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Educação
As
melhores da turma
As
cidades que conseguiram colocar mais
jovens
na universidade na idade certa

Monica
Weinberg
Divulgação
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| Faculdade
em São Caetano: indústria alavancou o ensino |
Um
estudo do Ministério da Educação, com base
em dados do IBGE, apontou as cidades do Brasil com maior concentração
de jovens com idade entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior.
É uma medida importante o número de universitários
nessa faixa etária funciona como um termômetro da qualidade
de ensino. Isso porque o fato de um estudante chegar à universidade
aos 18 anos demonstra que sua vida escolar transcorreu no ritmo
esperado: ele não abandonou os estudos nem repetiu o ano.
O ranking do MEC, portanto, equivale a um ranking da eficiência
do sistema educacional nos municípios. Com base nele, a cidade
que apresenta o melhor desempenho é São Caetano do
Sul, na região metropolitana de São Paulo (veja
quadro). Lá, de cada dez jovens entre 18 e 24 anos, três
estão na universidade. A média brasileira é
bem menor: apenas um em cada dez cursa o ensino superior.
Das
dez cidades que ocupam as primeiras colocações, seis
estão na Região Sul e quatro na Região Sudeste.
"As cidades que vão bem na avaliação do MEC
são as que começaram a investir há mais tempo
em educação", diz Claudio de Moura Castro, especialista
em educação superior e articulista de VEJA. Na década
de 80, o Norte e o Nordeste conseguiam conduzir ao ensino médio
pouquíssimos jovens na idade esperada apenas 6,5%.
Já no Sul e no Sudeste essa porcentagem subia para 20%, mais
que o triplo. Cidades sulistas como Porto Alegre, Caxias do Sul,
Bento Gonçalves e Blumenau todas entre as vinte mais
bem colocadas na relação do MEC figuram entre
as primeiras cidades brasileiras a investir maciçamente no
ensino público, uma exigência do processo de industrialização
que atingiu a região no início do século XX.
"O surgimento de tecelagens e fábricas familiares criou uma
demanda por mão-de-obra mais preparada e isso alavancou o
ensino público", afirma o economista Cláudio Egler,
especialista em desenvolvimento regional da Universidade Federal
do Rio de Janeiro.
Fenômeno
parecido explica a posição de São Caetano como
a campeã do ranking do MEC. "Os resultados do estudo têm
um forte vínculo com o caminho histórico da riqueza
no Brasil", diz Egler. Depois da I Guerra Mundial, a região
de São Caetano passou a abrigar uma grande quantidade de
empresas multinacionais, como a Pirelli, a General Motors e a Rhodia.
Criou-se ali um pólo industrial vibrante, que promoveu desenvolvimento
e gerou demanda por educação. "Os trabalhadores fabris
passaram a cultivar a idéia de que, dando estudo a seus filhos,
estes poderiam galgar colocações melhores no futuro",
diz o especialista. O resultado foi a abertura de uma série
de escolas que funcionavam no pátio das fábricas da
cidade.
Em
comum, as dez campeãs na lista do MEC têm ainda renda
per capita acima da média brasileira e IDH (índice
de desenvolvimento humano, elaborado com base em dados como a renda
da população) entre os melhores do país. São
Caetano, a número 1 no ranking dos universitários,
é também a campeã de IDH, seguida de perto
por Niterói e Florianópolis. Não é surpresa
que uma cidade onde a economia tenha dinamismo e a população
mais dinheiro no bolso alcance níveis melhores na educação.
Espera-se que, numa família que viva com uma renda razoável,
as crianças freqüentem a escola, tenham tempo para os
estudos e acessem livros que contribuirão para sua educação.
Com condições favoráveis para o aprendizado,
essas crianças chegam sem grandes percalços à
universidade, como mostra o estudo do MEC. A renda ajuda, mas não
explica tudo. É preciso ressaltar que essas cidades conseguiram
um feito e tanto. Enquanto a média brasileira de evasão
do ensino fundamental é de quase 10%, em São Caetano
e Florianópolis a taxa está na casa de 3%. "Isso significa
que essas cidades, além de ter uma renda diferenciada, estão
oferecendo o melhor ensino básico", observa Ryon Braga, consultor
na área da educação.
O
trabalho do MEC serve também para ressaltar a distância
abismal que o Brasil mantém em relação aos
países mais desenvolvidos quando o assunto é educação.
Em São Caetano, o melhor exemplo brasileiro, 27,5% da população
na faixa etária entre 18 e 24 anos está na universidade,
enquanto no Chile e na Argentina mais de 30% dos jovens cursam o
ensino superior. Nos Estados Unidos, a taxa é de 80%. Pior:
entre os 5.560 municípios brasileiros, apenas 19% têm
jovens matriculados numa faculdade na faixa etária considerada
adequada. Nos 81% restantes, o levantamento mostra que eles simplesmente
inexistem.
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