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Quem é o segundo
nas pesquisas?
De acordo
com o Instituto Sensus,
Anthony Garotinho está à frente de
José Serra. Segundo a última rodada
do Vox Populi, é exatamente o contrário

Veja também |
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Pela primeira
vez, desde que a campanha eleitoral para presidente começou, duas
pesquisas divulgadas numa mesma semana dão resultados significativamente
diferentes. A primeira, preparada pelo Instituto Sensus, saiu na segunda-feira.
Nela, Lula está lá na frente, com 40% dos votos. Mas há
uma novidade no segundo lugar. O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony
Garotinho ocupa essa posição, com 16% das intenções
de voto. E o tucano José Serra vem a seguir, em terceiro, com 13%.
Na pesquisa Sensus, além de estar 3 pontos porcentuais atrás
de Garotinho, Serra é ameaçado por Ciro Gomes, que contabiliza
12% das preferências. Os dois estão tecnicamente empatados.
A outra pesquisa, realizada pelo Instituto Vox Populi, foi liberada para
divulgação no sábado, cinco dias após a do
Sensus. Lula também está lá em cima, com 40% dos
votos. Mas é o candidato do PSDB quem ocupa a segunda posição,
com 20%. Garotinho, em terceiro lugar, possui 13% das intenções
de voto. Nesse levantamento, Ciro Gomes tem 9% das preferências.
Comparados os números, fica uma pergunta. Quem está em segundo
lugar: Serra ou Garotinho?
Sempre que
uma pesquisa é divulgada, a assessoria do candidato que lidera
a corrida opta pelo silêncio, afirmando apenas que os números
fazem justiça. Já quem está atrás reclama.
Quando o Sensus registrou o desabamento de Roseana Sarney, após
a aparição da dinheirama no escritório da Lunus,
os tucanos aplaudiram os números do instituto. A ex-governadora,
que possuía 24% das intenções de voto em fevereiro,
caiu para 17% em março. No mesmo período, ainda segundo
o Sensus, Serra fez o movimento inverso. Subiu de 9% para 16% das preferências.
"A candidatura cresce com solidez", festejou naquele momento o presidente
do PSDB, José Aníbal. Agora, a reação tucana
foi um pouco diferente. A assessoria de Serra questionou não apenas
os dados do Sensus, mas a honradez do instituto. E levantou a hipótese
de que os dados teriam sido manipulados. Explica-se: a pesquisa foi encomendada
por uma entidade, a Confederação Nacional do Transporte
(CNT), presidida por Clésio Andrade, senador do PFL. Como o partido
odeia os tucanos, os dados teriam sido ajeitados para prejudicar Serra.
E como os tucanos desmascaram a "malandragem"? Oferecem como contraprova
a sondagem do Vox Populi, que também foi encomendada por uma entidade,
o PSDB, ligada a um político, o presidenciável José
Serra.
Não
há indicação de que o Sensus tenha cometido nenhum
deslize metodológico. A pesquisa em questão é divulgada
mensalmente e faz parte de um acompanhamento dos grandes temas nacionais
encomendado pela CNT. O estudo mencionado é o 48º da série.
Da mesma forma, a reputação do Vox Populi não entra
em discussão, pois o instituto goza de ampla credibilidade, e seu
proprietário, o cientista político Marcos Coimbra, é
um dos mais respeitados estudiosos de pesquisa. Uma explicação
para a diferença de resultados entre os dois institutos pode estar
ligada ao momento em que as entrevistas foram realizadas e ao intervalo
entre elas. O levantamento do Sensus foi feito entre 19 e 23 de maio.
O do Vox Populi, nos dias 29 e 30. Há dez dias de intervalo entre
o início de um estudo e o início do outro. Quando o Sensus
foi a campo, Garotinho havia aparecido em cadeia de rádio e televisão
apenas três dias antes. Os marqueteiros concordam que a exposição
na TV melhora a posição do candidato. Não é
por outra razão que o PSDB pediu ao Vox Populi que realizasse a
pesquisa no dia seguinte aos comerciais de Serra irem ao ar na televisão.
E isso foi feito.
Além
disso, o trabalho do Sensus captou os reflexos da divulgação
das denúncias de cobrança de propina na privatização
da Vale do Rio Doce, envolvendo o ex-caixa de campanha de Serra. E o levantamento
do Vox Populi foi realizado após vir a público o nome da
deputada Rita Camata como vice na chapa tucana. Os especialistas estão
de acordo em que, no momento, as sondagens devem ser acompanhadas como
uma curiosidade a respeito do processo eleitoral. Os números adquirem
seriedade a partir de agosto, a dois meses do pleito, quando os eleitores
começam a definir em quem vão votar de verdade. Mas, para
os que se preocupam com eleição e os destinos do Brasil,
o sobe-e-desce dos candidatos é um movimento mais emocionante que
último capítulo de novela.
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