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precisam se vestir assim? Entre muçulmanos,
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Amr Nabil/AP![]() |
Calor de mais de 40 graus e o único alívio é entrar no mar vestida como a mulher ao lado, na praia da cidade egípcia de Alexandria. O traje usado pelas muçulmanas tradicionais segue escala em três graus de rigor. No grau um, é chamado de hijab. Consiste em alguma espécie de túnica que atenue as formas do corpo e no lenço na cabeça. O dois é o niqab. Como na foto, inclui o véu sobre o rosto, com uma abertura para os olhos. Nos países mais ortodoxos, como a Arábia Saudita, o véu semiopaco encobre o rosto inteiro. A burca, uma peça única que vai da cabeça aos pés, usada no Afeganistão e adjacências, é o grau mais extremo. Encobrir as mulheres, prática evidentemente não exclusiva do Islã, é mandamento ditado pelo Corão. Como em outros textos sagrados, a linguagem, datada de mais de 1 400 anos, dá margem a diferentes interpretações. A "surata da modéstia" conclama as fiéis a "não revelar nenhuma parte de seu corpo exceto aquela que for necessária" quando diante de homens que não sejam parentes ou servos cujo desejo sexual tenha sido neutralizado, esta uma categoria em falta desde que os eunucos sumiram do mercado de trabalho. Num mundo ideal, haveria espaço para que o imperativo religioso fosse suficientemente fluido, preservando-se a essência do Islã a entrega a Deus, Indulgente e Misericordioso, não controlador de mechas de cabelo. No mundo em que vivemos, nada é tão distante do ideal quanto o Sudão, onde a colunista Lubna Ahmed al-Hussein foi condenada a quarenta chibatadas por usar calças compridas (folgadas, com lenço na cabeça). Lubna resolveu desafiar a proibição fundamentalista, e a sentença final sai nesta terça-feira. Deus esteja com ela.