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Edição 1 754 - 5 de junho de 2002
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Quem é o segundo
nas pesquisas?

De acordo com o Instituto Sensus,
Anthony Garotinho está à frente de
José Serra. Segundo a última rodada
do Vox Populi, é exatamente o contrário


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Pela primeira vez, desde que a campanha eleitoral para presidente começou, duas pesquisas divulgadas numa mesma semana dão resultados significativamente diferentes. A primeira, preparada pelo Instituto Sensus, saiu na segunda-feira. Nela, Lula está lá na frente, com 40% dos votos. Mas há uma novidade no segundo lugar. O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho ocupa essa posição, com 16% das intenções de voto. E o tucano José Serra vem a seguir, em terceiro, com 13%. Na pesquisa Sensus, além de estar 3 pontos porcentuais atrás de Garotinho, Serra é ameaçado por Ciro Gomes, que contabiliza 12% das preferências. Os dois estão tecnicamente empatados. A outra pesquisa, realizada pelo Instituto Vox Populi, foi liberada para divulgação no sábado, cinco dias após a do Sensus. Lula também está lá em cima, com 40% dos votos. Mas é o candidato do PSDB quem ocupa a segunda posição, com 20%. Garotinho, em terceiro lugar, possui 13% das intenções de voto. Nesse levantamento, Ciro Gomes tem 9% das preferências. Comparados os números, fica uma pergunta. Quem está em segundo lugar: Serra ou Garotinho?

Sempre que uma pesquisa é divulgada, a assessoria do candidato que lidera a corrida opta pelo silêncio, afirmando apenas que os números fazem justiça. Já quem está atrás reclama. Quando o Sensus registrou o desabamento de Roseana Sarney, após a aparição da dinheirama no escritório da Lunus, os tucanos aplaudiram os números do instituto. A ex-governadora, que possuía 24% das intenções de voto em fevereiro, caiu para 17% em março. No mesmo período, ainda segundo o Sensus, Serra fez o movimento inverso. Subiu de 9% para 16% das preferências. "A candidatura cresce com solidez", festejou naquele momento o presidente do PSDB, José Aníbal. Agora, a reação tucana foi um pouco diferente. A assessoria de Serra questionou não apenas os dados do Sensus, mas a honradez do instituto. E levantou a hipótese de que os dados teriam sido manipulados. Explica-se: a pesquisa foi encomendada por uma entidade, a Confederação Nacional do Transporte (CNT), presidida por Clésio Andrade, senador do PFL. Como o partido odeia os tucanos, os dados teriam sido ajeitados para prejudicar Serra. E como os tucanos desmascaram a "malandragem"? Oferecem como contraprova a sondagem do Vox Populi, que também foi encomendada por uma entidade, o PSDB, ligada a um político, o presidenciável José Serra.

Não há indicação de que o Sensus tenha cometido nenhum deslize metodológico. A pesquisa em questão é divulgada mensalmente e faz parte de um acompanhamento dos grandes temas nacionais encomendado pela CNT. O estudo mencionado é o 48º da série. Da mesma forma, a reputação do Vox Populi não entra em discussão, pois o instituto goza de ampla credibilidade, e seu proprietário, o cientista político Marcos Coimbra, é um dos mais respeitados estudiosos de pesquisa. Uma explicação para a diferença de resultados entre os dois institutos pode estar ligada ao momento em que as entrevistas foram realizadas e ao intervalo entre elas. O levantamento do Sensus foi feito entre 19 e 23 de maio. O do Vox Populi, nos dias 29 e 30. Há dez dias de intervalo entre o início de um estudo e o início do outro. Quando o Sensus foi a campo, Garotinho havia aparecido em cadeia de rádio e televisão apenas três dias antes. Os marqueteiros concordam que a exposição na TV melhora a posição do candidato. Não é por outra razão que o PSDB pediu ao Vox Populi que realizasse a pesquisa no dia seguinte aos comerciais de Serra irem ao ar na televisão. E isso foi feito.

Além disso, o trabalho do Sensus captou os reflexos da divulgação das denúncias de cobrança de propina na privatização da Vale do Rio Doce, envolvendo o ex-caixa de campanha de Serra. E o levantamento do Vox Populi foi realizado após vir a público o nome da deputada Rita Camata como vice na chapa tucana. Os especialistas estão de acordo em que, no momento, as sondagens devem ser acompanhadas como uma curiosidade a respeito do processo eleitoral. Os números adquirem seriedade a partir de agosto, a dois meses do pleito, quando os eleitores começam a definir em quem vão votar de verdade. Mas, para os que se preocupam com eleição e os destinos do Brasil, o sobe-e-desce dos candidatos é um movimento mais emocionante que último capítulo de novela.

 
 
Sergio Lima/Folha Imagem




José Serra, candidato tucano

Luis Carlos Murauskas/Folha Imagem




Garotinho, ex-governador do Rio
   
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