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Brasil = México
+ Colômbia
País
assume uma triste liderança
no ranking de blindagem de veículos
Ricardo Mendonça
Divulgação

Fábrica
paulista de blindagem: o preço caiu pela metade |
A taxa de
criminalidade nas grandes cidades brasileiras permitiu ao país
bater mais um triste recorde. O Brasil havia assumido a liderança
no ranking da blindagem de automóveis. Agora, descobre-se que o
total de veículos blindados em solo nacional não é
apenas o maior do mundo. Esse número já é superior
à soma de carros blindados no México e na Colômbia.
Detalhe: no ranking da blindagem, esses dois países ocupam, respectivamente,
a segunda e a terceira posições. De acordo com as informações
divulgadas pela recém-criada Associação Brasileira
dos Blindadores de Veículos Automotivos (isso mesmo, já
existe até uma associação do setor), estão
sendo realizadas, em média, 400 blindagens por mês no Brasil,
enquanto no México se fazem 170 e na tumultuada Colômbia,
150. De acordo com especialistas em segurança, o total de veículos
com esse tipo de proteção é tão grande que
se tornou um indicador para aferir o grau de criminalidade nacional. Quanto
maior ele for, pior estará o Brasil nesse campo até
porque seu crescimento tem acompanhado o de alguns dos mais perversos
crimes praticados no país.
A maior
parte dos carros blindados circula em São Paulo, Estado em que
um dos crimes mais assustadores do momento, o seqüestro, virou rotina.
Em 1996, ano em que doze pessoas foram seqüestradas em São
Paulo, blindaram-se 1.200 veículos.
No ano passado, quando o número de seqüestros subiu para 307,
4.200 carros foram blindados. O Brasil tem
a nona maior frota de veículos do mundo e, devido à baixa
qualidade do transporte público, as pessoas usam o carro para tudo.
De acordo com os especialistas, essa dependência faz com que, no
trânsito, elas fiquem mais expostas à criminalidade. De cada
dez assaltos registrados em São Paulo, em um deles a vítima
estava dentro de um veículo. Nessa situação, a blindagem
não resolve o problema, mas ajuda.
Antonio Milena

Empresa
de segurança: avanços tecnológicos |
A evolução
da blindagem no Brasil é impressionante. Há seis anos, só
quatro empresas ofereciam o serviço em carros e as encomendas destinavam-se
a um público restrito: grandes empresários, presidentes
de corporações e políticos. Hoje, 49 empresas atuam
na área. Com o aumento da concorrência, o preço do
serviço acabou caindo de tal forma que blindar o automóvel
já faz parte da lista de projetos de famílias de classe
média alta. Cinco ou seis anos atrás, a blindagem completa,
envolvendo a troca de vidros e o reforço da lataria com material
especial, custava cerca de 90.000 reais para
um carro de médio porte. Atualmente, o mesmo serviço pode
ser feito pela metade desse preço. Para ajudar, o mercado desenvolveu
dois segmentos. Há o consórcio de blindagem, pelo qual se
adquire o encouraçamento do veículo a prazo, e também
a possibilidade de adquirir um carro seminovo já protegido a prestação,
em até 36 meses.
Existem
várias formas de blindagem, que vão das mais simples, capazes
de suportar alguns tiros de armas leves, até aquelas preparadas
para agüentar atentados terroristas, ataques com fuzil e granadas.
Como as pessoas procuram o serviço para se defender de bandidos
armados com revólver, o grosso das opções é
pela blindagem simples. Trata-se de um acessório que contribui
muito para reduzir o risco de ser assaltado ou seqüestrado, mas que
evidentemente não resolve o problema sozinho. O ideal, mesmo com
o carro equipado com a proteção, é estar orientado
sobre como reagir numa tentativa de assalto ou seqüestro. "Sem treinamento,
nem tanque de guerra resolve", afirma o consultor de segurança
Ricardo Chilelli.
Outros serviços
ligados à segurança crescem com o aumento da violência.
O rastreamento de veículos por satélite, que até
pouco tempo atrás era um produto exclusivo de frotas de caminhões,
está sendo oferecido agora para carros de passeio comuns de todos
os portes. Atualmente, 30% das encomendas da Graber, uma das empresas
que fazem o rastreamento, são para automóveis particulares.
No ano passado, nesse mesmo período, o índice não
chegava a 10%. No Brasil já existem pelo menos 32.000
carros "rastreáveis", que podem ser localizados em qualquer instante
ao primeiro sinal de emergência. Há tecnologias que acionam
a central de rastreamento em botões instalados no veículo,
no momento em que ele passa de uma determinada velocidade ou quando sai
de um perímetro previamente combinado entre seu dono e a empresa
de rastreamento. Do ponto de vista tecnológico, tais avanços
são fabulosos. Do ponto de vista social, é devastador ter
de comemorar conquistas dessa natureza.
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