Edição 1963 . 5 de julho de 2006

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Cinema

Drama de bolso

Bubble é o maior dos filmes
menores de Steven Soderbergh


Isabela Boscov

De vez em quando o diretor Steven Soderbergh faz um filme pequeno – pequeno não, minúsculo – para desintoxicar-se do veneno que circula nos grandes estúdios. É o caso de Schizopolis, de Full Frontal e de Bubble, que atraiu muita atenção no início deste ano por ter sido lançado simultaneamente em cinema, DVD e cabo nos Estados Unidos. Mas os méritos de Bubble, que estréia nesta sexta-feira no país, vão além de sua distribuição inovadora: estão acima de tudo na curiosidade e limpeza com que o diretor aborda seus três personagens. Martha (Debbie Doebereiner), quarentona, gorda e maternal, gosta de ir para o trabalho numa fábrica de bonecas porque lá está Kyle (Dustin James Ashley), um rapaz que mal abre a boca, mas aceita suas atenções. Entra em cena a jovem Rose (Misty Dawn Wilkins), mãe solteira e adepta de pequenas desonestidades – e algo de profundamente trágico vai se passar na pequena Belpre, em Ohio, onde Soderbergh filmou durante dezoito dias numa das três únicas fábricas americanas de bonecas que ainda não migraram para a China. Os três atores são amadores e todos colaboraram no roteiro. Debbie Doebereiner, em especial, é um achado: gerente de uma lanchonete da rede Kentucky Fried Chicken na vida civil, ela galvaniza a câmera com emoções muito mais complicadas do que sua Martha seria capaz de descrever. É, em suma, a atriz perfeita para um drama de bolso como este. Soderbergh pretende agora rodar outros cinco pequenos filmes nos mesmos moldes. Se eles tiverem o interesse de Bubble, quem lucra é o espectador.

 

 
 
 
 
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