Edição 1 656 -5/7/2000

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França

Astral sedutor

Mitterrand fazia política com uma astróloga a tiracolo

 

François Mitterrand, presidente da França entre 1981 e 1995, teve oportunidade de conviver com intelectuais brilhantes e políticos sagazes, mas sempre que tinha de tomar decisões importantes apressava-se em aconselhar-se com Elizabeth Teissier, uma astróloga parisiense. O teor das conversas deixou de ser confidencial na semana passada, quando Teissier fez o que costumam fazer aqueles que têm intimidade com os poderosos: revelou ao mundo suas fofocas. No seu caso, fofocas bem documentadas. Com o consentimento do presidente, ela gravou todas as consultas astrológicas. As gravações mostram que Mitterrand não tomava decisões sem consulta prévia aos astros. Em janeiro de 1991, ele perguntou a Teissier se o dia era propício para aderir à Guerra do Golfo, contra o Iraque. Ela o aconselhou a adiar a decisão, por causa da "lua nova saindo de um eclipse solar, o que é de muito mau agouro". Em seu livro Sous le Signe de Mitterrand (Sob o Signo de Mitterrand), ela garante que a controversa substituição do primeiro-ministro Michel Rocard por Edith Cresson, em 1991, ocorreu de acordo com o que estava escrito nas estrelas.

O presidente francês, que morreu de câncer em 1996, era um notório conquistador. O "grande sedutor", chamou-o sua mulher, Danielle. Vinte anos mais jovem que Mitterrand, atriz de filmes eróticos na juventude e astróloga badaladíssima em Paris, Madame Teissier esquiva-se às insinuações inevitáveis. "Nossa relação era puramente profissional", garante. As gravações revelam diálogos cada vez mais calorosos, digamos. Ela o chamava de "meu querido escorpião". Em troca, recebia galanteios. "Como você se parece com Ava Gardner", exclamou ele no primeiro encontro. Outro livro, publicado há três meses pelo motorista particular do presidente, Pierre Tourlier, insinua que os encontros com Teissier obedeciam mais ao impulso amoroso que à curiosidade esotérica de Mitterrand. Seu apetite sexual era lendário. Durante anos, manteve um romance extraconjugal com Anne Pingeot, que lhe deu uma filha, Mazarine, publicamente reconhecida apenas em 1994. Ele definia como ideal visitar três amantes em uma única noite. Dizia que gostava de usufruir, com as mulheres, o mesmo que apreciava nos finos restaurantes franceses: uma refeição composta de entrada, prato principal e sobremesa. As previsões de Madame Teissier talvez fossem o cafezinho.