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Bolsa

O
anúncio do lançamento de ações do
site de busca mais famoso do mundo
excita os investidores

Carlos
Rydlewski
Há
anos não se via nada igual. O anúncio oficial de que
o Google, site de busca da internet, decidiu fazer uma oferta pública
inicial de ações causou uma onda de excitação
entre os investidores americanos. Estima-se que a oferta atraia
2,7 bilhões de dólares, quantia similar à venda
de automóveis da Fiat do Brasil. O anúncio feito por
Larry Page e Sergey Brin, os dois jovens fundadores do Google, também
chamou atenção pelo idealismo. Page escreveu uma longa
carta destinada ao mercado. Em resumo, afirma que é possível
ficar milionário sem prejuízo da ética e defende
o uso gratuito do site, que tem como fontes de receita a publicidade
e a venda de tecnologia. "Queremos que o Google seja uma instituição
que torne o mundo um lugar melhor", frisou. Em outro ponto do comunicado,
ele pede aos agentes econômicos: "Não sejam maus".
A carta enfatiza, ainda, que os pequenos investidores terão
uma boa fatia de ações ao contrário
do que costuma ocorrer quando uma empresa promissora abre seu capital.
Page e Brin faziam mestrado na conceituada Universidade Stanford,
nos Estados Unidos, quando idealizaram em 1998 uma ferramenta de
busca para facilitar as pesquisas dos internautas. Montaram o Google
e hoje são bilionários. Page e Brin querem o dinheiro
dos investidores sem se sujeitar a métodos ortodoxos de gestão.
O estilo deles é bastante peculiar. No Google, os funcionários
são incentivados a usar 20% do tempo para pensar em propostas
de como melhorar a empresa. Page diz que a conquista de resultados
demora e que as pressões imediatistas só atrapalham.
Para defender a viabilidade da sua estratégia, utiliza os
resultados da empresa. No ano passado, o faturamento cresceu 176%
e fechou em 962 milhões de dólares. O lucro não
pára de aumentar. No primeiro trimestre deste ano, foi de
64 milhões de dólares.
Em março, o Google foi o site de busca mais visitado nos
EUA. Foram 65 milhões de usuários. Mesmo sem serviços
de e-mail e sem ser um portal, ficou na quinta posição
do ranking geral de sites mais acionados. Em todo o mundo, as expressões
equivalentes no português a "fazer um Google" ou "googar"
tornaram-se sinônimos de pesquisar. O Google é o melhor
exemplo de uma empresa pontocom que não perdeu o princípio
de realidade. Até 2000, na internet, bastava ter uma boa
idéia e colocá-la na rede para atrair investidores.
Questões como lucro, viabilidade do negócio e taxas
de retorno simplesmente não mereciam a devida atenção.
Brin e Page seguiram o caminho oposto e agora estão colhendo
bilhões.
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Os
números do site
A cada segundo 3 000 pesquisas são
feitas em 97 idiomas. São quase 260 milhões
em um dia.
O valor estimado da empresa é de 25
bilhões de dólares.
Os lucros em 2003 somaram 106 milhões
de dólares. Só no primeiro trimestre
deste ano, foram de 64 milhões de dólares.
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