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TELEVISÃO
Divulgação
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| Sedução
da Carne:
inventário de
emoções |
Luchino Visconti (quartas,
às 22h, no Eurochannel) A lista de serviços
prestados ao cinema por Luchino Visconti (1906-1976) contém
uma profusão de clássicos: O
Leopardo, Ludwig, Morte em Veneza, Os Deuses Malditos, Rocco
e Seus Irmãos... Este
último, obra-prima do cineasta italiano, é
a principal atração deste miniciclo. Ele passa
no dia 19. Vale também conferir o drama Sedução
da Carne (dia 12). A fita
faz um pequeno inventário das emoções
humanas, a partir da paixão vivida por uma condessa
veneziana. Nós, as
Mulheres (dia 5) e Boccaccio
70 (dia 26) são duas
coletâneas de curtas de vários autores que
trazem, além de Visconti, nomes ilustres como o de
Federico Fellini.
O Grande Lebowski
(Estréia domingo, dia 2, às 20h30, no HBO)
Dude, o protagonista desta comédia, é
um quarentão fora de moda. Em plenos anos 90, tem
visual de hippie, curte rock antigão e é ávido
consumidor de maconha. Seria apenas um tipo caricato não
fossem seus criadores os irmãos Joel e Ethan Coen.
Nesta mirabolante trama sobre
troca de identidades, os realizadores de Fargo
confirmam sua especialidade: levar os estereótipos
ao extremo para provocar o riso. Além de Dude, vivido
por um Jeff Bridges despido de sua canastrice habitual,
há tipos como um veterano da Guerra do Vietnã
(John Goodman) e um excêntrico jogador de boliche
(John Turturro). Dizer mais estraga.
LIVRO
A
Pirâmide, de Ismail Kadaré (tradução
de Bernardo Joffily; Companhia das Letras; 144 páginas;
22 reais) O leitor acostumado aos romances cheios
de fantasia do francês Christian Jacq poderá
encontrar neste livro um olhar diferente sobre o antigo
Egito. O assunto abordado pelo albanês Ismail Kadaré,
um dos mais importantes escritores europeus da atualidade,
é a construção da gigantesca pirâmide
de Quéops. Mais do que um romance histórico,
o que ele acaba produzindo, com seu texto enxuto e irônico,
é uma vigorosa alegoria sobre os governos totalitários.
O poder absoluto do faraó e a violência a que
eram submetidos os operários do antigo Egito espelham
o terror de vários regimes políticos do mundo
contemporâneo. Kadaré sabe do que está
falando: sua Albânia natal foi dominada com mão
de ferro pelo ditador comunista Enver Hoxha, aquele sujeitinho
ordinário que o PC do B idolatra. Antes de morrer,
Hoxha ordenou que se construísse um monumento em
sua homenagem em forma de uma grande pirâmide,
é claro.
DISCOS
Invincible
Summer, k.d. lang (WEA) A canadense k.d.
lang é o que se pode chamar de cantora versátil.
Ela consegue tanto interpretar uma refinada canção
de amor de Cole Porter quanto gastar seu potente gogó
em discos com influência de música country.
Com Invincible Summer, seu primeiro CD de canções
inéditas desde 1995, a artista também se revela
uma compositora pop de primeiríssima linha. Influenciado
pela bossa nova e com um pé nas melodias luminosas
do maestro Burt Bacharach, o álbum Invincible
Summer celebra o amor (em todas as suas formas, diga-se)
e a chegada do verão americano.
High
Fidelity, vários intérpretes (Roadrunner)
O ator americano John Cusack gosta de cuidar pessoalmente
da trilha sonora de seus filmes. E olha que ele entende
do assunto. Em Matador em Conflito, Cusack fez a
alegria dos trintões ao garimpar gemas do pop dos
anos 80. Para High Fidelity, fita baseada no livro
do inglês Nick Hornby, que deve estrear no Brasil
em outubro, ele escolheu canções na medida
para seu personagem. Como interpreta o dono de uma loja
de discos raros, o ator pinçou temas menos conhecidos
dos astros Bob Dylan e Stevie Wonder. Além disso,
incluiu músicas da banda Velvet Underground (que
tinha entre seus membros Lou Reed) e do cantor Elvis Costello.
Na soma, o CD reúne alguns dos melhores "lados B"
da história do pop.
Literatura brasileira
Carlos Graieb
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À
Sombra do Cipreste
Menalton Braff
Editora
Palavra Mágica; 142
páginas; 20 reais |
Entregue no final de abril, o
Prêmio Jabuti deste ano trouxe uma surpresa.
Em vez dos nomes consagrados, Menalton Braff, professor
de ensino médio no interior de São Paulo,
venceu na categoria principal, "melhor obra de ficção".
A escolha, no entanto, esteve longe de ser ousada.
Os contos de À
Sombra do Cipreste revelam
um autor convencional, seguindo uma picada aberta
pelos contistas brasileiros ainda nos anos 60. Seu
tema privilegiado é a existência acanhada
da classe média: os dramas do cotidiano, as
crises de consciência, os "laços de família".
Alguns dos enredos têm detalhes antiquados que
remetem a um passado já não tão
próximo, em que os homens usavam chapéu
e os velórios eram na sala da casa. Sobre todos
os textos, pesa a melancolia.
O escritor argentino Julio Cortázar
costumava comparar a literatura ao boxe. Bons contos,
dizia ele, devem vencer o leitor por nocaute. Às
obras de Menalton Braff falta justamente explosão.
O exemplo acabado disso está no texto que dá
nome ao livro, uma espécie de recriação
do conto Feliz Aniversário,
de Clarice Lispector,
uma das autoras brasileiras que mais parecem ter influenciado
Braff. Nos dois casos, a mesma situação:
uma mulher muito velha observa os familiares reunidos
à sua volta. Clarice começa narrando
em terceira pessoa. Mostra de maneira irônica
as hipocrisias da vida familiar. De repente, o ponto
de vista muda. Passamos a ouvir os pensamentos da
velha aniversariante, e eles são cheios de
ódio e desprezo. O conto atinge seu clímax
quando ela cospe e confronta os filhos, "ratos se
acotovelando ao seu redor". É esse ponto de
tensão que falta a À Sombra do Cipreste.
A protagonista parece resignada à sua morte
próxima. E Braff não surpreende o leitor
com nenhum artifício engenhoso, como a troca
de voz narrativa empregada por Clarice. Isso ocorre
em quase todos os contos. No plano da trama, os conflitos
nunca se traduzem em ações. Os personagens
optam pelo silêncio. O autor, por sua vez, reluta
em dar uma estrutura forte e ágil a seus relatos.
Braff às vezes tenta
compensar a ausência de clímax com arroubos
de linguagem. Não dá certo. "A débil
e obsedante melopéia do céu em final
debulha no chuvisqueiro nascido com o princípio
dos tempos": frases desse tipo não querem dizer
nada. Mas o livro premiado tem seus bons momentos.
Pode-se destacar O Banquete,
Adagio Appassionato e,
sobretudo, Guirlandas
e Grinaldas: o Perfume,
que tem final cáustico e conta a história
de um homem que espera ser arrebatado ao Paraíso.
Por contos como esses, Braff se inscreve com folga
na linha média da literatura brasileira. Mas
não tem nada de novo a dizer.
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