Lauro Jardim
Chico Caruso/O Globo
Estilos: Luiz Estevão
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Saindo
de cabeça erguida
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Gasolina
Vai subir
Está em gestação um aumento no preço
do combustível que é uma paulada na cabeça
do brasileiro. O governo acha que não dá mais
para segurar os preços com o valor do barril de petróleo
chegando aos píncaros lá fora. A má
notícia deve ser anunciada na semana que vem.
Refrigerante
O gênio do guaraná
O segredo do sabor do Guaraná Antarctica tinha
até pouco tempo atrás um único dono:
Orlando Araújo, detentor da fórmula do refrigerante
que a Brahma e outras tentaram imitar por décadas
a fio. Recém-aposentado, depois de cinqüenta
anos de labuta na Antarctica, ele deu uma passadinha nos
escritórios da Ambev na semana passada. Assinou um
contrato para virar consultor da empresa. Agora, Araújo
divide o segredo com Marcel Telles e Victório de
Marchi, os presidentes da Ambev. Só os três,
e apenas os três, saberão todos os ingredientes
e a quantidade usados na fabricação do refrigerante.
Política
Carta rasurada
As contas são do deputado Miro Teixeira: 18% do
texto da Constituição de 1988 já foi
alterado. E a reforma tributária ainda nem começou...
Estevão, filantropo nos EUA
Não deve surpreender-se quem pisar no saguão
do prédio do curso de Business Management da Universidade
de Boston. Dará de cara com o nome do ex-senador
Luiz Estevão no quadro de honra que relaciona os
principais doadores da instituição. Para constar
dessa espécie de galeria da benemerência, só
quem se dispuser a generosidades de 500.000
dólares para cima. Não é exatamente
enobrecedor para a Universidade de Boston exibir a assinatura
de Estevão ainda que não seja raro um encrencado
da estirpe do ex-senador querer posar de benfeitor de causas
elevadas.
Virou palavrão
A equipe econômica que se prepare: vai ter muito,
muito chororô da bancada governista por causa do trabalho
preparado pela consultoria Booz-Allen & Hamilton, a
pedido do Ministério da Fazenda, sobre o futuro dos
bancos federais (CEF, BB e BNDES, entre eles). O cenário
é de problemas monumentais, e uma das soluções
apontadas é a desestatização. Os políticos
tremem de medo de passar toda a campanha eleitoral respondendo
se o governo irá ou não privatizar essas instituições.
Definitivamente, a defesa da privatização
anda em baixa dentro do governo.
Economia
Gosto amargo
Nem todos os produtores de açúcar estão
sorrindo de orelha a orelha com a alta no preço internacional
do produto. A gigante Copersucar, líder do mercado
brasileiro, está amargando perdas de 10 milhões
de dólares por apostas erradas feitas nos mercados
futuros de açúcar.
Estrangeiros à espreita
Alain Belda, o brasileiro que é presidente mundial
da Alcoa, gigante do setor de alumínio, desembarcou
com toda a discrição possível no Brasil
na semana passada. Sentado sobre um caixa formidável
para fazer negócios, Belda tem um sonho e tratou
dele nas extensas reuniões na sede brasileira da
empresa: juntar a Alcoa à área de alumínio
da Vale do Rio Doce.
Menos mau
As vendas de caminhões cresceram 28% nos primeiros
cinco meses do ano, em comparação com o mesmo
período de 1999. Esse é um dos melhores sinais
de recuperação da economia que pode haver.
Educação
Exportações de boas idéias
Para quem acha que o Brasil só exporta uma coleção
de más notícias, vai um refresco: o ex-governador
de Brasília Cristovam Buarque fechou na semana passada
um acordo que permitirá que dez famílias miseráveis
do Senegal sejam adotadas pelo programa bolsa-escola
uma premiadíssima e bem-sucedida idéia de
Buarque, cujo mote principal é dar um salário
mínimo às famílias que mantiverem seus
filhos na escola. O projeto será bancado por uma
ONG comandada pelo próprio Buarque.
Gente
Sem festa
Xuxa quer comemorar o segundo aniversário de Sasha,
no fim do mês, em clima low profile
se é que isso é possível em se tratando
de Xuxa. Vai viajar com a filha para o exterior. Para quem
não se lembra, a festinha do ano passado na mansão
da apresentadora teve 800 convidados e até lanchonete
McDonald's.
A capital da violência
Kiko Ferrite
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Durante muito tempo a pecha de cidade mais violenta
do Brasil parecia grudada no Pão de Açúcar:
o Rio de Janeiro era, de longe, tido como a capital
mais barra-pesada do país. Mas o imaginário
popular parece que pegou a ponte aérea e elegeu
São Paulo como sinônimo de criminalidade.
Acaba de sair do forno uma pesquisa nacional feita
pelo Ipespe que mostra essa mudança. Perguntados
sobre "qual é atualmente a capital mais violenta
do país", 53% dos brasileiros cravaram São
Paulo e 35% responderam Rio de Janeiro e olhe
que o levantamento foi feito depois do dramático
seqüestro do ônibus da linha 174. Em tempo:
segundo as estatísticas de homicídios,
a capital mais violenta não é nem Rio
nem São Paulo. É Vitória.
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