rivalidade entre dois lojistas, o veterano Umberto e o recém-chegado Leone, na Roma do período pré-II Guerra. A hostilidade vira tentativa de aproximação, quando o ditador Mussolini promulga suas leis raciais, que subtraíam direitos aos judeus – entre eles, o comerciante Leone. Além de recuperar um episódio que ficou ofuscado pelas atrocidades dos alemães, o diretor mostra – com elegância – como fascismo e alienação sempre caminham juntos.


OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Para a maioria dos mortais, é mais fácil decifrar o sorriso da esfinge do que saber a diferença entre CDB e fundo DI. Aventurar-se nos meandros da especulação imobiliária, então, nem se fala. Mas, em algum momento da vida – seja ao aplicar economias no banco ou ao comprar uma casa própria –, você se verá diante de um desafio parecido na selva do economês. Já que poucos podem dar-se ao luxo de pagar pela assessoria de um especialista no ramo, não é de estranhar o sucesso de Investimentos – Como Administrar Melhor Seu Dinheiro (Fundamento; 142 páginas; 28 reais), do economista Mauro Halfeld. Em nono lugar na categoria de auto-ajuda, ele é um guia didático que troca números e conceitos complicados em miúdos para as pessoas comuns. Traz desde noções básicas de poupança para quem ganha pouco até dicas para quem já consolidou sua independência financeira – passando por temas como imóveis, previdência privada e mercado de ações.

Gilvan Barreto
Halfeld: simples e didático, sem cair no lugar-comum

Professor da Universidade Federal do Paraná, Halfeld foge da fórmula sonolenta da maioria dos livros do gênero, que se limitam a ser meros dicionários de economia. Para tanto, ele estruturou os capítulos em forma de pergunta e resposta ("Investir na bolsa é como jogar em cassino?", "O excesso de liquidez pode ser um problema?") e não raro assume o papel de animador de seus aprendizes de capitalistas ("A regra número 1 é ter metas, sonhos"). Entre um conselho e outro, narra casos de investidores bem-sucedidos e espana velhas idéias, como a de que pagar aluguel é jogar dinheiro fora. Halfeld é simples, mas sem cair no lugar-comum.


Marcelo Marthe

 

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
 
   
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