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A saúde em um chip

Brasileiros usam implantes eletrônicos
para controlar ataques epiléticos
e curar surdez

 
Fotos Claudio Rossi

Calais Jesus e o aparelho para surdez: som metálico

Em sua forma mais grave, a epilepsia inferniza o cotidiano do doente. Causada por uma hiperatividade anormal do cérebro, pode provocar dezenas de ataques por dia, durante os quais há perda de consciência e convulsões. Até agora, a solução era medicamentos pesados e cirurgias para remover as lesões, que nem sempre dão resultado. Um equipamento eletrônico, chamado de Estimulador do Nervo Vago, pode ser a solução para casos crônicos, depois que todos os recursos falharam. O aparelho é formado por duas partes: um eletrodo conectado ao nervo, localizado no lado esquerdo interno do pescoço, e um chip de computador e uma bateria dentro de uma caixa de 4 centímetros, implantada sob a pele, logo acima da clavícula. Descargas imperceptíveis para o paciente, emitidas em intervalos regulares, controlam a atividade elétrica no cérebro e bloqueiam os ataques. "Eu chegava a ter dez ataques por dia e agora não tenho mais nenhum", diz a paulista Alessandra Beatriz do Carmo, de 30 anos, que recebeu o implante há dois meses. Além de Alessandra, outros três brasileiros usam o equipamento. Eles fazem parte de um programa de testes conduzido pelo médico Arthur Cukiert, do Hospital Brigadeiro, em São Paulo. Nos Estados Unidos e na Europa o chip, que custa 12.000 dólares, é usado há cinco anos por mais de 5.000 pacientes.

 

Na radiografia, o implante contra o ataque epilético: casos extremos

O aparelhinho da epilepsia é a novidade num ramo promissor da medicina, a dos implantes eletrônicos. O mais conhecido é o marcapasso, que regula o batimento cardíaco. Outro, o Implante Coclear, ajuda a recuperar até 80% da audição em casos de surdez total. Usado por 200 brasileiros, consiste de duas peças. Uma delas, dotada de receptor de sinais e eletrodos, é implantada sob a pele e dentro da cóclea, ou seja, no ouvido interno. A outra é formada por um conjunto de microfone, microcomputador e antena que capta os sons, digitaliza-os em sinais codificados e transmite para o aparelho interno. "O som é meio metalizado, mas é quase perfeito", conta o técnico em eletrônica Francisco de Calais Jesus, 41 anos, que perdeu a audição num acidente de carro, há dezesseis anos, e há dois recebeu o ouvido biônico. "O único problema é que sempre sou barrado nas portas de bancos por ter tanto metal em minha cabeça."

 

   
 
   
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