Edição 1 656 -5/7/2000

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Marmita de luxo

Restaurantes caros fazem entrega em escritórios


Ricardo Benichio
Massa do La Vecchia Cucina: capricho


Hora do almoço, trabalho demais, o jeito é comer no escritório. Ao abrir a quentinha, a boca fica cheia d'água: em vez do banal sanduíche de praxe, lá está, acondicionado com capricho, um filé de cordeiro ou, quem sabe, um coq au vin. Com grife, claro. Nas grandes cidades, restaurantes requintados estão fazendo entrega para clientes sem tempo, mas com dinheiro. Como era de esperar em cozinhas exigentes, nem todos os pedidos são aceitos. "Recuso-me a entregar todo o cardápio. Alguns pratos não ficam bons para viagem", decreta Severino Pontes, proprietário do restaurante Freddy, de São Paulo, que faz cerca de dez quentinhas por dia.

O Vecchio Sogno, de Belo Horizonte, prepara de dez a quinze pratos para viagem no almoço, ao preço médio de 30 reais, mais taxa de entrega. As marmitas do Vecchio Sogno são de alumínio, mas, se o freguês tiver como esquentar, podem ir em refratários. Outro serviço comum nestes restaurantes é o empréstimo de pratos, talheres, copos e até toalhas. Se forem mais de três pessoas à mesa de trabalho, alguns, como o La Via Vecchia, em Brasília, podem mandar junto um cozinheiro, para dar acabamento ao prato. As quentinhas do La Vecchia Cucina, de São Paulo, costumam chegar de táxi, o que garante que nenhum entregador de moto e mochila vai massacrar a bela disposição de suas massas. "Temos um ponto aqui na frente que nos conhece há muito tempo, e a entrega fica ótima", elogia o proprietário, Sergio Arno.