Edição 1963 . 5 de julho de 2006

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DVDs

Um a Menos (The Minus Man, Estados Unidos, 1999. Califórnia) – Educado, cordial e perfeitamente comum, Vann é o tipo de rapaz de quem qualquer um aceitaria uma carona. E este é o seu método: atrair desconhecidos com sua aparência inofensiva, explorar suas vulnerabilidades e então matá-los – "com o mínimo possível de violência", explica. Interpretado com todas as notas certas por Owen Wilson, bem antes que ele se tornasse famoso, Vann é um enigma. Mas desvendá-lo não é o propósito dessa estréia na direção de Hampton Fancher, o roteirista de Blade Runner. Antes, o veterano Fancher prefere acompanhá-lo e observá-lo, como única forma possível de ganhar alguma compreensão do funcionamento aleatório da mente de um psicopata.

Querida Wendy (Dear Wendy, Dinamarca/Inglaterra, 2005. Califórnia) – De todos os filmes do movimento dinamarquês Dogma, Thomas Vinterberg fez o melhor – Festa de Família, de 1998. Desde então, o diretor divide a crítica. Querida Wendy, escrito por seu amigo Lars von Trier, pertence à categoria do ame-ou-odeie. Numa cidade americana qualquer, alguns amigos formam um clube para reverenciar suas armas (a Wendy do título é uma delas). Um dia, a senhora negra que criou o líder do grupo diz que está com medo de sair para visitar sua sobrinha. Os jovens decidem usar as armas para protegê-la, ao que se segue uma explosão de violência. Visto com a ironia exigida pela dupla Vinterberg/Von Trier, o filme é um brilhante exercício de humor negro.

 

DISCOS

 
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Apollo Nove: disco de estréia com ginga e talento  

Res Inexplicata Volans, Apollo Nove (ST2) – O DJ e instrumentista paulistano Apollo Nove pertence àquela categoria de artista de que ninguém ouviu falar mas cujo trabalho é quase certamente conhecido. Ele colaborou em discos do pernambucano Otto, do grupo carioca Planet Hemp e até da cantora brega-pop Wanessa Camargo. Res Inexplicata Volans, seu primeiro disco-solo, deve ampliar seu time de admiradores. Apollo trabalha com um quadro de músicos talentosos – do baixista Dadi Carvalho, da banda de Marisa Monte, à cantora Céu – em doze faixas que vão da psicodelia ao rock pesado. O resultado soa como um disco da dupla francesa Air, com um pouco mais de ginga. Entre os vários destaques, a faixa Inexplicata, com letra da cantora Rita Lee.

John Coltrane and Johnny Hartman (Universal) – Em 1963, o saxofonista americano John Coltrane já era uma lenda do jazz quando se empenhou num projeto nobre: resgatar a carreira do cantor Johnny Hartman, que estava sem gravar fazia cinco anos. O resultado é um disco dos mais saborosos. Coltrane e seu trio (que, entre outros virtuoses, tinha o pianista McCoy Tyner) abrem mão do excesso de improvisos e se limitam a "forrar" a voz empostada e charmosa de Hartman. Suas versões para They Say It's Wonderful, de Irving Berlin, e Lush Life, de Billy Strayhorn, são ideais para embalar um romance. Não é à toa que Clint Eastwood, que conhece jazz como poucos, pinçou quatro gravações de Hartman para a trilha de As Pontes de Madison.

 

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João Donato e Paulo Moura: amizade musical  

Pano pra Manga, João Donato e Paulo Moura (Biscoito Fino) – Esse disco é a celebração de uma amizade que dura cerca de cinco décadas: o pianista João Donato e o clarinetista Paulo Moura eram membros do Sinatra Farney Fã Clube, onde a juventude carioca antenada se reunia para consumir as novidades do jazz americano. Pano pra Manga traz sete releituras, sendo que as melhores são Minha Saudade, parceria de Donato com João Gilberto, e That Old Black Magic, da dupla Harold Arlen e Johnny Mercer. Outras faixas são inéditas e merecem uma audição cuidadosa – especialmente Pixinguinha no Arpoador, em que os músicos brincam com os temas de clássicos como Carinhoso, de Pixinguinha, e La Vie en Rose, de Marcel Louiguy e Edith Piaf.

 

LIVROS

Cartas de Viagem e Outras Crônicas, de Campos de Carvalho (José Olympio; 126 páginas; 25 reais) – Pouco lido em vida, o mineiro Walter Campos de Carvalho (1916-1998) foi uma dessas figuras marginais da literatura – e que às vezes transformam a margem em um lugar mais interessante do que o centro. Autor de livros irônicos como Vaca de Nariz Sutil, ele praticamente abandonou a literatura depois de lançar O Púcaro Búlgaro, em 1964. As cartas e crônicas contidas nesse pequeno livro são suas últimas produções. As cartas são uma narrativa delirante de suas andanças pela Europa. As crônicas, publicadas em O Pasquim, incluem definições como "a bicicleta é um boi volátil cujo epicentro se encontra sob o esfíncter anal do pedalante". Leia trechos.

O Pio da Coruja, de Carl Hiaasen (tradução de Maria Ignez França; Companhia das Letras; 246 páginas; 33 reais) – Conhecido principalmente por Strip-Tease, que virou filme com Demi Moore, Carl Hiaasen é o grande cronista da Flórida, que ele sabe retratar em toda a sua despudorada breguice. A degradação ecológica do estado americano é um de seus temas favoritos – já foi explorado, por exemplo, em A Ponte da Ilha do Sapo. Em O Pio da Coruja (destinado aos leitores adolescentes), ele conta a divertida história de Roy Eberhardt, um garoto que, recém-chegado a uma pequena cidade da Flórida, se vê envolvido em uma campanha para salvar uma espécie ameaçada de coruja cujo território está prestes a se transformar em estacionamento para um restaurante de panquecas. Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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