
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
O canudo que faz
a diferença
Globalização
leva a Universidade
Harvard a aceitar maior número
de estrangeiros no MBA
Luciana Barrichelo,
de Boston
AP

Alunos
comemoram a formatura: assédio de grandes empresas |
O Master
in Business Administration (MBA), o prestigiado curso de mestrado da Universidade
Harvard, está passando por uma pequena revolução
cujo objetivo é dar cor globalizada à sala de aula. O número
de alunos estrangeiros dobrou em sete anos, passando de 30% do total.
A presença de brasileiros segue esse crescimento. Dezenove vão
receber o canudo na turma que se forma em 2002, contra apenas cinco em
1997. O salto é significativo por se tratar de uma universidade
conhecida por acolher a nata da elite americana e pelo rigor na seleção
dos alunos estrangeiros. Cerca de 8 000 candidatos se inscrevem todo ano,
mas apenas 800 são chamados após um apurado processo de
seleção que inclui dois testes, análise do currículo
profissional e entrevista na qual os examinadores dão grande peso
à capacidade de liderança. "A nova ordem econômica
exigiu que passássemos a oferecer um curso mais globalizado de
MBA, e isso inclui a admissão de mais alunos estrangeiros", disse
a VEJA Howard Stevenson, diretor de relações externas da
Harvard Business School.
A abertura
para o exterior representa uma oportunidade a mais para os brasileiros
dispostos a encarar o desafio e os sacrifícios de
uma estada no campus de Boston, no nordeste dos Estados Unidos. O curso
dura dois anos e exige dedicação exclusiva. O custo é
elevado. Entre matrícula, livros, estada e alimentação,
não sai por menos de 130 000 dólares, o que faz muita gente,
sobretudo executivos em ascensão na carreira, desistir da empreitada.
Os que apostam dificilmente se arrependem. Um diploma da universidade
por onde passaram sete presidentes americanos e 38 prêmios Nobel
é meio caminho para o sucesso. "Harvard é uma universidade
de elite, tem mais charme, e quem se forma por lá comprovadamente
sai ganhando mais", resume Thomas Case, presidente da consultoria de recursos
humanos Catho. Em geral, quem volta ao Brasil com o canudo de MBA na bagagem
pode contar com fartura de ofertas de trabalho e melhores salários.
Manoel Amorim, presidente de um dos braços da Telefônica,
abandonou o emprego na Petrobras, vendeu o que tinha e embarcou para Harvard
com a mulher e os três filhos. Ao voltar, em 1990, pôde escolher
entre dezoito propostas de emprego. Entre as 500 maiores empresas americanas,
30% têm como presidente um ex-aluno de Harvard. A galeria de nomes
nacionais que passaram pela universidade americana inclui o ex-presidente
do Banco Central Gustavo Franco, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles,
e o economista Roberto Macedo.
Bia Parreiras

ÁLVARO
B. DE MELLO
O presidente da rede de hotéis Othon formou-se em 1954: saudades das
aulas com o economista John Kenneth Galbraith |
Raul Junior

MANOEL
AMORIM
Executivo da Telefônica largou tudo para fazer o MBA: ao receber o
canudo, tinha dezoito propostas de emprego |
A instituição,
fundada há 365 anos e com um orçamento anual de 2 bilhões
de dólares, admite estar rompendo uma tradição
mas acha que não há opção, visto que os negócios
são agora globais. A abertura, por enquanto, está restrita
ao MBA. Nos cursos de pós-graduação das outras oito
faculdades, o número de estrangeiros ainda é baixo
média de 17% dos alunos matriculados em 2000. A mudança
de rumo no MBA tem uma explicação simples. O método
de ensino é baseado no estudo de casos situações
de crise de uma empresa que o executivo-estudante é obrigado a
solucionar. São 700 casos por curso. Em tempos de globalização,
quanto maior a diversidade da turma, mais rico o debate. Essa é
uma característica que distingue Harvard dos outros concorridos
cursos de MBA, que mesclam o estudo de casos com teoria. Ex-alunos, como
Álvaro Bezerra de Mello, presidente da rede de hotéis Othon,
destacam a qualidade do corpo docente. Mello formou-se em economia em
1954 e até hoje relembra as aulas que teve com o canadense John
Kenneth Galbraith, uma lenda viva do pensamento econômico. Além
do canudo, o estudante leva uma vantagem extra. É a rede de ex-alunos
espalhados em 130 países, gente em posição de destaque
e sempre disposta a abrir portas a ex-colegas. A própria Harvard
Business School mantém escritórios para recolocação
profissional. "É a única universidade preocupada em manter
um ex-aluno bem empregado", diz Manoel Amorim, da Telefônica.
|
|
 |
|
 |

|
 |