Alemanha
Amigo perverso
Violência de animais assassinos coloca
em
xeque a paixão dos alemães pelos cachorros
AFP
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AP
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| Tragédia
no parque: os corpos do garoto e do cão que
o matou e a homenagem
da colega de
escola |
Uma tragédia terrível deixou a Alemanha em
estado de choque na semana passada. Um garoto de 6 anos
foi estraçalhado por um pit bull e um staffordshire
terrier num parque de Hamburgo. Para interromper o ataque,
foi necessário que a polícia abatesse a tiros
os dois animais. Mas foi impossível abrir as mandíbulas
do pit bull, encravadas no pescoço do menino, que
morreu no local. Foi o segundo ataque violento de cães
em poucos dias. O problema causado pela cachorrada de má
índole é sério no país (2.600
ataques em 1999, número 50% maior em relação
ao do ano anterior), mas intensamente agravado por tocar
num ponto sensível da mentalidade alemã: a
paixão por cães. Movido pela comoção
depois da morte do menino, o ministro do Interior, Otto
Schily, ameaçou banir os cachorros de raças
agressivas, como o pit bull, se os dezesseis governos estaduais
não tomarem alguma medida. O influente semanário
Die Zeit escreveu, em editorial, que "se uma usina
nuclear causasse tantos mortos e feridos no país
como os cães ela já teria sido fechada". O
fato é que ninguém até agora ousou
levantar um dedo contra a cachorrada. O problema é
a idolatria da população pelos animais e o
fortíssimo lobby dos criadores.
Ed Viggiani
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| Bicho de estimação:
um fortíssimo lobby de criadores e 3,6 milhões
de animais |
Num país com leis para qualquer coisa, que regulamentam
até os horários em que as crianças
podem fazer barulho nos prédios de apartamentos,
é espantosa a tolerância em relação
a esses animais. Os pit bulls e outras raças agressivas
são populares sobretudo entre a comunidade turca,
que promove rinhas de cães. Berlim tem 3 milhões
de habitantes e 200.000 cachorros.
Nem mesmo o fato de uma das maiores populações
caninas do continente 3,6 milhões produzir
360 toneladas diárias de excremento faz com que o
entusiasmo diminua. Em muitos prédios e restaurantes
de Berlim, a entrada de crianças é proibida,
mas o ingresso de cachorros é liberado. "Aqui, as
pessoas gostam mais de animais que de gente", diz o consultor
internacional Claus Peter Rees, que vive em Berlim.
O estrangeiro que se muda para a Alemanha logo aprende
que o melhor (e talvez único) modo de fazer amizade
com os vizinhos é comprar um cão. Habitualmente
indiferentes e até mesmo hostis com desconhecidos,
os alemães se transformam em amabilidades diante
de qualquer pessoa que leve um animal preso à coleira.
Na Alemanha, um dos países onde mais se desenvolveram
raças caninas como pinscher, weimaraner, dobermann
e o tradicional pastor alemão , proliferam
cursos de comunicação e comportamento homem-cachorro.
Em 1989, quando o Muro de Berlim veio abaixo, causou comoção
nacional a sorte dos 5.000 pastores
alemães que guardavam a fronteira. Todos eles acabaram
adotados e viraram animais de estimação de
centenas de famílias alemãs, tornando-se um
exemplo da integração Leste-Oeste.
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