Edição 1852 . 5 de maio de 2004

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Música
Repentistas visuais

O mundo pop tem um novo personagem: o VJ,
que mistura imagens como o DJ mistura sons


Sérgio Martins


Renata Ursaia
Integrante do grupo Bijari, na última edição do Skol Beats: capacidade de improvisar

Disfarçada sob um velho nome, uma nova profissão desponta no cenário musical. É a de videojóquei, ou VJ, que não se confunde com a atividade homônima de apresentar clipes em programas de televisão. O que os VJs recém-surgidos fazem é mixar imagens e projetá-las em telões durante um show, assim como os DJs misturam sons. Os dois personagens, aliás, costumam trabalhar em parceria. Enquanto um vasculha sua caixa de discos em busca das melhores canções para animar uma platéia, o outro procura em seu computador vídeos e fotografias que tenham a ver com o espírito da música que sai das caixas. "Somos repentistas visuais", diz Alexis Anastasiou, de 28 anos. Primeiro brasileiro a despontar nesse mercado, Alexis já tem cinco anos de carreira e mais de 300 apresentações no currículo. Ele embolsa 3.000 reais por apresentação – cachê mais alto que o de alguns DJs iniciantes.


Divulgação
A última turnê do grupo Rush: dragão digital que solta labaredas


A idéia de projetar imagens num telão durante um show musical é bastante antiga. Ainda nos anos 60, grupos de rock psicodélico exibiam, no fundo do palco, cenas de água e óleo em movimento, para ajudar o público a "viajar" com suas composições. Mais recentemente, tornou-se comum em mega-shows de rock o emprego de telas gigantes em que aparecem os músicos e o público ao vivo, e às vezes alguns clipes pré-gravados. Os recursos estão cada vez mais sofisticados. Por exemplo: na turnê Vapour Trails, de 2002, o trio canadense Rush interagiu com um enorme dragão digital que dançava e soltava labaredas pelo palco. O Rush contratou um VJ para criar esses efeitos, mas nesse caso a programação visual do show fora estudada com antecedência. Ou seja, não se trata de um exemplo típico do trabalho dos melhores VJs, que tem na improvisação o seu ponto-chave.

A ascensão dos VJs tem a ver com o crescimento da música eletrônica no mundo todo. Como esse estilo freqüentemente prescinde do canto e das letras, a projeção de imagens tornou-se uma forma de dar um "tema" às canções. Na semana retrasada, o Skol Beats, o maior festival eletrônico do país, reuniu os principais VJs nacionais em mais de dezessete horas de apresentação. "O cachê nem foi tão polpudo, mas a oportunidade de trabalhar com DJs famosos do exterior era imperdível", diz Giuliano Scandiuzzi, um dos líderes do grupo multimídia Bijari. O espaço dos VJs deve aumentar com a criação, ainda neste ano, do VisualFarm. Será uma espécie de escola em São Paulo, dedicada a formar talentos e promover o intercâmbio com artistas do exterior.

 
 
 
 
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