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Drama
em reprise
Os mesmos
personagens e
um novo pesadelo na casa
do apresentador Silvio Santos
Imagem TV Band

A mulher
e as filhas de Silvio deixam a casa: o seqüestrador estava na
sala de ginástica |

Veja também |
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Num momento
de alta voltagem, enquanto um seqüestrador mantinha duas armas apontadas
para ele, na cozinha de sua mansão no bairro paulistano do Morumbi,
o apresentador de televisão Silvio Santos manteve a calma e a capacidade
de agir sob grande pressão. Conduziu as negociações
com o seqüestrador, chamou o governador de São Paulo até
sua casa, ofereceu café ao bandido para acalmá-lo. Terminado
o seqüestro, ninguém saiu ferido, o seqüestrador foi
embora para a cadeia com roupas emprestadas por Silvio e o dono do SBT
apareceu para as câmaras na frente da mansão. Parecia calmo.
Estava penteado e bem vestido. Sorriu algumas vezes, acenou. Seu show
de vida real foi uma coisa espantosa, algo que nunca se viu na televisão
brasileira.
De camiseta,
bermuda e tênis, Silvio Santos encontrou-se com o bandido numa área
interna de sua casa, perto das 6 e meia da manhã, quando ia para
a sala de ginástica. O rapaz estava armado e vestia roupas escuras
de malha. Falaram pouco e baixo, enquanto completavam o percurso até
a miniacademia que Silvio montou numa das salas do subsolo. Tão
baixo que não acordaram a mulher do apresentador, Íris,
nem as quatro filhas do casal. Todas dormiam. Os empregados também
não ouviram nada de estranho. Foi apenas mais de meia hora depois
que se deram conta de que a família estava novamente vivendo uma
situação de violência. Patrícia, a filha libertada
de um seqüestro havia apenas dois dias, apareceu na varanda de seu
quarto justamente quando chegava ao local o major Luís Serpa, um
amigo de Íris acionado por telefone pelo porteiro da residência,
José Ramos da Silva. "Há um homem aí dentro", Serpa
avisou, conseguindo levá-la até a guarita, diante da casa.
Dois policiais que o major chamara pelo rádio já estavam
no jardim e podiam ver, através dos vidros da sala de ginástica,
que Silvio era mantido refém por um rapaz que tinha uma arma em
cada mão um revólver calibre 38 e uma pistola 380
e se escondia no meio de alguns equipamentos. Serpa foi até
lá, certificou-se de que o empresário estava bem e voltou
para a casa, chamando Íris e suas filhas para retirá-las
de lá. Juntas, elas deixaram a casa ainda com roupas de dormir.
A esta altura, já havia muitos carros de polícia diante
da casa, mais fotógrafos e repórteres.
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Rubens Chiri/Perspectiva/AE
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Robson Fernadjes/AE

PLANO,
ALGOZES E VÍTIMA
Os itens que o bandido não queria esquecer; seu irmão
Esdras e o cúmplice Marcelo, presos, e Patrícia depois
do seqüestro: "Eu os perdôo" |
O pesadelo
do seqüestro voltara a abater-se sobre a família Abravanel
na quinta-feira passada. O homem que invadira a casa era o líder
da quadrilha que levara Patrícia na semana anterior. Começou
ali uma negociação que mobilizaria a atenção
do país nas sete horas seguintes. Nos primeiros momentos das conversas
com Serpa mais um capitão e um tenente, o bandido disse a Silvio
que tinha fome. O apresentador avisou aos policiais que eles queriam comida
e ambos se transferiram para a cozinha, no pavimento superior, seguindo
pelo interior da casa. Os policiais postaram-se diante da porta desse
cômodo. Todas as conversas passaram a acontecer por uma fresta nessa
porta. Desde o começo, era o apresentador quem falava pelo seqüestrador,
conduzindo a negociação. No momento mais dramático,
quando o invasor exigiu a presença do governador para se render,
Silvio disse como sentia a situação. "Vai acontecer uma
tragédia", avisou. "Ele vai me matar se o governador não
vier."
Não
havia dúvida de que o pior poderia acontecer. Fernando Dutra Pinto,
de 22 anos, estava apenas arrematando uma das mais ousadas histórias
de seqüestro já vistas no Brasil. Nas cinqüenta horas
anteriores, desde que libertara a garota, ele deixara de ser um seqüestrador
amador, como o classificara a polícia, para se transformar num
caso único. Primeiro, na noite da quarta-feira, ao ser surpreendido
por policiais no flat L'Etoile, em Alphaville, na Grande São Paulo,
conseguiu reagir a tiros, matando dois dos investigadores que tentavam
capturá-lo, Tamotsu Tamaki e Marcos Amorim Bezerra, e ferindo no
ombro o terceiro, Reginaldo Guatura Nardis. Depois, na fuga desse local,
optou por escorregar entre paredes, pelo lado de fora do prédio,
por nove andares. Apoiou os pés numa parede, as costas na outra,
segurando-se nas esquadrias das janelas durante a descida. Se tivesse
usado o elevador ou as escadas, teria encontrado outros três policiais
que participavam da tocaia no hotel. Por algumas horas, foi perseguido
por estradas entre subúrbios da região metropolitana, numa
ação desesperada em que roubou pelo menos quatro carros.
Tinha uma bala alojada nas nádegas, resultado da troca de tiros
no hotel, e sangrava bastante, pelo que se via no rastro que deixou na
fachada do prédio. Mesmo assim, acabou desaparecendo. No dia seguinte,
preso, daria um rápido depoimento contando que passou a noite num
terreno baldio, a pouca distância da casa de Silvio Santos.
Se o bandido
se revelou imprevisível e ousado, a polícia paulista não
deu nesse caso nenhum exemplo de eficiência. Na madrugada da terça-feira,
logo depois que Silvio pagou o resgate e Patrícia foi solta, um
dos seqüestradores acabou preso em Cotia, município da região
metropolitana. Investigação? Não. Curiosidade e coincidência.
Três integrantes da guarda metropolitana da cidade estranharam uma
marca de cal que saía de uma rodovia e seguia por uma estrada vicinal
ao longo de 4 quilômetros. No fim da trilha, os policiais de Cotia
foram alvejados por Marcelo Batista dos Santos, de 27 anos, que se escondia
num matagal. Aquele era um dos lugares preparados para o pagamento do
resgate, que acabou acontecendo em outro local. O bandido acabou preso
e passou à polícia informações que levariam
à prisão de Esdras Dutra Pinto, de 19 anos, irmão
de Fernando e os dois contaram como a ação foi planejada
e executada. Fernando, cérebro do grupo, preparou o seqüestro
por três meses. Tinha lido a biografia de Silvio, alugou uma casa
com a namorada, Jenifer, para usar como cativeiro, escreveu a lista de
itens que deveria checar durante a tomada da refém na casa do empresário.
Não se sabe ainda se seu alvo inicial era Patrícia, mas
a capturou naquele dia exatamente no momento em que ela entrava na garagem,
para pegar o carro e seguir para a faculdade. Até a sexta-feira
a polícia não tinha pistas sobre Jenifer.

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