França
Astral sedutor
Mitterrand fazia política
com uma astróloga a tiracolo
François Mitterrand,
presidente da França entre 1981 e 1995, teve oportunidade
de conviver com intelectuais brilhantes e políticos
sagazes, mas sempre que tinha de tomar decisões importantes
apressava-se em aconselhar-se com Elizabeth Teissier, uma
astróloga parisiense. O teor das conversas deixou
de ser confidencial na semana passada, quando Teissier fez
o que costumam fazer aqueles que têm intimidade com
os poderosos: revelou ao mundo suas fofocas. No seu caso,
fofocas bem documentadas. Com o consentimento do presidente,
ela gravou todas as consultas astrológicas. As gravações
mostram que Mitterrand não tomava decisões
sem consulta prévia aos astros. Em janeiro de 1991,
ele perguntou a Teissier se o dia era propício para
aderir à Guerra do Golfo, contra o Iraque. Ela o
aconselhou a adiar a decisão, por causa da "lua nova
saindo de um eclipse solar, o que é de muito mau
agouro". Em seu livro Sous le Signe de Mitterrand (Sob
o Signo de Mitterrand), ela garante que a controversa substituição
do primeiro-ministro Michel Rocard por Edith Cresson, em
1991, ocorreu de acordo com o que estava escrito nas estrelas.
O presidente francês,
que morreu de câncer em 1996, era um notório
conquistador. O "grande sedutor", chamou-o sua mulher, Danielle.
Vinte anos mais jovem que Mitterrand, atriz de filmes eróticos
na juventude e astróloga badaladíssima em
Paris, Madame Teissier esquiva-se às insinuações
inevitáveis. "Nossa relação era puramente
profissional", garante. As gravações revelam
diálogos cada vez mais calorosos, digamos. Ela o
chamava de "meu querido escorpião". Em troca, recebia
galanteios. "Como você se parece com Ava Gardner",
exclamou ele no primeiro encontro. Outro livro, publicado
há três meses pelo motorista particular do
presidente, Pierre Tourlier, insinua que os encontros com
Teissier obedeciam mais ao impulso amoroso que à
curiosidade esotérica de Mitterrand. Seu apetite
sexual era lendário. Durante anos, manteve um romance
extraconjugal com Anne Pingeot, que lhe deu uma filha, Mazarine,
publicamente reconhecida apenas em 1994. Ele definia como
ideal visitar três amantes em uma única noite.
Dizia que gostava de usufruir, com as mulheres, o mesmo
que apreciava nos finos restaurantes franceses: uma refeição
composta de entrada, prato principal e sobremesa. As previsões
de Madame Teissier talvez fossem o cafezinho.