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O paciente terminal e a ética médica "Escrevo
diante da cama hospitalar no quarto da minha filha Ana Luíza, VEJA
conscientiza a população sobre um dos momentos mais difíceis
a ser enfrentados por médicos que tratam de vítimas de doenças
terminais: justamente o de esclarecer pacientes e familiares sobre a inutilidade
de continuar tratamentos que não levarão à cura nem ao alívio
de sintomas, mas apenas prolongarão o sofrimento. O momento traz muitas
dúvidas e decisões importantes a todos: médicos, familiares
e o próprio paciente. O novo Código de Ética Médica
oferece aos profissionais de saúde a possibilidade de levar mais qualidade
de vida a esses pacientes em sua fase final. O
novo Código de Ética deixa claro que, em caso de doença terminal,
o médico não se deve valer de ações obstinadas para
evitar a morte inevitável. Em vez disso, deve oferecer cuidados paliativos
a seu paciente. Mas analgésicos, quando causam "sono profundo",
estão sendo usados em doses altas e inapropriadas, que frequentemente aceleram
a morte. Isso é crime no Brasil e configura má prática médica,
mesmo que o paciente peça. Somente
quem viveu uma situação em que um ente querido está entre
a vida e a morte pode entender a franqueza e a dor dos depoimentos trazidos por
VEJA. Não pude conter as lágrimas ao ver, de um lado, a foto
e o depoimento de Claudia de Crescenzo e, de outro, um prematuro, entubado,
lutando para viver. Meu pequeno Henrique nasceu quase assim como ele, com
1 005 gramas. Muitos foram os momentos de angústia para todos nós,
que observávamos diariamente a sua vontade de viver. Minha
esposa, acometida por um câncer generalizado, encontrava-se em estado terminal.
Além de estar ciente de tudo, ela "apressou" sua ida, desejando
morrer logo. Fiquei atento a todos os seus pedidos e mantendo-a confortável
no hospital. Na hora certa, a equipe médica aplicou um coquetel de analgésicos,
pois a fase de falência respiratória havia começado. Então,
ela faleceu dormindo e em paz. Ficaram a saudade, o amor e a certeza de que tudo
foi feito em prol dela. A reportagem de VEJA me levou a fazer uma catarse daquele
momento tão triste. Tema complexo e polêmico,
oportuno e abrangente: a partida. Convém deixar registrado que também
padecem, e muito, os familiares que, junto ao paciente, querem propiciar
conforto, tirando alento de seu íntimo com muito sofrimento. Abençoados
os que partem deste mundo com leveza. Os avanços da
medicina moderna são notáveis. Enquanto o tratamento surtir efeito,
tudo deve ser feito para que a vida se prolongue. Porém, acima de tudo
e de todos, sempre deve prevalecer a vontade do paciente. Sábio é
aquele que sabe viver plenamente e aceitar quando é hora de partir.
Kátia Abreu Com
argumentos precisos, a senadora Kátia Abreu (Entrevista, 28 de abril) nos
deixa com a convicção de que ser produtor rural no Brasil é
viver cercado, de um lado, por bandidos do MST, prontos para saquear e depredar
propriedades produtivas e, de outro, pelo governo, que, motivado por preconceitos
ideológicos, trata empreendedores como criminosos, impondo-lhes normas
absurdas para continuar produzindo. Na visão tacanha dos radicais do PT,
as grandes propriedades que criam emprego e renda e contribuem para impulsionar
o PIB nacional deveriam servir à reforma agrária e, nas mãos
do MST, ser loteadas e transformadas em comunas, prontas para servir ao "nobre"
propósito da revolução socialista no Brasil. Tem razão Kátia Abreu,
presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária. Os
integrantes do MST pregam ideias contrárias à democracia e ao direito
constitucional de propriedade. Outro ponto abordado pela presidente da CNA é
o tratamento injusto dado aos produtores rurais no Brasil. Além de vítimas
frequentes do MST, os proprietários rurais são estigmatizados pelo
preconceito dos cidadãos urbanos. Deveríamos enaltecê-los
pela contribuição para a economia do país: saldo positivo
da balança comercial, arrecadação recorde de impostos e grande
oferta de produtos, que é fator primordial do controle da inflação.
Somos beneficiários do trabalho e dos resultados do agronegócio.
Fôssemos um povo adepto da meritocracia, teríamos os produtores rurais
no mais alto conceito. Precisamos de pessoas como Kátia
Abreu, positiva, com argumentos concretos e sólidos, para que o Brasil
passe a ser um país de fato respeitado. Chega de ideologias ultrapassadas.
Vamos para a frente! Temos potencial. Parabéns a Kátia pelo seu
empenho no agronegócio. A senadora Kátia
Abreu, agora tão preocupada com a impunidade que se pretende conceder aos
invasores de fazendas, dizendo que se trata de uma ameaça ao direito de
propriedade e que provoca insegurança jurídica, deveria ter se lembrado
disso quando esteve na Comissão de Constituição e Justiça
que aprovou a "PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do Calote". Conceder
à administração pública o privilégio de não
pagar precatórios também subverte a ordem jurídica. Para
o proprietário, é indiferente perder o seu bem para o invasor de
camisa vermelha ou para o agente engravatado do governo que o desapropria e não
lhe paga.
