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Tecnologia a qualquer
custo
Ter uma
casa plugada na modernidade
pode ser tão caro quanto irresistível
Cristiane
Assis

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Uma prova
de que estamos no século XXI é a possibilidade de viver
numa casa que daria inveja à família Jetson, do desenho
animado. Ainda não existe nada parecido com a simpática
Rose, a empregada-robô da família futurista, mas a tecnologia
já disponível nos torna impacientes e insatisfeitos com
o que ontem era rápido e sofisticado. Um computador plugado simplesmente
no telefone navega como uma banheira a vapor. O videocassete tornou-se
um dinossauro perto do DVD, e uma televisão de 29 polegadas com
tela negra e closed caption é coisa do século passado. Surgem
tantas novidades para equipar a casa que, em muitos casos, é mais
divertido, cômodo e agradável ver o filme na sala, fazer
o café expresso e estourar a própria pipoca do que tirar
o carro da garagem para ir ao cinema no shopping.
A sala de
TV é um dos pólos dessa revolução. Com tela
de 65 polegadas, som digital e programação transmitida via
satélite ou conectada num aparelho que mostra, mais que o filme,
até as cenas que deram errado na filmagem, a televisão de
tela plana impressiona até quando está desligada. Uma de
plasma, então, faz a realidade parecer opaca e nebulosa. Nos computadores,
já se encontram recursos que exibem filmes com a mesma qualidade
do televisor, ligações com a internet que transmitem imagens
ao vivo em tempo real, joguinhos cuja evolução pode durar
meses e capacidade praticamente imensurável para armazenar músicas
em formato digital. E nem precisam ser computadores de mesa. Um notebook
e até alguns dos mais modernos palmtops permitem realizar essas
mesmas operações até durante uma viagem de avião.
Num sistema
doméstico, pode-se simplesmente interligar toda a parafernália
tecnológica utilizando um aparelhinho chamado roteador. Em princípio,
esse tipo de equipamento serve, entre outras coisas, para que sites da
internet organizem o trânsito de entrada e saída de informações.
Transposto para a casa moderna e integrado em um sistema de automação
residencial, ele pode interligar e controlar a troca de informações
entre o computador e qualquer outro objeto eletrônico existente
pode ser o rádio, a persiana ou a torradeira, dependendo
da prioridade do consumidor. Ou de seu poder financeiro, já que
organizar um ambiente informatizado a esse ponto custa alguns milhares
de dólares. Os roteadores funcionam como agências postais
de dados, que encaminham as informações para determinados
destinos. Mal comparando, são como canos de água inteligentes,
capazes de transportar no mesmo duto o líquido quente, o morno
e o frio, separando-os nos lugares de destino. Parece mágica? É
ainda mais espantoso quando se vê tudo isso funcionando sem nenhum
fio uma coisa cada vez mais comum.
Tem gente
que não resiste a tanta novidade. "A vontade de possuir esse tipo
de coisa às vezes pesa mais que a necessidade, e só depois
a pessoa percebe que gastou dinheiro em algo que terá pouca utilidade",
diz o publicitário paulista Mauro Alencar, um viciado em tecnologia
que acaba de trocar, ao mesmo tempo, seu notebook, sua câmara digital
e seu computador de bolso por modelos mais modernos, que se comunicam
entre si sem conexões por fio. Não é o tipo de investimento
que se faça pensando na relação entre custo e benefício.
Para ter um controle central que interligue a cafeteira elétrica
ao rádio-relógio, passando pelo acesso à internet
e pelo preparo de um banho quente, gastam-se até 80.000
reais em equipamento e no pagamento dos serviços de uma empresa
especializada. Existem também opções mais baratas,
a partir de 1.500 reais. Mas não dá
para se sentir realmente no século da tecnologia sem botar a mão
na carteira. Veja no fichário abaixo alguns exemplos de aparelhos
disponíveis no mercado para quem quer começar hoje essa
experiência sabendo, desde já, que no mês que
vem alguns itens terão de ser trocados. Antes de começar,
é preciso ter em mente o risco que correm os mais afoitos e obcecados
por tecnologia. A busca de atualização sem medida pode criar
um sentimento permanente de que as coisas em casa estão ficando
ultrapassadas, obsoletas. Por mais sofisticados que sejam os equipamentos,
a pessoa não consegue sentir-se satisfeita. Os vizinhos parecem
ter sempre a casa mais moderna e os eletrônicos mais interessantes.
Cercando-se de aparelhos digitais, eles esperam tornar-se mais modernos
e atualizados. Essa mania pode ser perigosa em uma época em que
as indústrias de informática e de eletrônicos lançam
novidades a toda hora, para estimular as vendas. "A pessoa realmente atualizada
não é aquela que possui aparelhos de ponta, mas sim a que
tem capacidade de entender e processar as informações que
recebe, seja pela internet, seja por revistas, jornais e livros", explica
o americano Richard Saul Wurman, autor de dois livros sobre a chamada
ansiedade de informação.
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