Marmita de luxo
Restaurantes caros fazem entrega em escritórios
Ricardo Benichio
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| Massa do La Vecchia Cucina: capricho |
Hora do almoço, trabalho demais, o jeito é
comer no escritório. Ao abrir a quentinha, a boca
fica cheia d'água: em vez do banal sanduíche
de praxe, lá está, acondicionado com capricho,
um filé de cordeiro ou, quem sabe, um coq au vin.
Com grife, claro. Nas grandes cidades, restaurantes requintados
estão fazendo entrega para clientes sem tempo, mas
com dinheiro. Como era de esperar em cozinhas exigentes,
nem todos os pedidos são aceitos. "Recuso-me a entregar
todo o cardápio. Alguns pratos não ficam bons
para viagem", decreta Severino Pontes, proprietário
do restaurante Freddy, de São Paulo, que faz cerca
de dez quentinhas por dia.
O Vecchio Sogno, de Belo Horizonte, prepara de dez a quinze
pratos para viagem no almoço, ao preço médio
de 30 reais, mais taxa de entrega. As marmitas do Vecchio
Sogno são de alumínio, mas, se o freguês
tiver como esquentar, podem ir em refratários. Outro
serviço comum nestes restaurantes é o empréstimo
de pratos, talheres, copos e até toalhas. Se forem
mais de três pessoas à mesa de trabalho, alguns,
como o La Via Vecchia, em Brasília, podem mandar
junto um cozinheiro, para dar acabamento ao prato. As quentinhas
do La Vecchia Cucina, de São Paulo, costumam chegar
de táxi, o que garante que nenhum entregador de moto
e mochila vai massacrar a bela disposição
de suas massas. "Temos um ponto aqui na frente que nos conhece
há muito tempo, e a entrega fica ótima", elogia
o proprietário, Sergio Arno.