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Transtorno de sobra
TPM é
refresco perto da disforia, distúrbio
feminino difícil de ser diagnosticado
Fernanda
Colavitti
Montagem sobre fotos de Beatriz Albuquerque
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As alterações
de humor que antecedem a menstruação, conhecidas como tensão
pré-menstrual, ou simplesmente TPM, podem assumir uma forma mais
aguda. Essa disfunção sazonal de maior gravidade das mulheres
é, felizmente, mais rara. Batizado de disforia pré-menstrual,
o distúrbio atinge cerca de 5% da população feminina
e pode, em muitos casos, incapacitar temporariamente a mulher para o trabalho
e tornar o convívio um martírio.
Ele pode
ocorrer em algum momento da idade adulta ou da adolescência e exige
tratamento rigoroso. A maioria das mulheres não consegue diagnosticar
a disforia sem ajuda profissional. Muitas vezes ela é enigmática
até mesmo para os médicos. "Os sintomas são tão
generalizados que fica muito difícil para a mulher identificar
a disforia com precisão", explica o ginecologista Eliezer Berenstein,
de São Paulo. O distúrbio foi descrito pela primeira vez
em 1987, pela Associação Psiquiátrica Americana,
que hoje recomenda vários critérios para o diagnóstico
(veja no quadro).
Para determinar
a existência e a gravidade do problema, os médicos dependem
muito do relato das próprias mulheres sobre a intensidade dos sintomas,
obtidos por meio de questionários aplicados antes e depois da menstruação.
Procura-se verificar desde a ocorrência de alterações
de humor, como irritabilidade e ansiedade, até a presença
de inchaço nos seios, dores no corpo e ganho de peso. Como há
uma margem grande de subjetividade nos relatos, a ciência busca
agora mecanismos mais eficazes de detecção da disforia.
A endocrinologista Alessandra Rascovski, do Hospital das Clínicas
de São Paulo, desenvolve pesquisas que possam estabelecer uma relação
entre o distúrbio e os genes que controlam a concentração
de serotonina, a substância cerebral que regula algumas das funções
mais afetadas durante as crises, como sono, humor, saciedade e desejo
sexual. "O problema pode ter diversas origens, incluindo desequilíbrio
hormonal e disfunções da tireóide", afirma o psiquiatra
Joel Rennó Júnior, coordenador do Projeto de Atenção
à Saúde Mental da Mulher, do Hospital das Clínicas.
Segundo ele, apesar de as principais armas no combate ao distúrbio
serem os antidepressivos que controlam os níveis de serotonina
como a fluoxetina, princípio ativo do Prozac e assemelhados
, é importante manter outras ações coadjuvantes,
como parar de fumar, seguir uma dieta adequada e praticar esportes.

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