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Televisão
Animações
brasucas
Emissoras
nacionais investem nos desenhos
animados como recurso humorístico

Ricardo
Valladares
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| Os
apresentadores da MTV transformados em super-heróis:
eles adoraram o desenho e estão brigando para dublar
mais falas |
A televisão
brasileira está empolgada com um novo recurso humorístico:
o desenho animado de produção própria. A mais
ambiciosa experiência desse tipo estreou na semana passada,
na MTV. É a série Mega-Liga MTV de VJs Paladinos.
Ao longo do ano, vinte episódios deverão ir ao ar,
com trinta minutos cada um. Em outras emissoras, as animações
tornaram-se quadros de alguns programas. Na Globo, o recém-concluído
Big Brother 4 as utilizava semanalmente para recontar histórias
absurdas narradas pelos participantes. O Casseta & Planeta
empregou o recurso em suas primeiras edições na temporada
2004, parodiando desenhos estrangeiros conhecidos. A família
Suplicy (dos políticos petistas Marta e Eduardo e do roqueiro
Supla) converteu-se na família Suplisimpson, enquanto o ingênuo
personagem infantil Bob Esponja ressurgiu como um alcoólatra
desavergonhado o Bebum Esponja. Sátiras aos desenhos
Pica-Pau e As Meninas Superpoderosas (que serão
substituídas por ministros do governo Lula) estão
programadas. O humorístico Pânico, da Rede TV!,
e o esportivo Esporte Total, da Bandeirantes, também
descobriram nos desenhos animados um ingrediente para pôr
pimenta no noticiário sobre artistas e jogadores de futebol.
Divulgação
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| Bebum
Esponja: sátira do Casseta & Planeta |
Pouco tempo atrás, seria impensável utilizar animações
dessa maneira na TV nacional. A produção de um desenho
era demorada e cara demais. O surgimento de programas de computador
especialmente desenvolvidos para essa finalidade fez com que os
custos e o tempo de produção despencassem. Tornou-se
possível compor, num estúdio caseiro, animações
com qualidade de imagem bastante satisfatória bastando
um investimento de cerca de 10.000 reais
em software e equipamentos. Cada animação do Big
Brother 4, por exemplo, custou apenas 2.000
reais à Globo e às vezes era feita horas antes
de ir ao ar. Essa agilidade na manipulação das imagens
é crucial na TV, pois permite transformar o noticiário
em matéria-prima dos desenhos. Na semana passada, por exemplo,
o Pânico usou a prisão do ator Marcello Antony,
flagrado dias antes ao comprar maconha em Porto Alegre, como mote
de uma charge eletrônica. Essa parece ser, aliás, a
principal tendência da TV brasileira ao usar desenhos: satirizar
gente de carne e osso. Mesmo a Liga MTV, mais próxima
da ficção, deve investir nesse sentido. Além
de ter os VJs da emissora transformados em super-heróis,
cada episódio contará com "participações
especiais". No primeiro, apareceram barbudos como o ditador cubano
Fidel Castro e os enjoados músicos da banda brasileira Los
Hermanos. A intenção, sempre que possível,
é que a celebridade real duble o seu personagem como
acontece em Os Simpsons, nos Estados Unidos. "Os Los Hermanos
não toparam, mas isso vai mudar", diz o diretor Cacá
Marcondes. "Foi assim com os apresentadores da MTV. No começo
relutaram. Hoje brigam para dublar mais falas."
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