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O PMDB e o fisiologismo "O grandioso e paradoxal PMDB é hoje uma imunda geleia
geral
da corrupção endêmica, do clientelismo, do fisiologismo
adesista e de todos os males possíveis e impossíveis da
vida pública brasileira." Corajosa e brilhante a reportagem "A digestão do poder"
(29 de julho), a respeito da voracidade do PMDB por cargos que lhe permitam
todo tipo de lesão ao Brasil e aos brasileiros. Até hoje eu não
tinha lido um diagnóstico tão preciso das práticas desse
partido, das razões para a sua sustentação e permanência,
apesar de todos os malefícios que já causou ao país. VEJA está de parabéns por inovar em seu artigo de
capa desta semana. Abordar o fisiologismo do PMDB produziu informações
que deixam patente a necessidade de mudar o quadro, para que a politicagem nefasta
dê lugar a partidos de maior compromisso com os destinos da nação,
não com o interesse de seus membros e de pessoas a eles ligadas.
Deputado federal constituinte pelo PMDB e filiado desde 1976 ao
MDB da Paraíba, certa feita, irritado com as brigas entre o PFL e o PMDB
pela indicação dos chefes do Funrural nos municípios e
com a indefinição do presidente Sarney sobre as nomeações,
fui ao gabinete do doutor Ulysses e, somente eu e ele, perguntei-lhe, de chofre:
"Doutor Ulysses, o senhor tem 305 deputados do partido na Câmara,
por que o senhor não rompe com o governo?". Ele olhou nos meus olhos
e disse: "Meu filho, se eu fizer isso, mais da metade fica com o governo".
Passados alguns dias, tive uma audiência com o presidente Sarney e lhe
perguntei, também de chofre: "Presidente, por que o senhor não
governa com o PMDB?". Ele não titubeou: "João, eu fui
da UDN, da Arena e do PDS. Em toda a minha vida pública fiz amigos nesses
partidos e não posso governar com quem não conheço ou não
confio". Conclusão: o fisiologismo do PMDB e não me
refiro ao PMDB de Ulysses, Waldir Pires, Mario Covas e tantos outros que construíram
a legenda vem de priscas eras. Após ler a reportagem de capa da edição 2 123,
e analisando a biografia dos principais líderes do PMDB, cheguei à
conclusão de que na política brasileira trocamos a ditadura militar
por uma corja de bandidos. Ver um partido que lutou no passado para conquistar a liberdade
política e a democracia se vender hoje para quem der mais é desanimador.
Já vimos políticos se venderem, mas um partido inteiro é
a primeira vez. O PMDB foi um verdadeiro partido da oposição, que
infelizmente sucumbiu à sedução dos prazeres da corrupção
e aos escândalos. Lamentavelmente, o Brasil e todos nós perdemos
com essa exposição de descalabros e escândalos morais. Já era hora de VEJA denunciar o marasmo ético em
que se transformou o antigo arauto da resistência contra a ditadura militar,
que foi o PMDB. Merecem admiração os remanescentes honrados das
antigas lideranças, como Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon, por terem
estômago de ainda permanecer nas suas fileiras e resistirem ao fisiologismo
escancarado da sua imensa maioria. O grande senador Jarbas Vasconcelos não deveria estar mais
no PMDB. Sempre votei em Jarbas, em todas as eleições de que ele
participou. Não votarei mais nele se continuar nessa legenda podre. Ele
não pertence a isso. Brilhante a capa de VEJA, porém a hiena seria um símbolo
mais apropriado ao PMDB. Com relação à reportagem "O PMDB e seu
bocado no governo federal" (29 de julho), apresento meu mais veemente protesto
contra a inclusão de meu nome como indicado por partido político
à função que ora ocupo. Não tenho relação
com políticos de partido algum, o que inclui o PMDB. Tenho uma longa
carreira na Receita Federal e participo de alguma função de gerência
desde 1992. Trabalho há 25 anos no órgão e exerci minhas
atividades nos maiores portos, aeroportos e pontos de fronteira do país.
Ademais, eu já era integrante da equipe de chefia dessa unidade quando
da aposentadoria da inspetora anterior, em 2004, e minha ascensão à
função ocorreu de forma natural. O PMDB tem quatro principais reparos a fazer na reportagem publicada
por VEJA: 1) O PMDB tem identidade e espinha dorsal bem definidas. Seu compromisso
com a liberdade democrática e com os avanços sociais é
inarredável e público, o que está devidamente inscrito
no programa partidário. O PMDB estava em linha com seu programa partidário
quando apoiou a eleição de Tancredo Neves e o governo de José
Sarney. Foi assim que o Brasil conquistou a democracia; quando apoiou o governo
Itamar Franco, expoente do partido. Foi assim que o Brasil conquistou o Plano
Real, um notável avanço social. Quando apoiou o governo de Fernando
Henrique Cardoso. Foi assim que o Brasil iniciou o processo de estabilização
econômica. E o PMDB está em linha uma vez mais com seu programa
partidário ao apoiar o governo do presidente Lula, autor do maior projeto
de distribuição de renda do mundo. 2) Os cargos públicos
são apenas consequência de ideais convergentes. Neste exato momento,
o partido administra 1 201 prefeituras e nove governos estaduais. No Poder
Legislativo, sua bancada conta com 8 500 vereadores, 172 deputados estaduais,
95 deputados federais e dezenove senadores. 3) É difícil pensar
em algo mais injusto do que montar um quadro intitulado "O PMDB e seu bocado
no governo federal". Nenhum ministro de estado, seja do PMDB, seja de qualquer
outro partido, toma decisões com a liberdade que a revista sugere no
material publicado. 4) Caciques são a expressão do atraso. O PMDB
se alimenta da força de seus 2 milhões de filiados e do apoio
de seus eleitores. Sem votos não haveria PMDB. No pleito de 2006, o partido
obteve 16,8 milhões de votos para governador. Em 2008, foram 18,5 milhões
de votos para prefeito. São números que falam por si. Esclareço que o diálogo entre mim e o meu irmão,
reproduzido em VEJA, retrata informação relativa à investigação
de ilícitos cometidos na gestão do ex-governador do Maranhão.
