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Música
Repentistas
visuais
O
mundo pop tem um novo personagem: o VJ,
que mistura imagens como o DJ mistura sons

Sérgio
Martins
Renata Ursaia
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| Integrante
do grupo Bijari, na última edição do Skol
Beats: capacidade de improvisar |
Disfarçada
sob um velho nome, uma nova profissão desponta no cenário
musical. É a de videojóquei, ou VJ, que não
se confunde com a atividade homônima de apresentar clipes
em programas de televisão. O que os VJs recém-surgidos
fazem é mixar imagens e projetá-las em telões
durante um show, assim como os DJs misturam sons. Os dois personagens,
aliás, costumam trabalhar em parceria. Enquanto um vasculha
sua caixa de discos em busca das melhores canções
para animar uma platéia, o outro procura em seu computador
vídeos e fotografias que tenham a ver com o espírito
da música que sai das caixas. "Somos repentistas visuais",
diz Alexis Anastasiou, de 28 anos. Primeiro brasileiro a despontar
nesse mercado, Alexis já tem cinco anos de carreira e mais
de 300 apresentações no currículo. Ele embolsa
3.000 reais por apresentação
cachê mais alto que o de alguns DJs iniciantes.
Divulgação
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| A
última turnê do grupo Rush: dragão digital
que solta labaredas |
A idéia de projetar imagens num telão durante um show
musical é bastante antiga. Ainda nos anos 60, grupos de rock
psicodélico exibiam, no fundo do palco, cenas de água
e óleo em movimento, para ajudar o público a "viajar"
com suas composições. Mais recentemente, tornou-se
comum em mega-shows de rock o emprego de telas gigantes em que aparecem
os músicos e o público ao vivo, e às vezes
alguns clipes pré-gravados. Os recursos estão cada
vez mais sofisticados. Por exemplo: na turnê Vapour Trails,
de 2002, o trio canadense Rush interagiu com um enorme dragão
digital que dançava e soltava labaredas pelo palco. O Rush
contratou um VJ para criar esses efeitos, mas nesse caso a programação
visual do show fora estudada com antecedência. Ou seja, não
se trata de um exemplo típico do trabalho dos melhores VJs,
que tem na improvisação o seu ponto-chave.
A
ascensão dos VJs tem a ver com o crescimento da música
eletrônica no mundo todo. Como esse estilo freqüentemente
prescinde do canto e das letras, a projeção de imagens
tornou-se uma forma de dar um "tema" às canções.
Na semana retrasada, o Skol Beats, o maior festival eletrônico
do país, reuniu os principais VJs nacionais em mais de dezessete
horas de apresentação. "O cachê nem foi tão
polpudo, mas a oportunidade de trabalhar com DJs famosos do exterior
era imperdível", diz Giuliano Scandiuzzi, um dos líderes
do grupo multimídia Bijari. O espaço dos VJs deve
aumentar com a criação, ainda neste ano, do VisualFarm.
Será uma espécie de escola em São Paulo, dedicada
a formar talentos e promover o intercâmbio com artistas do
exterior.
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