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Terremoto sob seus
pés
Ficar
ou pular fora? Como resolver esse
dilema quando a crise começa a rondar
a empresa em que você trabalha
Maurício
Oliveira
Um dos momentos
mais difíceis para um profissional administrar em sua carreira
é aquele em que nuvens carregadas se formam no horizonte da empresa
e o pessimismo toma conta do ambiente de trabalho. Ninguém sabe
responder ao certo, por exemplo, se a companhia vai sobreviver às
dificuldades que enfrenta ou ser negociada com algum concorrente mais
poderoso. Para o funcionário que percebe a crise cada vez mais
próxima de sua mesa de trabalho, esse momento costuma representar
um dilema: fico ou pulo fora? Obviamente, não existe uma maneira
segura de saber se uma empresa está enfrentando problemas fatais
ou apenas passando por dificuldades superáveis. Os especialistas
aconselham as pessoas tocadas por essa dúvida desconcertante a
ficar atentas a certos sinais que antecedem uma crise empresarial grave
daquelas que mudam a vida de cada funcionário. Veja
quadro, que conta em detalhe quais são esses sinais.
O mais evidente são os noticiários negativos em publicações
respeitadas e que nunca merecem desmentido da empresa. A perda freqüente
de talentos reconhecidos para os concorrentes é outro sintoma a
levar em conta.
Por outro
lado, um bom indício de que vale a pena apostar na recuperação
da companhia é a transparência com que a direção
trata a crise no ambiente corporativo. Segundo a consultora Gisela Ferreira,
a primeira vítima nesses casos costuma ser justamente a sinceridade
dos superiores. Os riscos, afinal, são grandes. Admitir problemas
financeiros graves pode ser o sinal que faltava para liquidar a reputação
da empresa não apenas diante dos funcionários, mas também
de clientes, fornecedores e credores. O engenheiro civil Valsuir Galvão,
de 50 anos, não entendeu que seu empregador estava chegando ao
fundo do poço em 1995, quando a construtora para a qual trabalhava,
em Brasília, passou a vender os imóveis a preço de
custo, para fazer caixa. Mais tarde, sucederam-se atrasos nos pagamentos
dos funcionários e fornecedores. Por fim, veio a falência.
Além de perder o emprego, o engenheiro, que ocupava um posto de
diretor, ficou sem os últimos seis salários e deixou de
receber cerca de 200.000 reais em direitos
trabalhistas. A construtora era a malfadada Encol, responsável
pela evaporação da poupança de mais de 40.000
famílias em vários Estados. "Tive todos os sinais de que
deveria ter abandonado o barco, mas insisti até o fim. Hoje me
arrependo muito por isso", diz Galvão.
Com quase
vinte anos de casa, ele se sentia emocionalmente compelido a participar
do esforço para salvar a construtora, mas, de acordo com os consultores
em recursos humanos, esse tipo de fidelidade já não se justifica
hoje em dia. "A partir da reengenharia dos anos 80, muitas empresas passaram
a considerar os funcionários como descartáveis. Em contrapartida,
o profissional ganhou o direito de pensar em primeiro lugar na própria
carreira", diz Simon Franco, diretor da TMP Worldwide no Brasil, especializada
em contratação de executivos. "A única estratégia
eficaz para não ser pego de surpresa é estar sempre à
espera de reviravoltas", sustenta o administrador de empresas Maurício
Baccini, de São Paulo. Depois de 23 anos na multinacional Xerox,
ele acaba de deixar o cargo de gerente-geral da filial paulista. A tradicional
companhia do ramo de copiadoras convive com prejuízos nos balanços
desde 1999 e vive um processo mundial de reestruturação,
que inclui demissões e redução geral das despesas.
"Torço para que a empresa se recupere das dificuldades, mas percebi
que estava na hora de percorrer outro caminho", diz Baccini. Uma atitude
certamente pragmática, de quem veste a camisa da empresa
mas tem sempre outra no armário, bem passada e pronta para usar
em caso de necessidade.

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