|
InglaterraDegrau acimaBlair promove ministro que criticou Lula Duas semanas atrás, Luís Inácio Lula da Silva enviou uma carta a Tony Blair pedindo ao primeiro-ministro da Inglaterra uma reprimenda em Peter Mandelson porque, em visita ao Brasil, o ministro inglês chamou suas idéias de "retrógradas". Na segunda-feira passada, ocorreu exatamente o contrário. Mandelson ganhou uma belíssima promoção: de ministro sem Pasta pulou para o Ministério de Comércio e Indústria. Uma coisa não é conseqüência da outra, visto que o governo inglês simplesmente arquivou sem comentários as reclamações de Lula. A coincidência, porém, fez a bronca petista ficar ainda mais exótica do que já era. Na primeira reforma ministerial em quinze meses de governo, Blair trocou quatro ministros, mas manteve seus homens-chave. A maior mudança foi mesmo a ascensão de Mandelson, principal estrategista e confidente do primeiro-ministro, a um ministério do primeiro time. Em Brasília, duas semanas atrás, Mandelson jantou com o presidente Fernando Henrique Cardoso e se derreteu em elogios a seu governo. O PT ficou irritado porque esperava receber algum tipo de apoio da social-democracia inglesa. Quando Blair chegou ao poder, o partido de Lula festejou como se ele fosse sua propriedade privada, um companheiro de viagem, defensor das mesmas idéias socialistas que estão gravadas na bandeira vermelha do PT. Lideranças do PT, como José Dirceu, citavam Blair a todo momento para mostrar como a esquerda, tanto aqui quanto na Europa, estava em ascensão. Há tempos os petistas vinham tentando um encontro entre Lula e o primeiro-ministro inglês. A ironia é que, dez anos atrás, o PT rejeitou a idéia de se integrar à Internacional Socialista, o clube dos partidos social-democratas, para não ser confundido com o reformismo róseo de políticos como Tony Blair.
|