Condecoração de Marisa e companheiras A Ordem de Rio Branco representa "o
reconhecimento do governo brasileiro a atitudes que estimulem a prática
de ações e feitos honrosos, bem como distinguir serviços
meritórios e virtudes cívicas". Assim sendo, o que fizeram
as senhoras citadas na nota "As condecoradíssimas" (Gente,
28 de abril) para merecer tal distinção? Ao lembrar que a inesquecível
Zilda Arns recebeu, anos atrás, a mesma condecoração, vemos
que os critérios para a concessão da comenda mudaram muito, e para
pior. Se essas senhoras tivessem um mínimo
de dignidade, recusariam a comenda. Afinal, quais foram os feitos honrosos? Para
uma delas foram plásticas, aplicações de Botox, cidadania
italiana... Em vez de aplausos, vaias! Em 1990, fui convidado pelo
alto-comando do Exército a receber a comenda da Ordem de Rio Branco e a
medalha do Pacificador. Recusei o honroso oferecimento por não aceitar
homenagem de uma entidade, no caso o Exército, que tinha então Fernando
Collor de Mello como chefe supremo. Também, no meu íntimo, não
me considerava credor de tão relevante honraria. Hoje, ao saber que tal
homenagem foi outorgada à dona Marisa Letícia, fico de alma lavada
por não tê-la aceitado. É revoltante ver essas senhoras condecoradas
com a Ordem de Rio Branco. Como o desgoverno está em fim de festa,
tudo será possível até o final do ano. Que
grandissíssima falta de vergonhíssima na cara! Com que tristezíssima
estou ficando de ser brasileiríssima!
Lya Luft Não é nada romântico observar famílias
inteiras ladeadas pela pobreza e moradoras de áreas de risco,
com o mundo prestes a desabar sobre suas cabeças a qualquer momento
("Os pais do lixo", 28 de abril). O fim dessa lástima só
virá quando os "pais do lixo" renegarem a sua cria, limparem a
sujeira na política brasileira e, assim, acolherem os filhos
desta nação.
Institutos de pesquisas na corrida presidencial A reportagem "A gangorra dos números"
(28 de abril) ajuda a esclarecer como as pesquisas de intenção de
voto são feitas, e demonstra que nem sempre os resultados são precisos.
As pessoas acabam se baseando nas pesquisas e deixam de insistir em suas opiniões
e ideais. VEJA abriu os olhos dos leitores para a realidade escondida atrás
dos números. Pesquisas de intenção
de voto servem para que os organizadores das campanhas eleitorais adotem
medidas adequadas para obter resultados positivos. No entanto, não se descarta
a utilização dos números como propaganda intimidatória.
O eleitor precisa ter a sensibilidade de acompanhar as manobras e escolher
em quem vai votar mediante a seriedade e a clareza das propostas apresentadas.
Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu O subtítulo da reportagem
"Como fazer... e como não fazer" (28 de abril) balizou as trapalhadas
governamentais. O sinal amarelo já estava aceso bem antes do leilão,
quando "as duas construtoras mais capacitadas para executar o projeto, a
Odebrecht e a Camargo Corrêa, nem chegaram a entrar na disputa", como
bem informou VEJA. Tal situação é agravada pelo fato de que
o consórcio vencedor "reúne empresas com poucas credenciais
para um projeto de tamanha magnitude". Urge ao presidente Lula e a seus ministros
aprenderem que não se constroem obras com bravatas. Assim como está,
a construção de Belo Monte será um tremendo fiasco. A construção da Hidrelétrica
de Belo Monte, no Rio Xingu, tem de ser estudada a fundo, pois o clima na Amazônia
é muito diferente daquele do Sul e Sudeste. Lá chove mais de 500
milímetros por mês no primeiro semestre (às vezes não
tanto) e muito pouco no segundo semestre. Morei no Amapá e toda a energia
da minha cidade vinha de uma hidrelétrica no Rio Araguari. Quando chegava
a temporada seca, faltava luz na cidade de Macapá e nos arredores, a ponto
de se fazer racionamento mesmo apelando para a compra de energia gerada
por óleo combustível pela extinta Mineração Serra
do Navio. A energia é necessária e urgente, mas isso não
é leilão para fazer em fim de governo, ficar com as "glórias"
e então empurrar os problemas para outro.
