Edição 1852 . 5 de maio de 2004

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Televisão
Animações brasucas

Emissoras nacionais investem nos desenhos
animados como recurso humorístico


Ricardo Valladares

Os apresentadores da MTV transformados em super-heróis: eles adoraram o desenho e estão brigando para dublar mais falas

A televisão brasileira está empolgada com um novo recurso humorístico: o desenho animado de produção própria. A mais ambiciosa experiência desse tipo estreou na semana passada, na MTV. É a série Mega-Liga MTV de VJs Paladinos. Ao longo do ano, vinte episódios deverão ir ao ar, com trinta minutos cada um. Em outras emissoras, as animações tornaram-se quadros de alguns programas. Na Globo, o recém-concluído Big Brother 4 as utilizava semanalmente para recontar histórias absurdas narradas pelos participantes. O Casseta & Planeta empregou o recurso em suas primeiras edições na temporada 2004, parodiando desenhos estrangeiros conhecidos. A família Suplicy (dos políticos petistas Marta e Eduardo e do roqueiro Supla) converteu-se na família Suplisimpson, enquanto o ingênuo personagem infantil Bob Esponja ressurgiu como um alcoólatra desavergonhado – o Bebum Esponja. Sátiras aos desenhos Pica-Pau e As Meninas Superpoderosas (que serão substituídas por ministros do governo Lula) estão programadas. O humorístico Pânico, da Rede TV!, e o esportivo Esporte Total, da Bandeirantes, também descobriram nos desenhos animados um ingrediente para pôr pimenta no noticiário sobre artistas e jogadores de futebol.

Divulgação
Bebum Esponja: sátira do Casseta & Planeta


Pouco tempo atrás, seria impensável utilizar animações dessa maneira na TV nacional. A produção de um desenho era demorada e cara demais. O surgimento de programas de computador especialmente desenvolvidos para essa finalidade fez com que os custos e o tempo de produção despencassem. Tornou-se possível compor, num estúdio caseiro, animações com qualidade de imagem bastante satisfatória – bastando um investimento de cerca de 10.000 reais em software e equipamentos. Cada animação do Big Brother 4, por exemplo, custou apenas 2.000 reais à Globo – e às vezes era feita horas antes de ir ao ar. Essa agilidade na manipulação das imagens é crucial na TV, pois permite transformar o noticiário em matéria-prima dos desenhos. Na semana passada, por exemplo, o Pânico usou a prisão do ator Marcello Antony, flagrado dias antes ao comprar maconha em Porto Alegre, como mote de uma charge eletrônica. Essa parece ser, aliás, a principal tendência da TV brasileira ao usar desenhos: satirizar gente de carne e osso. Mesmo a Liga MTV, mais próxima da ficção, deve investir nesse sentido. Além de ter os VJs da emissora transformados em super-heróis, cada episódio contará com "participações especiais". No primeiro, apareceram barbudos como o ditador cubano Fidel Castro e os enjoados músicos da banda brasileira Los Hermanos. A intenção, sempre que possível, é que a celebridade real duble o seu personagem – como acontece em Os Simpsons, nos Estados Unidos. "Os Los Hermanos não toparam, mas isso vai mudar", diz o diretor Cacá Marcondes. "Foi assim com os apresentadores da MTV. No começo relutaram. Hoje brigam para dublar mais falas."

 

 
 
 
 
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