
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Eles
querem mais
Cineastas brasileiros arquitetam
um plano para
obter novas verbas.
Adivinhe quem paga
Ricardo Chvaicer
 |
| O
Guarani: será
que esse filme é mesmo um "espelho da identidade nacional"? |
Na
semana passada, a valorosa turma do cinema nacional quase conseguiu passar
uma medida que significa mais uma tungada no bolso do governo (leia-se
contribuinte) e de empresários do setor de entretenimento e comunicação.
Criado em setembro do ano passado pelo governo federal, com o objetivo
de elaborar um plano estratégico, o Grupo Executivo de Desenvolvimento
da Indústria Cinematográfica (Gedic) coroou seus trabalhos
apresentando à Presidência da República um inacreditável
projeto de fomento ao setor. Os caciques do Gedic entre os quais se
encontram o cineasta Cacá Diegues, o produtor Luiz Carlos Barreto
e o ex-superintendente da Embrafilme Gustavo Dahl esperavam transformar
em medida provisória as suas propostas megalomaníacas, por
meio das quais sonham arrecadar nove vezes mais dinheiro do que o setor
vem obtendo com as leis de incentivo cultural. Como um bom filme brasileiro,
no entanto, o projeto do Gedic foi feito com desleixo e arrogância.
Setores que seriam pesadamente atingidos pelas medidas, como os da TV
aberta e da TV paga, reclamaram de não ter sido ouvidos e começaram
a protestar. Na sexta-feira, um verdadeiro qüiproquó se havia
formado em Brasília, e o Gedic não conseguiu emplacar o
pacote tão facilmente quanto desejava. O governo já não
sabia se aprovava parte dele por meio de medida provisória e colocava
o resto num projeto de lei, ou se mandava tudo de uma vez para uma discussão
aberta no Congresso. Essa segunda forma seria a mais democrática
mas os cineastas brasileiros não gostam desse tipo de democracia.
Fernando Lemos/Strana
 |
| Barreto
(foto) e Diegues, do
Gedic: projeto recebido sob muitos protestos |
O projeto do Gedic é mesmo mirabolante. Um de seus pontos é
a criação de uma agência de controle, a Ancinav, e
de um Conselho Superior do Cinema e do Audiovisual, que definirá
políticas para o setor. Com eles, os dinossauros do cinema pretendem
reviver a estatal Embrafilme. Já tem até gente de olho nas
sinecuras. Mas a menina-dos-olhos desse pessoal são, claro, os
mecanismos de arrecadação de dinheiro. A contribuição
que já incide sobre filmes e séries estrangeiros exibidos
no país em cinema, vídeo ou TV seria turbinada e passaria
a incidir também sobre a remessa de rendimentos de multinacionais
do setor para o exterior. Além disso, o Gedic pretende taxar entre
2% e 4% o rendimento bruto das redes de televisão. Segundo os executivos
da TV paga, isso aumentaria de tal forma os custos do negócio que
ele poderia ser inviabilizado no país. Outra novidade é
que os bancos criariam e administrariam fundos de investimento batizados
de Funcines, para fornecer empréstimos a cineastas e distribuidores.
Finalmente, quer-se dar um jeitinho para estender até 2006 os benefícios
generosos da Lei do Audiovisual, previstos para ser extintos em 2003.
Tudo isso porque, segundo a turma do Gedic, o cinema é uma área
cultural estratégica, por servir de "espelho da identidade nacional".
Pura bobagem. A menos que se concorde que filmes como O Guarani,
de Norma Bengell, que teve parte de seu orçamento desviado para
os bolsos da diretora, espelhem uma certa propensão brasileira
para a malandragem.
|
É
UMA FESTA
27
milhões de reais foi o que as leis de incentivo fiscal
arrecadaram em 2000 para a área cinematográfica brasileira
250
milhões de reais por ano é o total que se estima
atingir com as novas medidas
Com
esse dinheiro, seria possível construir 3 000 bibliotecas
públicas
|
|
|
 |