Imagem da Semana
Bate
que eles gostam
É isso que a oposição
acha do acordo pelo qual
a Ucrânia deu aquilo que os russos mais
queriam

Vilma Gryzinski
Sergei Supinsky/AFP
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Pancadaria, chuva de ovos,
fumacê, vários narizes sangrando e muitos egos arranhados. Os cínicos
diriam que foi praticamente um dia normal no Parlamento da Ucrânia, mas
o acordo que provocou tanta ira é tudo, menos rotineiro. Foi um toma lá
dá cá em escala gigantesca: o governo ucraniano concordou em prorrogar
até o ano de 2042 o uso da base naval que dá aos russos acesso a
todo o Mar Negro; em troca, a Rússia deu um descontão de 30% no
preço que a Ucrânia paga pelo gás natural. Um bom negócio
econômico e energético a Ucrânia depende totalmente
do gás do vizinho. Mas, do ponto de vista nacionalista, uma tragédia.
Como tudo o que concerne aos antigos países-satélite da União
Soviética, traumas indescritíveis tumultuam as relações
com a Rússia pós-comunismo e, no caso da Ucrânia, outros
mais recentes, como intervenções deslavadas e até a misteriosa
doença que cobriu de chagas o rosto do ex-presidente Viktor Yushchenko.
Reconheça-se, no entanto, que Yushchenko fez um governo ruim de doer e
foi legitimamente substituído por um xará, Viktor Yanukovich, identificadíssimo
com
a Rússia órfão que "andava descalço
pelas ruas" (na Ucrânia, com invernos de 40 graus abaixo de zero),
condenado duas vezes por assalto e lesão corporal, recuperou-se e
fez carreira quase no finzinho do comunismo soviético. Manteve as boas
relações. Quando Vladimir Putin foi a Kiev selar o acordo do Mar
Negro, insistiu que o desconto na conta de gás era coisa entre amigos.
"Por esse preço, eu poderia ter comido Yanukovich e o primeiro-ministro
juntos", disse, com a sutileza habitual. Hummmm...
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