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Edição 1 716 - 5 de setembro de 2001
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Transtorno de sobra

TPM é refresco perto da disforia, distúrbio
feminino difícil de ser diagnosticado

Fernanda Colavitti

Montagem sobre fotos de Beatriz Albuquerque

As alterações de humor que antecedem a menstruação, conhecidas como tensão pré-menstrual, ou simplesmente TPM, podem assumir uma forma mais aguda. Essa disfunção sazonal de maior gravidade das mulheres é, felizmente, mais rara. Batizado de disforia pré-menstrual, o distúrbio atinge cerca de 5% da população feminina e pode, em muitos casos, incapacitar temporariamente a mulher para o trabalho e tornar o convívio um martírio.

Ele pode ocorrer em algum momento da idade adulta ou da adolescência e exige tratamento rigoroso. A maioria das mulheres não consegue diagnosticar a disforia sem ajuda profissional. Muitas vezes ela é enigmática até mesmo para os médicos. "Os sintomas são tão generalizados que fica muito difícil para a mulher identificar a disforia com precisão", explica o ginecologista Eliezer Berenstein, de São Paulo. O distúrbio foi descrito pela primeira vez em 1987, pela Associação Psiquiátrica Americana, que hoje recomenda vários critérios para o diagnóstico (veja no quadro).

Para determinar a existência e a gravidade do problema, os médicos dependem muito do relato das próprias mulheres sobre a intensidade dos sintomas, obtidos por meio de questionários aplicados antes e depois da menstruação. Procura-se verificar desde a ocorrência de alterações de humor, como irritabilidade e ansiedade, até a presença de inchaço nos seios, dores no corpo e ganho de peso. Como há uma margem grande de subjetividade nos relatos, a ciência busca agora mecanismos mais eficazes de detecção da disforia. A endocrinologista Alessandra Rascovski, do Hospital das Clínicas de São Paulo, desenvolve pesquisas que possam estabelecer uma relação entre o distúrbio e os genes que controlam a concentração de serotonina, a substância cerebral que regula algumas das funções mais afetadas durante as crises, como sono, humor, saciedade e desejo sexual. "O problema pode ter diversas origens, incluindo desequilíbrio hormonal e disfunções da tireóide", afirma o psiquiatra Joel Rennó Júnior, coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher, do Hospital das Clínicas. Segundo ele, apesar de as principais armas no combate ao distúrbio serem os antidepressivos que controlam os níveis de serotonina – como a fluoxetina, princípio ativo do Prozac e assemelhados –, é importante manter outras ações coadjuvantes, como parar de fumar, seguir uma dieta adequada e praticar esportes.

 
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