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A reportagem de capa de VEJA mostra de forma clara as dificuldades encontradas
com a globalização. Isoladas, as nações não
têm a mesma força do conjunto. No entanto, resolver as questões
globais é uma tarefa que impõe imensos desafios aos governos.
Entre eles, universalizar o desenvolvimento, conciliar a expansão
empresarial com a geração de empregos e compatibilizar o
crescimento econômico com a preservação ambiental.
Superadas essas dificuldades, a globalização trará
os benefícios esperados ("Globalização: há
o que comemorar?", 29 de maio). Os
350 bilhões de dólares que as nações ricas
gastam por ano para proteger seus agricultores afetam centenas de milhões
de camponeses no mundo inteiro e inviabilizam aquela que seria a alternativa
mais natural para o desenvolvimento de muitos países. Quem
mais teme a globalização nos países subdesenvolvidos
como o Brasil são as oligarquias locais, incapazes de manter seu
poder e domínio ante uma oligarquia mundial muito mais competitiva. Os
problemas da globalização seriam amenizados se tanto os
países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento parassem de buscar
retorno imediato dos investimentos, deixassem de ser egocentrados e hedonistas
e levassem a ética e os padrões morais em consideração. A
globalização é a nova força motora da humanidade.
Cumpre estabelecer em todas as áreas as bases para uma globalização
solidária, situando-a dentro de um contexto amplo, benéfico
e repartitivo, que contemple o homem como pessoa em qualquer lugar onde
ele viva. O
chamado Terceiro Mundo não tem o que comemorar. A globalização
só evidenciou nossas limitações diante do Primeiro
Mundo, que sempre praticou uma política excludente. Não
temos escolha se não quisermos perder o bonde. Sou funcionário
de uma multinacional poderosa e recebo um salário vergonhoso. No
entanto, não posso largar o emprego, pois não tenho poupança
nem ações no mercado. Temos de agüentar. Prosperidade
econômica é para a próxima geração. O
prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz condena o unilateralismo
dos Estados Unidos e sua postura autoritária com relação
ao desrespeito à soberania dos países pobres. Muitos avanços
ocorreram com a globalização, porém a liderança
intolerante do senhor George W. Bush vem causando verdadeiros estragos,
principalmente para nós, abaixo da linha do Equador.
Fiquei muito feliz e satisfeito ao ver, nas Páginas Amarelas de
VEJA (29 de maio), a muito bem conduzida entrevista com a psicóloga
americana Sharon Franquemont, abordando o tema da intuição.
Mais feliz ainda em saber que o tema já é matéria
do curso de psicologia da Universidade John F. Kennedy, na Califórnia.
A intuição é de extrema valia para nossas decisões
e condutas na vida. Tendo-a como aliada fiel da razão, poderemos
alçar altos vôos no transcorrer de nossa vida. Sharon
Franquemont deixou claro que não adianta querer compreender tudo
apenas com o intelecto. É necessário recorrer concomitantemente
à ajuda das emoções e da criatividade, pois não
podemos desperdiçar uma nova e atraente forma de inteligência
que permanece ociosa em favor do conhecimento racional: a intuição. Estatística
bem simples revelará que o valor da intuição é
função do conhecimento e experiência subjacentes.
Nos meios esclarecidos e intelectualmente honestos, sempre se considerou
infantilidade a afirmação de Sócrates de que nascemos
sabendo o que seria o fundamento da intuição. A "descoberta"
feita por Sharon Franquemont é a da antiquíssima receita
da popularidade fácil: incitar a proceder irresponsavelmente. As
afirmações que ela atribui a Richard Strauss e Giacomo Puccini
significam que eles conheciam o valor publicitário da mistificação
do mesmo modo que nosso Guimarães Rosa a propósito
de seu conto A Terceira Margem do Rio. Em vez de ser elogio, o
que a autora diz do povo brasileiro significa: "É um dos mais atrasados
do mundo".
Profundamente lúcido o artigo de Claudio de Moura Castro sobre
a enxurrada de informações que sufoca e desmotiva os estudantes,
sem, contudo, ampliar-lhes a visão de mundo. Os educadores precisam
tomar conhecimento da nova ordem que norteia os empregadores em sintonia
com os tempos atuais. As vagas dessas empresas não são mais
preenchidas pelos candidatos cujo currículo é avaliado em
quilogramas ("Naufrágio curricular", Ponto de vista, 29 de maio). De
forma simples, Claudio de Moura Castro esclareceu perfeitamente a razão
principal da falta de conhecimento dos estudantes brasileiros: a estagnação
do sistema educacional. Esta faz com que os alunos apenas decorem e não
apliquem na prática os conhecimentos adquiridos, o que é
uma lástima. Como
estudante do terceiro ano do ensino médio, sinto-me muitas vezes
submetido à sufocante necessidade de reter uma imensa gama de conhecimentos,
freqüentemente supérfluos. É importante também
criticar o conteúdo programático dos exames vestibulares,
que exigem de aspirantes a engenheiro informações de biologia
úteis apenas, profissionalmente, a candidatos aos cursos da área
de saúde. O
ponto de vista de Claudio de Moura é excelente por mostrar a realidade
de uma forma mais clara ao referir-se à educação.
Acho que a maioria dos estudantes se limita a decorar fórmulas
e textos para atingir um objetivo único, ou seja, ser aprovado
em testes. Fiquei
maravilhado por perceber que existem pessoas preocupadas com o rumo apressado
que a vida moderna impõe à educação; e chocado
por esse texto ter servido de espelho para mim, pois sou professor e acabo
de notar que até então estava repetindo um método
exaustivo que sufoca com superficiais "exatidões" o exercício
de pensar.
