Edição 1852 . 5 de maio de 2004

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TELEVISÃO

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Pacino e Meryl, em Angels in America: vidas que se cruzam por causa da aids


Angels in America
(Estréia no domingo, dia 9, às 21h, na HBO) – Nos anos 80, quando a ciência engatinhava no estudo da aids, a doença teve efeito devastador sobre a comunidade gay nova-iorquina. Essa minissérie oferece um retrato pungente do período. Ganhador de cinco Globo de Ouro, o programa tem seis horas de duração (a HBO exibirá metade no dia 9 e o restante no dia 16). Adaptação da peça do americano Tony Kushner, Angels focaliza seis personagens cujas vidas se cruzam em razão da aids. Trata-se, sobretudo, de uma denúncia da hipocrisia que cercava o tema na época. Meryl Streep interpreta a mãe de um mórmon que é homossexual enrustido. Al Pacino surge na pele de uma figura da vida real: Roy Cohn, advogado ultraconservador que faz de tudo para manter as aparências ao ser acometido pela doença.

 

DVDs

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Michael Moore: reportagem corrosiva


Roger & Eu
(Roger & Me,
Estados Unidos, 1989. Warner) – O "eu" do título designa o agitador (e narcisista) profissional Michael Moore, hoje mais conhecido pelo documentário Tiros em Columbine. No fim dos anos 80, Moore lançou sua carreira com essa reportagem corrosiva sobre a morte de sua cidade natal – Flint, no Estado de Michigan – em razão do fechamento de onze fábricas da General Motors. O culpado: Roger Smith, então presidente da corporação, que transferiu os cerca de 30.000 empregos cortados em Flint para o México, onde a mão-de-obra era muito mais barata. Numa série de seqüências hilariantes, Moore persegue o executivo por clubes e restaurantes, ao mesmo tempo que compõe um retrato sinistro da indiferença do poder público e corporativo nos Estados Unidos.

Caçada Humana (The Chase, Estados Unidos, 1966. Columbia) – Bubber Reeves fugiu da prisão, e em sua cidade essa notícia cai como uma faísca num paiol de pólvora. Alimentados pelo tédio, ignorância, ganância e mesquinharia, os moradores pouco a pouco fazem de Bubber – papel de Robert Redford – o alvo de uma cruzada, contra a qual a sensatez do xerife local (Marlon Brando) é uma barreira obviamente insuficiente. O roteiro da dramaturga Lillian Hellman e a direção de Arthur Penn manejam de forma soberba esse material: o ritmo – e a sensação de asfixia – cresce exponencialmente, até que não haja outro desfecho possível que não a catástrofe. O elenco conta ainda com Jane Fonda e Angie Dickinson.

 

LIVROS

O Círculo dos Mentirosos, de Jean-Claude Carrière (tradução de Cláudio Figueiredo; Códex; 420 páginas; 42 reais) – Carrière é conhecido como dramaturgo e roteirista de cinema. Já trabalhou com cineastas do calibre de Luis Buñuel e Louis Malle. Seu nome, porém, é talvez o que menos importa nesse livro. Os verdadeiros autores, afinal, são os "mentirosos" referidos no título: antigos e sábios contadores de histórias cujos nomes foram esquecidos ao longo dos séculos. O escritor francês recolheu lendas, anedotas e fábulas de várias tradições orais e as organizou em 21 capítulos temáticos. Há ensinamentos de mestres zen, de dervixes, de rabinos, em histórias geralmente curtas. E o bom é que a inteligência e o humor dessas anedotas superam em muito seus eventuais intuitos moralizantes.

Além do Fim do Mundo, de Laurence Bergreen (tradução de Ana Luiza Dantas Borges; Objetiva; 460 páginas; 57,90 reais) – O navegador português Fernão de Magalhães zarpou da Espanha, em 1519, decidido a chegar até as especiarias do Oriente seguindo o rumo do oeste. Ele provou que a nova rota era navegável, contornando a América pelo estreito que hoje leva o seu nome. Magalhães morreu em uma batalha nas Filipinas, em 1521, e apenas um dos cinco navios de sua frota retornou à Espanha. A história dessa pioneira circunavegação do mundo é reconstituída pelo jornalista americano Laurence Bergreen em uma narrativa que mistura a sólida reportagem com um certo tom de romance de aventura. Leia trechos.

 

DISCOS

Twentysomething, Jamie Cullum (Universal) – O cantor e pianista de 24 anos é a resposta da Inglaterra ao fenômeno Norah Jones. A exemplo da artista americana, Cullum traduz a linguagem do jazz para as platéias jovens. A diferença é que Cullum é mais abusado do que Norah Jones. Combina músicas tradicionais com hits da era do rock, e suas apresentações ao vivo têm um quê de "performáticas" – Cullum chega a martelar o piano para dar um ar punk ao seu show. Twentysomething é o CD de estréia do artista pela Universal, que pagou 1,8 milhão de dólares pelo seu passe. A versão dele para Wind Cries Mary, de Jimi Hendrix, e a cover de Singin' in the Rain provam que o investimento foi válido.

 
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N.E.R.D.: garantia de uma festa animada  

Fly or Die, N.E.R.D. (EMI) – Produtora dos principais artistas do pop dos Estados Unidos (como Justin Timberlake e Britney Spears), a dupla formada por Pharrell Williams e Chad Hugo esbanja criatividade em dois projetos diferentes. Sob o nome de Neptunes, eles lançam discos de rap. Já o N.E.R.D. fica mais próximo do rock – apesar de contar com um rapper, Shay Hayley, em sua formação. Segundo disco do grupo, Fly or Die combina a guitarra psicodélica de Jimi Hendrix aos experimentos funk de Prince. Nem mesmo uma canção de sete minutos, Wonderful Place, soa chata: ela muda de ritmo várias vezes. As faixas She Wants to Move e Maybe (que tem participação especial de Lenny Kravitz) são garantia de uma festa animada.

 

 

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