Brasília após o escândalo Arruda A reportagem "O primeiro
desafio" (28 de abril) informa que o bando de malfeitores que saqueia Brasília
afronta a sociedade e diz que há chance de o povo reconduzir o chefe
do bando (Joaquim Roriz), mais uma vez, ao mais alto cargo da capital do
país. O que se verifica é uma sintonia entre os corruptos e a sociedade,
que ou é tão corrupta quanto os malfeitores que elege para representá-la
e isso explica por que tantos deles são eleitos e reeleitos neste país
ou é tão imatura que os seus cidadãos bem que
poderiam sair papagaiando por aí: "Somos brasileiros e não
aprendemos nunca". Na ciência política, entende-se por legitimidade
a aceitação pela sociedade da forma como o poder está sendo
exercido em determinado momento. Qual a aceitação popular de uma
eleição indireta em que oito dos 24 deputados distritais
estavam envolvidos no esquema de corrupção? Por que esses oito
deputados que foram impedidos de destituir o governador eleito (o TJ-DF os
vetou de participar do processo de impeachment de Arruda) puderam instituir
governador-tampão? Direito é lógica e bom senso. Governar
é fazer crer. E a crença na política do Distrito Federal inexiste.
Cartas de intelectuais para dom Pedro II Muito interessante a
reportagem "A razão nos trópicos" (28 de abril), que aborda
os feitos do imperador dom Pedro II relacionados com a ciência da época.
Acrescento um dos seus maiores méritos: ele foi o precursor, por meio de
decreto imperial, da implantação do sistema métrico
decimal no Brasil. Até então vigorava o arcaico sistema português
de medidas. O sistema métrico significou grande avanço na ciência,
na tecnologia e no comércio do país. É interessante notar
que até os dias atuais certas unidades de medida resistem ao tempo; os
exemplos mais evidentes são a arroba no comércio de carnes bovina
e suína e o sistema de classificação dos pregos. Também
devemos salientar que o decreto de dom Pedro II encontrou grande resistência
popular, ensejando até uma pequena rebelião: a "Guerra do quebra
quilo"!
Vacina para bebês prematuros Parabenizo VEJA pela belíssima
reportagem "Pulmões a salvo" (28 de abril). O palivizumabe é
igualmente importante para as crianças portadoras de cardiopatia congênita
e, por isso, é distribuído em postos de vacinação
de diversos estados brasileiros também para esse público. É
de suma importância a vacinação para a proteção
dos pulmões dos pequenos cardiopatas.
Bernardo Paz e seu instituto Nós, brumadinhenses, temos de nos orgulhar por ter em nosso
município um instituto de arte contemporânea e beleza natural de
fama e renome mundiais, graças à ousadia e obsessão do
empresário mineiro Bernardo Paz ("O imperador de Inhotim",
28 de abril). O Instituto Cultural Inhotim pode não ser uma perfeição
(como nada é), mas é um dos maiores museus a céu aberto
do mundo, com um grande número de obras de renomados artistas contemporâneos
expostas de maneira inusitada entre uma vegetação exuberante e
no meio do cerrado mineiro. É uma viagem fantástica andar entre
esse acervo. Onde, no mundo, vemos algo assim?
Grace Kelly A reportagem "Demos graças a Grace" (28 de abril),
sobre a atriz Grace Kelly, serviu para lembrar às fashion victims que classe e elegância não estão à venda.
São algo inato e perene.
Leon Fleisher Maravilhoso saber que o "frívolo"
Botox, que geralmente se presta a encher peles, pode resgatar genialidades como
a do pianista americano Leon Fleisher e ajudar a manter a beleza da música
clássica - uma ilha paradisíaca - nesse tão conturbado
e barulhento mundo musical ("A mão mais jovem", 28 de abril). VEJA noticiou o caso do pianista americano Leon Fleisher, similar
ao do oboísta gaúcho Alex Klein e ao do pianista paulistano João
Carlos Martins. Contrações musculares involuntárias parecem
um insidioso paradoxo a comprometer o homem no ponto mais sensível de
sua atividade. Advogado dedicado a sustentações orais, também
convivo, há décadas, com um espasmo hemifacial, do mesmo gênero
patológico. Efetivamente, somente a toxina botulínica (Botox)
produz resultado satisfatório em cerca de 80% a 90% dos pacientes. Sei,
porém, que não são recomendáveis aplicações
botulínicas mensais, como faz Leon Fleisher, considerada a hipótese
de efeitos colaterais graves. O ideal é a aplicação entre
três e seis meses, sob rigoroso critério de profissional especializado.
Presidenciáveis Agradeço a VEJA as reportagens de capa da edição
2 153 (sobre Dilma
Rousseff) e da edição 2 161 (sobre José
Serra). Dessa forma, nós, eleitores, podemos conhecer melhor o futuro
presidente do Brasil. Preparem outras reportagens equivalentes sobre os demais
candidatos.
Leitor Não é surrealista imaginar que o Brasil seria
considerado o país mais democrático do mundo se elegesse
Serra presidente e Dilma vice - opinião do leitor Petuel Preda (Leitor,
28 de abril). Não seria, porém, o mais inteligente.
Serra teria dificuldade em expurgar a "cumpanheirada" e
se livrar do espectro de mensalões, dossiês, dinheiro nas
cuecas e namoro com governos autoritários. Concordo com a leitora Joanice Almeida, na edição
2 162 (28 de abril). O incrível aconteceu no programa Caldeirão
do Huck. Detonaram o garoto Daniel por não saber soletrar um neologismo
da nossa língua. Sou formado em letras e, com muita dificuldade, consegui
montar mentalmente essa palavra (kirsch).
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