Edição 1 656 -5/7/2000

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Criminalidade

Assim é demais

Não bastassem as fugas das prisões, agora bandidos perigosos também recebem indulto

 
Fotos Divulgação

O casal de Brasília que foi morto e o assassino: libertado porque tem Aids

A morte de Geovani Della Penna, de 18 anos, e Rachel Teresa Aguiar, de 17, chocou Brasília. Os dois foram assassinados a tiros, dentro de seu carro, por um bandido que tentou assaltá-los. O filho do casal, um bebê de 10 meses, ficou chorando no banco de trás até ser resgatado por um varredor de rua. A polícia prendeu o autor da barbaridade, Eduardo Germano, que afirmou não se arrepender do crime. Levando-se em conta que só um monstro psicopata faria e diria coisa semelhante, Germano pode ser considerado como tal. Só que esse monstro psicopata, antes de matar Geovani e Rachel, se encontrava enjaulado numa penitenciária. Ele não fugiu de lá. Foi colocado na rua graças a um indulto concedido pela Justiça. Ganhou liberdade por ser um doente de Aids em estado terminal.

O caso ilustra a benevolência com que os bandidos são tratados no Brasil. Se apresentar bom comportamento, um sujeito condenado por assassinato não permanece mais que seis anos em cana. Veja-se, por exemplo, o casalzinho que matou com requintes de crueldade a atriz Daniella Perez, no final de 1992. Os dois assassinos flanam por aí e tudo bem. Agora se sabe que o indulto se tornou uma prática mais comum que o recomendável. Está servindo para soltar gente como Germano. Para não falar, é claro, da incapacidade do Estado de impedir fugas. Apenas em São Paulo, 5.000 bandidos escapam das prisões todos os anos. Na semana passada, dois fugitivos integravam um grupo que tentou assaltar um shopping center na capital paulista. Outro dado assustador é o número de mandados de prisão que a polícia brasileira não consegue cumprir: mais de 150.000. O seqüestrador do ônibus do Rio de Janeiro estava nessa lista.