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VEJA Recomenda DVDs
Um a Menos (The Minus Man, Estados Unidos,
1999. Califórnia) Educado, cordial e perfeitamente comum, Vann é
o tipo de rapaz de quem qualquer um aceitaria uma carona. E este é o seu
método: atrair desconhecidos com sua aparência inofensiva, explorar
suas vulnerabilidades e então matá-los "com o mínimo
possível de violência", explica. Interpretado com todas as notas
certas por Owen Wilson, bem antes que ele se tornasse famoso, Vann é um
enigma. Mas desvendá-lo não é o propósito dessa estréia
na direção de Hampton Fancher, o roteirista de Blade Runner.
Antes, o veterano Fancher prefere acompanhá-lo e observá-lo, como
única forma possível de ganhar alguma compreensão do funcionamento
aleatório da mente de um psicopata. Querida
Wendy (Dear Wendy, Dinamarca/Inglaterra, 2005. Califórnia)
De todos os filmes do movimento dinamarquês Dogma, Thomas Vinterberg fez
o melhor Festa de Família, de 1998. Desde então, o
diretor divide a crítica. Querida Wendy, escrito por seu amigo Lars
von Trier, pertence à categoria do ame-ou-odeie. Numa cidade americana
qualquer, alguns amigos formam um clube para reverenciar suas armas (a Wendy do
título é uma delas). Um dia, a senhora negra que criou o líder
do grupo diz que está com medo de sair para visitar sua sobrinha. Os jovens
decidem usar as armas para protegê-la, ao que se segue uma explosão
de violência. Visto com a ironia exigida pela dupla Vinterberg/Von Trier,
o filme é um brilhante exercício de humor negro. DISCOS
Divulgação
 |  | | Apollo
Nove: disco de estréia com ginga e talento | |
Res Inexplicata Volans, Apollo Nove (ST2)
O DJ e instrumentista paulistano Apollo Nove pertence àquela categoria
de artista de que ninguém ouviu falar mas cujo trabalho é quase
certamente conhecido. Ele colaborou em discos do pernambucano Otto, do grupo carioca
Planet Hemp e até da cantora brega-pop Wanessa Camargo. Res Inexplicata
Volans, seu primeiro disco-solo, deve ampliar seu time de admiradores. Apollo
trabalha com um quadro de músicos talentosos do baixista Dadi Carvalho,
da banda de Marisa Monte, à cantora Céu em doze faixas que
vão da psicodelia ao rock pesado. O resultado soa como um disco da dupla
francesa Air, com um pouco mais de ginga. Entre os vários destaques, a
faixa Inexplicata, com letra da cantora Rita Lee. John
Coltrane and Johnny Hartman (Universal) Em 1963, o saxofonista
americano John Coltrane já era uma lenda do jazz quando se empenhou num
projeto nobre: resgatar a carreira do cantor Johnny Hartman, que estava sem gravar
fazia cinco anos. O resultado é um disco dos mais saborosos. Coltrane e
seu trio (que, entre outros virtuoses, tinha o pianista McCoy Tyner) abrem mão
do excesso de improvisos e se limitam a "forrar" a voz empostada e charmosa de
Hartman. Suas versões para They Say It's Wonderful, de Irving Berlin,
e Lush Life, de Billy Strayhorn, são ideais para embalar um romance.
Não é à toa que Clint Eastwood, que conhece jazz como poucos,
pinçou quatro gravações de Hartman para a trilha de As
Pontes de Madison.
Divulgação
 |  | | João
Donato e Paulo Moura: amizade musical | |
Pano
pra Manga, João Donato e Paulo Moura (Biscoito Fino) Esse
disco é a celebração de uma amizade que dura cerca de cinco
décadas: o pianista João Donato e o clarinetista Paulo Moura eram
membros do Sinatra Farney Fã Clube, onde a juventude carioca antenada se
reunia para consumir as novidades do jazz americano. Pano pra Manga traz
sete releituras, sendo que as melhores são Minha Saudade, parceria
de Donato com João Gilberto, e That Old Black Magic, da dupla Harold
Arlen e Johnny Mercer. Outras faixas são inéditas e merecem uma
audição cuidadosa especialmente Pixinguinha no Arpoador,
em que os músicos brincam com os temas de clássicos como Carinhoso,
de Pixinguinha, e La Vie en Rose, de Marcel Louiguy e Edith Piaf. LIVROS
Cartas
de Viagem e Outras Crônicas, de Campos de Carvalho (José
Olympio; 126 páginas; 25 reais) Pouco lido em vida, o mineiro Walter
Campos de Carvalho (1916-1998) foi uma dessas figuras marginais da literatura
e que às vezes transformam a margem em um lugar mais interessante
do que o centro. Autor de livros irônicos como Vaca de Nariz Sutil, ele
praticamente abandonou a literatura depois de lançar O Púcaro
Búlgaro, em 1964. As cartas e crônicas contidas nesse pequeno
livro são suas últimas produções. As cartas são
uma narrativa delirante de suas andanças pela Europa. As crônicas,
publicadas em O Pasquim, incluem definições como "a bicicleta
é um boi volátil cujo epicentro se encontra sob o esfíncter
anal do pedalante". Leia
trechos. O
Pio da Coruja, de Carl Hiaasen (tradução de Maria Ignez
França; Companhia das Letras; 246 páginas; 33 reais) Conhecido
principalmente por Strip-Tease, que virou filme com Demi Moore, Carl Hiaasen
é o grande cronista da Flórida, que ele sabe retratar em toda a
sua despudorada breguice. A degradação ecológica do estado
americano é um de seus temas favoritos já foi explorado,
por exemplo, em A Ponte da Ilha do Sapo. Em O Pio da Coruja (destinado
aos leitores adolescentes), ele conta a divertida história de Roy Eberhardt,
um garoto que, recém-chegado a uma pequena cidade da Flórida, se
vê envolvido em uma campanha para salvar uma espécie ameaçada
de coruja cujo território está prestes a se transformar em estacionamento
para um restaurante de panquecas. Leia
trecho.
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