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Islândia
na garagem
Com
o sucesso de Björk, o mundo
descobre a ilha repleta de bandas
de rock, DJs e diversão

Raul Juste
Lores
AP
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Björk, a cantora de roupas extravagantes:
10 milhões de discos vendidos |
É fácil entender por que Liverpool e Seattle se tornaram
cidades ícones da era do rock. Mas como explicar Reykjavik? Capital
da Islândia, uma ilha que toca o Círculo Polar Ártico,
passou a ser uma atração por causa da fartura de bandas
e cantores que surgem por lá. Com um território pouco maior
que o de Santa Catarina, a Islândia (o nome em islandês, Lydveldid,
significa terra do gelo) tem apenas 280.000 habitantes, pouco menos que
Florianópolis. Seria uma gelada completa a temperatura média
é de 5 graus se não fossem as piscinas aquecidas,
os vulcões em atividade e, claro, o rock. Tudo começou com
uma grande estrela, Björk. A cantora de visual extravagante já
vendeu 10 milhões de discos, virou atriz no filme Dançando
no Escuro, do diretor dinamarquês Lars von Trier, venceu o Festival
de Cannes e foi indicada para o Oscar. Seu último CD, Vespertine,
chega ao Brasil na semana que vem. O sucesso de Björk ajudou a chamar
a atenção para as centenas de músicos conterrâneos,
tão surpreendentes como ela própria.
A última grande contribuição islandesa à música
pop é a banda de rock Sigur Rós, que deve apresentar-se
no Brasil no próximo mês, depois de uma turnê na Europa
e nos Estados Unidos. Outros destaques são o grupo eletrônico
Gus Gus (formado por músicos e cineastas) e a cantora Emiliana
Torrini. Há mais de 200 bandas de rock na Islândia, o que
significa uma para cada 1.000 habitantes. DJ é uma profissão
em alta na ilha, visto a grande quantidade de bares e shows em Reykjavik.
Na platéia sempre se encontram executivos de grandes gravadoras,
como EMI e Warner, com o intuito de descobrir e contratar novos artistas.
O badalado inglês Damon Albarn, vocalista das bandas Blur e Gorillaz,
comprou até apartamento lá e ficou sócio de um bar
para acompanhar de perto o fenômeno.
Uma explicação para tanto rock é a seguinte: a Islândia
é rica e tediosa. O rock é um excelente passatempo nas garagens
durante o prolongado inverno. "A juventude tem muito dinheiro e é
sedenta de informações", diz o VJ da MTV Fabio Massari.
"Estão por dentro de tudo o que se faz em música, moda e
cinema no mundo." Dono de uma coleção de 6.000 discos de
rock, Massari é autor de Rumo à Estação
Islândia, livro em que conta os porquês do fenômeno
e faz um quem-é-quem da música islandesa. Independente da
Dinamarca desde 1944, a Islândia vive da exportação
de pescados e tem uma das maiores rendas per capita do mundo, de quase
30.000 dólares, ou oito vezes a brasileira. Reykjavik é
uma cidade cosmopolita, plugada na internet, mas é pequena o suficiente
para que todos os músicos conheçam uns aos outros. Com sua
profusão de barzinhos e bandas de rock de garagem ganhando as paradas
internacionais, a Islândia virou a meca turística para quem
gosta de música.
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