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Com superexposição na TV,
Roseana dá salto nas pesquisa



Ana Araujo
Roseana: começando a empolgar o PFL


Na semana passada, a governadora do Maranhão, a pefelista Roseana Sarney, ganhou uma láurea política. Pesquisa nacional realizada entre 17 e 23 de agosto, com 2.000 pessoas, mostrou que Roseana tem 14,1% da preferência do eleitorado para a sucessão presidencial de 2002. Ficou em terceiro lugar, muito longe de Luis Inácio Lula da Silva, do PT, o líder absoluto, mas já mordendo os calcanhares de Ciro Gomes, do PPS. Aos 48 anos, filha do ex-presidente José Sarney, Roseana tem linhagem política e aparece entre os governadores mais bem avaliados do país. Mas seu desempenho vistoso na pesquisa tem pouco a ver com sua história e quase tudo a ver com seu presente. No dia 7 de agosto, Roseana estrelou a propaganda política do PFL em rede nacional numa inserção de trinta segundos. Não parou mais. Naquele mesmo dia, apareceu outras nove vezes, em quadros de trinta segundos. Depois, reapareceu dez vezes por dia em cinco dias alternados. No total, ficou trinta minutos no vídeo. Não deu outra: decolou nas pesquisas.

Foi o bastante para que o mundo político entrasse em polvorosa. "Os dados mostram que o PFL tem plenas condições de entrar no pleito de 2002", festejou o cacique do partido, senador Jorge Bornhausen, que até voltou a se animar com seu projeto de eleições primárias para escolha do candidato governista ao Palácio do Planalto. É claro que o salto de Roseana se deve a sua superexposição televisiva nas últimas semanas, mas nem por isso seu crescimento pode ser visto como uma bolha que estoura logo adiante. Mostra que parte do eleitorado, ao conhecê-la e ouvi-la, demonstra simpatia. O fato de ser mulher também pode representar um ponto positivo. A mesma pesquisa perguntou aos eleitores quem é mais honesto no exercício de um cargo público – se o homem ou a mulher. Sessenta por cento optaram pela mulher. "De fato, a Roseana não é bolha. Ela tem ressonância", diz Aloysio Nunes Ferreira, secretário-geral da Presidência, lembrando, com elegância, que, "embora o governo ainda não tenha escolhido o santo, já tem andor e muita gente para seguir a procissão".

Numa simulação em que não aparece o nome de Roseana Sarney, os candidatos que mais brilharam foram Ciro Gomes e o ministro da Saúde, José Serra, o mais bem cotado pré-candidato do PSDB. Ambos aumentaram seus músculos na mesma proporção. Na pesquisa do mês anterior, Ciro tinha 11,8% da preferência do eleitorado, contra 14,9% de agora. Serra, por sua vez, aparecia com 7,1% em julho e, na pesquisa atual, está com 10%. Há outro dado mostrando que a força de Roseana, embora repentina, pode ter alguma solidez. Na hipótese, também pesquisada, em que Serra e Roseana concorrem, os dois perdem um pouco de vitamina eleitoral devido à grande quantidade de candidatos, mas a governadora ganha do ministro: 11,2% contra 8,4%.

Toda pesquisa eleitoral é o retrato de um momento, e, como a eleição presidencial só ocorrerá dentro de treze meses, é certo que o quadro ainda sofrerá alterações substanciais. A pesquisa da semana passada traz um dado cabal sobre essa perspectiva. Nada menos que 66,1% dos entrevistados disseram que gostariam de votar num nome fora do cardápio que os pesquisadores lhes ofereceram. Parece que a esmagadora maioria ainda está procurando uma preferência. Como a eleição está longe, talvez os candidatos devessem prestar menos atenção a suas cotações para tentar entender o que o eleitor está querendo dizer com isso.


 
 
   
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