As anotações de próprio punho do contador de Aderson Lago,
ex-secretário de governo de Jackson Lago, revelam que o valor depositado
em conta do filho dele resulta no montante de 900.000 reais, e não 5
milhões, como havia sido informado pelo jornalista Sergio Macedo, por
mim referido no diálogo. Também afirmo que, independentemente
do valor dos desvios, deveríamos denunciar o ilícito, como afinal
foi feito em reportagem, dias após o diálogo. Afirmo ainda na
conversa que o "negócio é quente", no sentido de que
a denúncia era real e tinha provas. Aderson Lago utilizou notas fiscais
frias, da empresa-fantasma PR Cardoso, para sacar os aludidos recursos da prefeitura
de Caxias. Essas são as notas frias referidas no diálogo. Faço
prova do afirmado acima por intermédio dos documentos que seguem anexos.
1 Alguns exemplares de notas fiscais, expedidas por empresa-fantasma,
para dar cobertura a desvio de recursos repassados pelo governo do estado à
prefeitura de Caxias; 2 Anotações do contador de Aderson
Lago, informando que o depósito em conta foi ("+ R$ 900 mil"),
sendo o restante do desvio de recursos pago em "cash"; 3 Rosto
da conta bancária que recebeu depósito ilegal, com anotação
de próprio punho de Aderson Lago, registrando o recebimento de "R$
963.931,50"; 4 Reportagem apresentando a denúncia do desvio
de recursos aludido no diálogo. Com relação à reportagem "A digestão
do poder", publicada na edição 2 123, venho informar
que houve um equívoco de VEJA ao citar o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT)
como parlamentar que "responde a processo no Supremo por peculato e corrupção".
A informação precisa ser reparada, porque nem sequer houve processo
em julgado. Na verdade, foi instaurado inquérito perante a Justiça
Federal de Mato Grosso, para apurar crimes que teriam sido cometidos no caso
conhecido como "sanguessugas" e seus possíveis autores. O inquérito
policial foi remetido à Procuradoria-Geral da República, sendo
que o procurador Antônio Fernando Barros e Silva de Souza, após
análise e pesquisa, concluiu que o deputado Carlos Bezerra não
cometeu crime de nenhuma natureza, já que inexistem nos autos da investigação
criminal elementos que justifiquem o oferecimento da denúncia. E por
não configurar o seu comportamento ilícito penal, mediante decisão
fundamentada, e por absoluta falta de provas, pediu a exclusão do deputado
Carlos Bezerra do referido inquérito. Assim, o inquérito foi encaminhado
à então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen
Gracie, que, acolhendo o substancioso parecer do procurador da República,
excluiu o deputado Carlos Bezerra do inquérito policial, e, por conseguinte,
não foi instaurado contra ele ação penal de nenhuma natureza,
determinando-se pelo seu arquivamento. Trecho do parecer do Procurador-Geral
da República, que orientou a decisão do STF: "Após
a devida análise do material angariado, posso concluir que os elementos
de convicção colhidos no curso da apuração não
são suficientes para formulação de imputação
criminal contra o deputado federal Carlos Gomes Bezerra". Gilberto Mestrinho Sobre a nota publicada em Datas (29 de julho) acerca da morte
de Gilberto Mestrinho, digo que ele foi, além de político, um
homem de vanguarda, com ideias e pensamentos transcendentes à sua época.
Ainda na década de 80, tempo em que se preconizava com demagogia a preservação
da Amazônia através da sua blindagem e intocabilidade, ele já
difundia com entusiasmo, além de nossas fronteiras, suas teses acerca
do desenvolvimento sustentável da região. Incompreendido, foi
alvo de intolerância e preconceito, decorrentes da falta de informação
naquele cenário. Na década seguinte, com a racionalização
do tema, seu discurso passou a ser aceito e assimilado até pelos mais
radicais; o que antes definiam como "desmatamento" passou a ser chamado
de "manejo sustentável". Apaixonado pelo estado do Amazonas,
sempre visualizou o progresso através do aproveitamento racional da potência
de seus recursos naturais. Não foi ecologista, foi um amazônida,
conhecedor profundo do universo amazônico. Foi ainda por três vezes
consecutivas presidente da comissão de orçamento, sem nenhuma
mácula em sua atuação. Radar Não procede a informação de que uma empresa
alemã teria oferecido ao Brasil "um negócio semelhante"
ao acordo assinado com a França para desenvolver o submarino brasileiro
com propulsão nuclear, e ainda por custo inferior (Radar, 29 de julho).
A Alemanha não poderia fazer tal proposta, pois não fabrica submarinos
nucleares, e propôs apenas a continuidade da construção
de submarinos convencionais, com duas novas unidades. No acordo com a França
está prevista a fabricação no Brasil de quatro submarinos
convencionais, com a transferência, durante esse processo, das tecnologias
não nucleares necessárias à construção do
quinto submarino, com propulsão nuclear desenvolvida pela Marinha do
Brasil. Outlet A reportagem "Viajar é carregar sacolas" (15
de julho) informou que o primeiro outlet multimarcas da América Latina
foi inaugurado no Brasil há três semanas, quando a própria
Premium tem aberto na Cidade do México, desde 2006, um outlet enorme:
http://www.premiumoutlets.com.mx/center/.
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