Edição 1 656 -5/7/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo
Estilos: Luiz Estevão

Saindo de cabeça erguida

 

Gasolina

Vai subir

Está em gestação um aumento no preço do combustível que é uma paulada na cabeça do brasileiro. O governo acha que não dá mais para segurar os preços com o valor do barril de petróleo chegando aos píncaros lá fora. A má notícia deve ser anunciada na semana que vem.

 

Refrigerante

O gênio do guaraná

O segredo do sabor do Guaraná Antarctica tinha até pouco tempo atrás um único dono: Orlando Araújo, detentor da fórmula do refrigerante que a Brahma e outras tentaram imitar por décadas a fio. Recém-aposentado, depois de cinqüenta anos de labuta na Antarctica, ele deu uma passadinha nos escritórios da Ambev na semana passada. Assinou um contrato para virar consultor da empresa. Agora, Araújo divide o segredo com Marcel Telles e Victório de Marchi, os presidentes da Ambev. Só os três, e apenas os três, saberão todos os ingredientes e a quantidade usados na fabricação do refrigerante.

 

Política

Carta rasurada

As contas são do deputado Miro Teixeira: 18% do texto da Constituição de 1988 já foi alterado. E a reforma tributária ainda nem começou...

Estevão, filantropo nos EUA

Não deve surpreender-se quem pisar no saguão do prédio do curso de Business Management da Universidade de Boston. Dará de cara com o nome do ex-senador Luiz Estevão no quadro de honra que relaciona os principais doadores da instituição. Para constar dessa espécie de galeria da benemerência, só quem se dispuser a generosidades de 500.000 dólares para cima. Não é exatamente enobrecedor para a Universidade de Boston exibir a assinatura de Estevão – ainda que não seja raro um encrencado da estirpe do ex-senador querer posar de benfeitor de causas elevadas.

Virou palavrão

A equipe econômica que se prepare: vai ter muito, muito chororô da bancada governista por causa do trabalho preparado pela consultoria Booz-Allen & Hamilton, a pedido do Ministério da Fazenda, sobre o futuro dos bancos federais (CEF, BB e BNDES, entre eles). O cenário é de problemas monumentais, e uma das soluções apontadas é a desestatização. Os políticos tremem de medo de passar toda a campanha eleitoral respondendo se o governo irá ou não privatizar essas instituições. Definitivamente, a defesa da privatização anda em baixa dentro do governo.

 

Economia

Gosto amargo

Nem todos os produtores de açúcar estão sorrindo de orelha a orelha com a alta no preço internacional do produto. A gigante Copersucar, líder do mercado brasileiro, está amargando perdas de 10 milhões de dólares por apostas erradas feitas nos mercados futuros de açúcar.

Estrangeiros à espreita

Alain Belda, o brasileiro que é presidente mundial da Alcoa, gigante do setor de alumínio, desembarcou com toda a discrição possível no Brasil na semana passada. Sentado sobre um caixa formidável para fazer negócios, Belda tem um sonho e tratou dele nas extensas reuniões na sede brasileira da empresa: juntar a Alcoa à área de alumínio da Vale do Rio Doce.

Menos mau

As vendas de caminhões cresceram 28% nos primeiros cinco meses do ano, em comparação com o mesmo período de 1999. Esse é um dos melhores sinais de recuperação da economia que pode haver.

 

Educação

Exportações de boas idéias

Para quem acha que o Brasil só exporta uma coleção de más notícias, vai um refresco: o ex-governador de Brasília Cristovam Buarque fechou na semana passada um acordo que permitirá que dez famílias miseráveis do Senegal sejam adotadas pelo programa bolsa-escola – uma premiadíssima e bem-sucedida idéia de Buarque, cujo mote principal é dar um salário mínimo às famílias que mantiverem seus filhos na escola. O projeto será bancado por uma ONG comandada pelo próprio Buarque.

 

Gente

Sem festa

Xuxa quer comemorar o segundo aniversário de Sasha, no fim do mês, em clima low profile – se é que isso é possível em se tratando de Xuxa. Vai viajar com a filha para o exterior. Para quem não se lembra, a festinha do ano passado na mansão da apresentadora teve 800 convidados e até lanchonete McDonald's.

 

A capital da violência

Kiko Ferrite


Durante muito tempo a pecha de cidade mais violenta do Brasil parecia grudada no Pão de Açúcar: o Rio de Janeiro era, de longe, tido como a capital mais barra-pesada do país. Mas o imaginário popular parece que pegou a ponte aérea e elegeu São Paulo como sinônimo de criminalidade. Acaba de sair do forno uma pesquisa nacional feita pelo Ipespe que mostra essa mudança. Perguntados sobre "qual é atualmente a capital mais violenta do país", 53% dos brasileiros cravaram São Paulo e 35% responderam Rio de Janeiro – e olhe que o levantamento foi feito depois do dramático seqüestro do ônibus da linha 174. Em tempo: segundo as estatísticas de homicídios, a capital mais violenta não é nem Rio nem São Paulo. É Vitória.