Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 716 - 5 de setembro de 2001
Brasil Especial

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
 

A pior semana de Silvio Santos
A prisão de Luiz Estevão
Jader Barbalho se complica outra vez
Roseana sobe nas pesquisas
Governo quer dar mais dinheiro aos cineastas
Lalau perde apartamento de Miami

Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Contexto
Veja essa
Arc
Hipertexto
VEJA on-line
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Drama em reprise

Os mesmos personagens e
um novo pesadelo na casa
do apresentador Silvio Santos

 

Imagem TV Band

A mulher e as filhas de Silvio deixam a casa: o seqüestrador estava na sala de ginástica


Veja também
A ousadia do bandido
O tiroteio no hotel de Alphaville

Num momento de alta voltagem, enquanto um seqüestrador mantinha duas armas apontadas para ele, na cozinha de sua mansão no bairro paulistano do Morumbi, o apresentador de televisão Silvio Santos manteve a calma e a capacidade de agir sob grande pressão. Conduziu as negociações com o seqüestrador, chamou o governador de São Paulo até sua casa, ofereceu café ao bandido para acalmá-lo. Terminado o seqüestro, ninguém saiu ferido, o seqüestrador foi embora para a cadeia com roupas emprestadas por Silvio e o dono do SBT apareceu para as câmaras na frente da mansão. Parecia calmo. Estava penteado e bem vestido. Sorriu algumas vezes, acenou. Seu show de vida real foi uma coisa espantosa, algo que nunca se viu na televisão brasileira.

De camiseta, bermuda e tênis, Silvio Santos encontrou-se com o bandido numa área interna de sua casa, perto das 6 e meia da manhã, quando ia para a sala de ginástica. O rapaz estava armado e vestia roupas escuras de malha. Falaram pouco e baixo, enquanto completavam o percurso até a miniacademia que Silvio montou numa das salas do subsolo. Tão baixo que não acordaram a mulher do apresentador, Íris, nem as quatro filhas do casal. Todas dormiam. Os empregados também não ouviram nada de estranho. Foi apenas mais de meia hora depois que se deram conta de que a família estava novamente vivendo uma situação de violência. Patrícia, a filha libertada de um seqüestro havia apenas dois dias, apareceu na varanda de seu quarto justamente quando chegava ao local o major Luís Serpa, um amigo de Íris acionado por telefone pelo porteiro da residência, José Ramos da Silva. "Há um homem aí dentro", Serpa avisou, conseguindo levá-la até a guarita, diante da casa. Dois policiais que o major chamara pelo rádio já estavam no jardim e podiam ver, através dos vidros da sala de ginástica, que Silvio era mantido refém por um rapaz que tinha uma arma em cada mão – um revólver calibre 38 e uma pistola 380 – e se escondia no meio de alguns equipamentos. Serpa foi até lá, certificou-se de que o empresário estava bem e voltou para a casa, chamando Íris e suas filhas para retirá-las de lá. Juntas, elas deixaram a casa ainda com roupas de dormir. A esta altura, já havia muitos carros de polícia diante da casa, mais fotógrafos e repórteres.

 
Clique na imagem para ampliá-la
Rubens Chiri/Perspectiva/AE
Robson Fernadjes/AE

PLANO, ALGOZES E VÍTIMA
Os itens que o bandido não queria esquecer; seu irmão Esdras e o cúmplice Marcelo, presos, e Patrícia depois do seqüestro: "Eu os perdôo"

O pesadelo do seqüestro voltara a abater-se sobre a família Abravanel na quinta-feira passada. O homem que invadira a casa era o líder da quadrilha que levara Patrícia na semana anterior. Começou ali uma negociação que mobilizaria a atenção do país nas sete horas seguintes. Nos primeiros momentos das conversas com Serpa mais um capitão e um tenente, o bandido disse a Silvio que tinha fome. O apresentador avisou aos policiais que eles queriam comida e ambos se transferiram para a cozinha, no pavimento superior, seguindo pelo interior da casa. Os policiais postaram-se diante da porta desse cômodo. Todas as conversas passaram a acontecer por uma fresta nessa porta. Desde o começo, era o apresentador quem falava pelo seqüestrador, conduzindo a negociação. No momento mais dramático, quando o invasor exigiu a presença do governador para se render, Silvio disse como sentia a situação. "Vai acontecer uma tragédia", avisou. "Ele vai me matar se o governador não vier."

Não havia dúvida de que o pior poderia acontecer. Fernando Dutra Pinto, de 22 anos, estava apenas arrematando uma das mais ousadas histórias de seqüestro já vistas no Brasil. Nas cinqüenta horas anteriores, desde que libertara a garota, ele deixara de ser um seqüestrador amador, como o classificara a polícia, para se transformar num caso único. Primeiro, na noite da quarta-feira, ao ser surpreendido por policiais no flat L'Etoile, em Alphaville, na Grande São Paulo, conseguiu reagir a tiros, matando dois dos investigadores que tentavam capturá-lo, Tamotsu Tamaki e Marcos Amorim Bezerra, e ferindo no ombro o terceiro, Reginaldo Guatura Nardis. Depois, na fuga desse local, optou por escorregar entre paredes, pelo lado de fora do prédio, por nove andares. Apoiou os pés numa parede, as costas na outra, segurando-se nas esquadrias das janelas durante a descida. Se tivesse usado o elevador ou as escadas, teria encontrado outros três policiais que participavam da tocaia no hotel. Por algumas horas, foi perseguido por estradas entre subúrbios da região metropolitana, numa ação desesperada em que roubou pelo menos quatro carros. Tinha uma bala alojada nas nádegas, resultado da troca de tiros no hotel, e sangrava bastante, pelo que se via no rastro que deixou na fachada do prédio. Mesmo assim, acabou desaparecendo. No dia seguinte, preso, daria um rápido depoimento contando que passou a noite num terreno baldio, a pouca distância da casa de Silvio Santos.

Se o bandido se revelou imprevisível e ousado, a polícia paulista não deu nesse caso nenhum exemplo de eficiência. Na madrugada da terça-feira, logo depois que Silvio pagou o resgate e Patrícia foi solta, um dos seqüestradores acabou preso em Cotia, município da região metropolitana. Investigação? Não. Curiosidade e coincidência. Três integrantes da guarda metropolitana da cidade estranharam uma marca de cal que saía de uma rodovia e seguia por uma estrada vicinal ao longo de 4 quilômetros. No fim da trilha, os policiais de Cotia foram alvejados por Marcelo Batista dos Santos, de 27 anos, que se escondia num matagal. Aquele era um dos lugares preparados para o pagamento do resgate, que acabou acontecendo em outro local. O bandido acabou preso e passou à polícia informações que levariam à prisão de Esdras Dutra Pinto, de 19 anos, irmão de Fernando ­ e os dois contaram como a ação foi planejada e executada. Fernando, cérebro do grupo, preparou o seqüestro por três meses. Tinha lido a biografia de Silvio, alugou uma casa com a namorada, Jenifer, para usar como cativeiro, escreveu a lista de itens que deveria checar durante a tomada da refém na casa do empresário. Não se sabe ainda se seu alvo inicial era Patrícia, mas a capturou naquele dia exatamente no momento em que ela entrava na garagem, para pegar o carro e seguir para a faculdade. Até a sexta-feira a polícia não tinha pistas sobre Jenifer.

 

 
Saiba mais
Drama em reprise
Um brasileiro tranqüilo
O seqüestrador: de religioso a bandido
Seqüestros: a vítima pode ser você
Entrevista: Massataka Ota

 

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS