Edição 1852 . 5 de maio de 2004

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Bolsa

O anúncio do lançamento de ações do
site de busca mais famoso do mundo
excita os investidores


Carlos Rydlewski

VEJA de 24/4/2002:
o sucesso do Google

Há anos não se via nada igual. O anúncio oficial de que o Google, site de busca da internet, decidiu fazer uma oferta pública inicial de ações causou uma onda de excitação entre os investidores americanos. Estima-se que a oferta atraia 2,7 bilhões de dólares, quantia similar à venda de automóveis da Fiat do Brasil. O anúncio feito por Larry Page e Sergey Brin, os dois jovens fundadores do Google, também chamou atenção pelo idealismo. Page escreveu uma longa carta destinada ao mercado. Em resumo, afirma que é possível ficar milionário sem prejuízo da ética e defende o uso gratuito do site, que tem como fontes de receita a publicidade e a venda de tecnologia. "Queremos que o Google seja uma instituição que torne o mundo um lugar melhor", frisou. Em outro ponto do comunicado, ele pede aos agentes econômicos: "Não sejam maus". A carta enfatiza, ainda, que os pequenos investidores terão uma boa fatia de ações – ao contrário do que costuma ocorrer quando uma empresa promissora abre seu capital.

Page e Brin faziam mestrado na conceituada Universidade Stanford, nos Estados Unidos, quando idealizaram em 1998 uma ferramenta de busca para facilitar as pesquisas dos internautas. Montaram o Google e hoje são bilionários. Page e Brin querem o dinheiro dos investidores sem se sujeitar a métodos ortodoxos de gestão. O estilo deles é bastante peculiar. No Google, os funcionários são incentivados a usar 20% do tempo para pensar em propostas de como melhorar a empresa. Page diz que a conquista de resultados demora e que as pressões imediatistas só atrapalham. Para defender a viabilidade da sua estratégia, utiliza os resultados da empresa. No ano passado, o faturamento cresceu 176% e fechou em 962 milhões de dólares. O lucro não pára de aumentar. No primeiro trimestre deste ano, foi de 64 milhões de dólares.

Em março, o Google foi o site de busca mais visitado nos EUA. Foram 65 milhões de usuários. Mesmo sem serviços de e-mail e sem ser um portal, ficou na quinta posição do ranking geral de sites mais acionados. Em todo o mundo, as expressões equivalentes no português a "fazer um Google" ou "googar" tornaram-se sinônimos de pesquisar. O Google é o melhor exemplo de uma empresa pontocom que não perdeu o princípio de realidade. Até 2000, na internet, bastava ter uma boa idéia e colocá-la na rede para atrair investidores. Questões como lucro, viabilidade do negócio e taxas de retorno simplesmente não mereciam a devida atenção. Brin e Page seguiram o caminho oposto e agora estão colhendo bilhões.

 

Os números do site

• A cada segundo 3 000 pesquisas são feitas em 97 idiomas. São quase 260 milhões em um dia.

• O valor estimado da empresa é de 25 bilhões de dólares.

• Os lucros em 2003 somaram 106 milhões de dólares. Só no primeiro trimestre deste ano, foram de 64 milhões de dólares.

 
 
 
 
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