Edição 1 656 -5/7/2000

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Monstros na veia

Dose diária de Digimon pode salvar
o programa de Angélica

Ricardo Valladares

Fox

As criaturas de Digimon são calcadas nas de Pokémon: lavagem cerebral

Para anabolizar a audiência de Angélica, que nunca esteve tão baixa, a Rede Globo resolveu recorrer a um remédio japonês. Nesta segunda-feira estréia no programa da loirinha o desenho Digimon, criado no ano passado por uma produtora concorrente da que inventou Pokémon. Este último é um fenômeno mundial que já arrecadou 7 bilhões de dólares entre direitos de exibição e licenciamento. Digimon está se aproximando dessa marca. Nos Estados Unidos, as duas séries têm praticamente a mesma audiência. Uma é claramente calcada na outra. Ambas reproduzem grosseiramente a estética do videogame, com uma pequena diferença no que se refere ao enredo. Os "Pokémons" (nome que vem do inglês pocket monsters, "monstros de bolso") vivem no mundo real e são capturados pelas crianças. Já os "Digimons" (abreviatura de "monstros digitais") habitam uma espécie de universo paralelo, para o qual os sete protagonistas são transportados. Em ambas as atrações as criaturas são feias para chuchu e têm superpoderes – especialmente o da lavagem cerebral em grande escala. Os desenhos parecem saídos da cabeça de um camicase desgovernado.

 
Junior Fernandes

Angélica: audiência que já foi de 16 pontos agora está em 4

A estréia de Digimon estava prevista para setembro, mas foi antecipada para conter a sangria de audiência do horário no mês de julho, quando Angélica estará de férias. A apresentadora deixou apenas as chamadas pré-gravadas. Durante a sua ausência, as manhãs da Globo serão ocupadas por uma bateria de desenhos animados. Além de Digimon, serão exibidos O Garoto Bugiganga e Pinky e Cérebro, entre outros já veiculados pelos canais por assinatura. Em agosto, o Angel Mix voltará totalmente reformulado. Contará com desenhos da Turma da Mônica e também com episódios baseados nas histórias do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, esta, sim, uma idéia inteligente. Independentemente da qualidade das novidades, elas devem dar fôlego ao programa de Angélica, que anda patinando num ibope de 4 pontos. Um número ridículo se comparado aos 16 pontos de média em 1999.