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Tesouro
encardido
Mergulhador procura peças
chinesas raras que afundaram no
século XVIII na Baía de Guanabara
Flávia
Varella
Selmy Yassuda
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elmy Yas

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| Albanèse
em frente ao local de busca: "Impossível não achar" |
Exemplar único de vidro chinês
da época: museus interessados até em caco |
Quando
a nau Rainha dos Anjos explodiu, labaredas enormes subiram ao céu,
o deslocamento do ar quebrou as janelas do Mosteiro de São Bento,
a proa do navio voou para um lado e a popa, para outro, até submergirem
na Baía de Guanabara. Os sinos badalaram e toda a cidade do Rio
de Janeiro comentou o triste espetáculo provocado por uma vela
acesa esquecida no interior do barco. Isso foi em junho de 1722. Durante
os quase três séculos seguintes, o desastre ficou esquecido.
Há pouco mais de dez anos, o explorador de naufrágios Denis
Albanèse e o almirante Max Justo Guedes começaram a pesquisar
a história da Rainha dos Anjos. O projeto de resgatar seus
destroços, porém, só ganhou forma quando uma historiadora
americana especializada em arte chinesa antiga, Emily Curtis, contou a
Albanèse o que havia descoberto em suas pesquisas: a carga do navio
incluía mais de uma centena de objetos de vidro do período
Kangxi (1661-1722), do qual hoje sobrou uma única peça,
exposta no Museu Imperial chinês. A busca do raro tesouro perdido
já começou.
"A
Rainha dos Anjos tem a carga mais preciosa de todos os naufrágios
da costa brasileira", afirma o almirante Guedes, diretor de Patrimônio
Histórico e Cultural da Marinha, responsável pelo endosso
oficial ao projeto. O primeiro passo para resgatá-la é identificar
o local exato em que o navio afundou. Com a análise de livros,
documentos, cartas náuticas e até quadros do século
XVIII que retratavam o cais do porto, Albanèse concluiu que ele
está a não mais de 1,5 quilômetro da costa, próximo
do Aeroporto Santos Dumont e da Ilha Fiscal (veja
mapa).
Essa área está sendo rastreada com sonares que identificam
o relevo do fundo do mar e a presença de peças de ferro.
"É impossível não encontrar", diz o mergulhador,
com a experiência de mais de vinte expedições do gênero.
Embora a nau tenha explodido em pedaços, Albanèse acredita
que achará peças inteiras sob o fundo lamacento da Baía
de Guanabara. Os chineses embalavam os objetos com várias camadas
sobrepostas de argila fresca e palha de arroz, além da caixa de
madeira. "Mesmo que se localizem apenas pedaços, todo museu vai
querer ter seu caco", diz a historiadora Emily. Antes da busca dos vidros
preciosos, porém, Albanèse precisa encontrar patrocinadores
para a empreitada submarina, estimada em 3,5 milhões de reais.
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