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A Nova Zelândia
é aqui
Precipícios
de Paulo Afonso, na Bahia,
tornam-se
a meca do bungee jump
Juliana Saboia
Fotos João Tavares
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| Salto
de bungee jump da ponte em Paulo Afonso sobre o Rio São Francisco:
queda livre de 85 metros |

Veja também |
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A cidade
de Queenstown, na Nova Zelândia, é famosa por suas pontes
sobre precipícios, a mais alta delas a 102 metros do solo. Foi
nesse cenário que nasceu, há catorze anos, o bungee jump.
Esse esporte radical consiste em saltar de lugares altos com uma corda
elástica presa aos pés. No Brasil, por falta de locais adequados,
o bungee jump é normalmente praticado com o auxílio de plataformas
metálicas. Uma exceção notável é a
Ponte Dom Pedro II, uma estrutura de aço construída sobre
o Rio São Francisco na cidade de Paulo Afonso, na Bahia. Com um
vão de 85 metros, é um lugar perfeito para saltos espetaculares.
Nos últimos seis anos, a região repleta de precipícios
transformou-se em ponto de peregrinação para praticantes
de esportes radicais. Além do bungee jump, há por lá
bons locais para o rappel (descida de paredões com a ajuda de cordas)
e a tirolesa (travessia de um lado ao outro de um abismo com roldanas
e cordas).
Num
trecho em que o Rio São Francisco forma um cânion, com altura
que varia de 30 a 70 metros, há cachoeiras perfeitas para o canyoning.
Em outro ponto, em que se torna manso como uma lagoa, há passeios
de catamarã, jet-ski, kitesurfe e campeonatos de windsurfe. Nos
fins de semana, a cidade, que fica na divisa com Alagoas, a 460 quilômetros
de Salvador, recebe 500 visitantes. No verão e nas férias
de julho, o número sobe para 2.000.
"Paulo Afonso é o único lugar do país em que dá
para fazer um salto de bungee jump com mais de 25 metros de queda livre
e ainda mergulhar em um rio no fim da descida", elogia o esportista Ruy
Fernandes, que viaja até quatro vezes por ano para a região.
Até pouco tempo atrás, Paulo Afonso só era conhecida
por seu complexo de hidrelétricas, o mais antigo do Brasil. Agora,
quer seguir o exemplo de cidades como Brotas, no interior de São
Paulo, e se transformar num grande centro de turismo de aventura. Uma
vez por ano, a cidade baiana promove o Eco Esportes Radicais, festival
que reúne a nata dos praticantes no Brasil.
Há
três semanas, numa de suas visitas a Paulo Afonso, a paulista Fabiana
Bruno, 27 anos, recordista brasileira de bungee jump, saltou não
da ponte, mas de um balão em movimento a 200 metros de altura.
Um bondinho que era usado para transportar os funcionários da Companhia
Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) por um trecho a 100
metros de altura é esporadicamente adaptado como base para praticantes
de rappel. Agências de turismo da região oferecem pacotes
de saltos e outros esportes radicais, como trekking, pelo Raso da Catarina,
com o acompanhamento de instrutores, por 150 reais. O único senão
da cidade é a precária estrutura turística. Os hotéis
e os restaurantes são muitos simples e não há vôos
regulares para lá. Nesse aspecto, todos concordam que Paulo Afonso
está longe de Queenstown, a rica cidade neozelandesa que toma como
modelo.
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