É
assustadora e preocupante a falta de capacidade administrativa do PT e
de seus integrantes. Com tantos problemas a ser resolvidos na cidade de
São Paulo, dona Marta Suplicy pretende gastar o dinheiro do contribuinte
com a pintura eleitoreira dos caminhões de lixo. Como sugestão,
poderia também ser pintada a cara dos paulistanos. De palhaço...
("Só falta a estrela", 29 de maio).
Como o Arc, eu também não entendo por que tanto fuzuê
em torno das eleições e, o que é pior, tão
cedo. Eles poderiam iniciar a propaganda eleitoral uma semana antes do
pleito. Só assim não haveria a possibilidade de tudo mudar
tão de repente ("Arc e as pesquisas eleitorais", 29 de maio).
Com relação à reportagem "O V da vitória.
A vitória do marketing" (29 de maio), segundo a qual os tucanos
associam o candidato Lula ao risco de transformar o Brasil numa Argentina,
vejo o contrário. Lula poderá mirar-se no presidente Roosevelt
e, por meio de uma política de "boa vizinhança", ajudar
a Argentina a transformar-se num Brasil. Inteligentíssima
a escolha de Rita Camata (PMDB-ES) para a vaga de vice na chapa de José
Serra à Presidência. Mulher, jovem, madura, parlamentar das
mais combativas e atuantes na Câmara dos Deputados, musa da Constituinte
de 1988, redatora do Estatuto da Criança e do Adolescente, curiosa
dos temas sociais, Rita em boa hora dá charme, brilho e leveza
a uma dobradinha antes morna e sem sal, em que pese o preparo técnico
de Serra. Trata-se de a Bela e a Fera em versão tupiniquim. Que
venha o horário eleitoral ("Estranha no ninho tucano", 29 de maio).
Escolhi Florianópolis para morar há cerca de dois anos.
Não poderia ter feito melhor! O Estado de Santa Catarina enche
de orgulho até mesmo a nós, migrantes, que nos encantamos
com esta gente, esta terra. Aqui, neste pedacinho de Brasil, dá
até para dizer que "este é um país sério".
Pena que os outros Estados do Brasil não tenham a mesma postura
dos (agora) nossos governantes daqui ("Onde as coisas dão certo",
29 de maio). Excelente
a reportagem sobre Santa Catarina. Em meio a tantas notícias ruins,
enfim novidades muito positivas de um Brasil que dá certo. Comparo
Santa Catarina àquele filho de uma grande família que deu
certo. Aquele que sempre estudou, começou a trabalhar cedo, não
fuma, não bebe e sempre cumpre suas obrigações. Sou
mineiro e queria cumprimentar os governantes catarinenses, que transformaram
o Estado de Santa Catarina numa potência nacional, provando que
a educação é o principal meio para o desenvolvimento
de um povo. Vamos seguir esse exemplo e tornar o Brasil um país
melhor. Quem
conhece a gênese e o desenvolvimento dos aglomerados industriais
de Santa Catarina sabe que, se ostentamos bons índices de desenvolvimento
industrial, isso não tem nada a ver com continuidade administrativa,
reinados etc. Uma explicação bem-humorada pode ser a de
que Santa Catarina é um dos Estados onde o governo menos atrapalhou. Sempre
me achei suspeito ao falar de Santa Catarina, minha terra natal. A reportagem
de VEJA, no entanto, veio me trazer, além de satisfação,
a certeza de que meus olhos não estavam exagerando ou vendo coisas
que só existiam nos ideais bairristas dos prepotentes e gananciosos.
A todos que me questionam, principalmente sobre a região do Vale
do Rio do Peixe, que infelizmente ficou à margem da reportagem,
eu digo: "Ali se vive!" E vejo que não exagerei. Moro
em Florianópolis há quase cinco anos. Estou entre os inúmeros
paulistas que migraram com a expectativa de uma vida melhor, mais tranqüila,
a tão sonhada qualidade de vida. Hoje, devido à superpopulação,
os recursos básicos estão se tornando cada vez mais escassos.
A Lagoa da Conceição, cartão-postal da cidade, está
morrendo, imunda. Em determinados pontos, o cheiro é insuportável.
Sobre a reportagem "Aviso salvador" (29 de maio), que descreve o sistema
eletrônico de aviso de colisão com o terreno (EGPWS), gostaria
de informar que toda a frota da Gol, hoje composta de quinze aeronaves
737-700/800, possui esse sistema de prevenção.
Sou médico-cirurgião há catorze anos. Nunca vi tanta
besteira como esses colegas que se autopromovem com aplicações
de substâncias experimentais. Tanto dinheiro despendido em tamanha
bobagem! Deviam empregar seus conhecimentos para salvar vidas, a verdadeira
função da medicina ("Faça o que eu faço",
29 de maio).
Parabéns a VEJA pela matéria "'Tá a fim?' 'Não,
tô fora!'" (29 de maio). Na maioria dos casos, os que fazem uso
de drogas não têm um bom relacionamento com a família
e buscam nelas o que gostariam de receber no lar. Mas nem todas essas
pessoas se encaixam nessa regra. Há exceções, como
os jovens que têm tudo o que desejam mas, não satisfeitos,
ainda buscam mais. É bom saber que existem jovens com bons princípios
e valores morais que não pensam em entrar nessa "droga"!
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