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E Jader disse
não, não e não
Senador
mente sobre o seu
envolvimento com o Banpará
e dá a prova para a cassação
O depoimento
que o senador Jader Barbalho prestou na semana passada produziu uma tremenda
novidade: o interrogado afirmou, por três vezes e diante de doze
senadores, que não se beneficiou do desfalque milionário
do Banpará. Não, não e não. É uma inovação
que um senador se atire de modo tão espetacular contra tantas evidências
documentais de que surrupiou dinheiro do banco público. Há
lista de cheques, datas de depósitos e saques, valores das operações
e relação de beneficiários tudo no papel,
com carimbo oficial, provando de forma acintosamente cabal que o senador
não apenas se beneficiou do desfalque como também foi o
principal favorecido. Mas a novidade maior é que Jader Barbalho
entregou aos senadores a munição que faltava para detonar
o processo de cassação de seu mandato: ele mentiu. Como
um senador só pode ser cassado por falta grave cometida no exercício
do mandato, e o rombo no Banpará é da década de 80,
o Conselho de Ética precisava descobrir alguma outra falta. Pelas
normas de conduta ética do Senado, a mentira é considerada
falta grave que rende cassação.
A mentira
de Jader só não teve a repercussão espalhafatosa
de outros casos de cassação devido a um privilégio.
Ele prestou o depoimento menos transparente dos últimos tempos.
É o único investigado pelo Conselho de Ética que
teve a prerrogativa de depor nos limites de seu gabinete, de não
se expor às câmaras de televisão, de impedir que seu
depoimento fosse gravado e, no fim de seu teatro, ainda quis revisar as
notas taquigráficas antes que fossem entregues aos senadores. Os
senadores têm a prerrogativa de revisar seus discursos antes que
sejam divulgados e Jader, marotamente, esqueceu-se de que sua peça
oratória não era discurso de parlamentar, mas interrogatório
de suspeito de corrupção. Todo esse zelo valeu a Jader um
desdobramento menos barulhento de sua mentira, mas em nada suavizou sua
situação. Ao contrário: dos doze senadores presentes,
todos saíram convencidos de que é preciso abrir um processo
de cassação de seu mandato, à exceção
do notório senador João Alberto, que se apegou à
defesa de Jader feito rã em cativeiro.
"Ele detonou todas as acusações. Não deixou nada
sem resposta", afirmou João Alberto, do PMDB do Maranhão.
Os outros onze senadores julgam que há indício para abrir
o processo de cassação. A senadora Heloísa Helena,
do PT de Alagoas, disse isso ao próprio Jader durante o depoimento.
"Não tenho dúvida de que o senhor se beneficiou da operação
fraudulenta de desvio de recursos", afirmou ela. Dos três senadores
encarregados de decidir se o processo será ou não aberto,
apenas João Alberto deverá votar pelo arquivamento. Romeu
Tuma, do PFL, e Jefferson Péres, do PDT, estão convencidos
de que o senador quebrou o decoro parlamentar e, por isso, deve ser processado.
A principal justificativa é a mentira. Para Jefferson Péres,
há ainda um outro motivo. Ele está convencido de que Jader
obstruiu as investigações. Como presidente do Senado, Jader
manteve na gaveta durante mais de três meses um requerimento pedindo
que o Banco Central enviasse ao Senado os relatórios de seu envolvimento
no caso Banpará. Péres diz que Jader, ao engavetar o papel,
agiu em benefício próprio. "É abuso de prerrogativa,
é quebra de decoro", argumenta o senador.
O depoimento
de Jader, além de piorar ainda mais sua situação,
tornou mais explícita a leveza de seu caráter. Quando o
senador Eduardo Suplicy, do PT, pediu explicações sobre
como conseguiu erguer um patrimônio de, pelo menos, 30 milhões
de reais em trinta anos dedicados exclusivamente à vida pública,
o senador respondeu com uma insinuação que era ao mesmo
tempo um insulto. "Acho que vai ser enfadonho explicar isso, porque não
tenho uma vida tão interessante quanto a do senhor, em todos os
sentidos", afirmou Jader. Há quatro meses, Suplicy separou-se de
sua mulher, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Recentemente,
Marta anunciou que está namorando um assessor do PT, Luis Favre,
que teria sido o motivo da separação.
Questionado
pelo senador Jefferson Péres sobre sua sociedade com o empresário
José Osmar Borges, acusado de ser o maior fraudador da Sudam, Jader
fez chacota. De novo, garantiu que o negócio foi declarado no imposto
de renda de sua empresa, a Fazenda Rio Branco. De novo, prometeu apresentar
a cópia do documento. De novo, não cumpriu a promessa no
dia, nem no dia seguinte. "Estranho que essa comissão tão
diligente, que já foi ao Rio de Janeiro ouvir um gerente de banco,
ainda não tenha pedido esse documento à Receita Federal",
ironizou. Há um mês, VEJA publicou o documento que Jader
insiste em não mostrar. A razão é simples: o negócio
não foi declarado, ao contrário do que Jader afirmou da
tribuna. Apresentar o documento significa comprovar mais uma mentira.
Como Jader não tem dois mandatos para perder, só uma mentira,
a do Banpará, já basta para mandá-lo de volta para
casa.
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Viva
Sabugi
Ana Araujo

O
deputado Efraim Morais, novo chefão do Congresso: "Eu me dou
bem com líderes" |
Na
semana passada, o Supremo Tribunal Federal decidiu quem deve presidir
o Congresso Nacional durante o exílio forçado do senador
Jader Barbalho. A função ficará com Efraim
Morais. Efraim quem? Às vésperas de completar 49 anos,
ele é deputado federal pela Paraíba, está no
exercício do terceiro mandato e foi por um triz que conseguiu
a honraria, ainda que provisória. A Justiça entendeu
que o cargo lhe cabia por ser o primeiro vice-presidente da Câmara,
posto a que chegou com uma vantagem magérrima, de apenas
3 votos, na eleição de fevereiro passado. Chegou lá
por ser um parlamentar bastante conhecido por seus pares. Entre
1997 e 2000, como membro da mesa da Câmara, Efraim Morais
administrou detalhes que não dizem nada à atividade
parlamentar, mas dizem muito ao bolso dos parlamentares, como a
manutenção dos apartamentos funcionais e o pagamento
do auxílio-moradia aos deputados. Dono de uma atuação
discretíssima, Efraim Morais nunca presidiu sequer uma comissão,
não tem projetos relevantes nem faz muitos discursos na tribuna.
"Nunca fui com freqüência ao Palácio do Planalto,
mas sempre me dei muito bem com os líderes do governo na
Câmara", diz o deputado. Graças a suas relações,
estará agora pelo menos até que Jader Barbalho
volte, se voltar no posto mais alto de sua carreira. Em 1990,
quando se elegeu deputado pela primeira vez, teve 30.300
votos. Na eleição seguinte, subiu para 34.600.
Na última, dobrou de tamanho, com quase 69.000
votos. Agora, com seu novo posto, a região do Sabugi, sua
base eleitoral na Paraíba, tem motivos para festejar.
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