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Telecomunicações
A
Embratel é do "Engenheiro"
Pista
livre para o mexicano Carlos Slim
ficar
com a "jóia da coroa" das teles

Carlos
Rydlewski
Reuters
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| Carlos
Slim, da Telmex: briga pela liderança na América
Latina |
Coube
ao juiz Arthur Gonzalez, da Corte de Falências de Nova York,
definir o destino da Embratel, a líder na telefonia de longa
distância internacional no Brasil. Na semana passada, o magistrado
americano confirmou a compra da empresa pela Teléfonos de
México (Telmex), do mexicano Carlos Slim, o homem mais rico
da América Latina. O negócio, anunciado em março,
foi parar no tribunal instalado em Manhattan porque o consórcio
Calais, formado por Telefônica, Telemar, Brasil Telecom e
Geodex, também queria comprar a Embratel. A Telmex ofereceu
400 milhões de dólares e o consórcio Calais
propôs 550 milhões de dólares. Como a MCI, a
controladora da Embratel, estava mergulhada havia dois anos em um
processo de concordata nos Estados Unidos, a decisão acabou
no tribunal de Gonzalez.
O
juiz bateu o martelo a favor dos mexicanos e justificou: a oferta
mais atraente corria um risco muito alto de ser barrada no futuro
por problemas regulatórios. Gonzalez achou que órgãos
brasileiros como a Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
poderiam frear o negócio. A justificativa seria que Telefônica,
Brasil Telecom e Telemar ficariam grandes demais com a compra da
Embratel e isso poderia vir a ser considerado um problema pelas
autoridades brasileiras. "Nem sempre o melhor preço é
melhor para o vendedor", sentenciou Gonzalez.
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Um
dos panos de fundo da batalha em torno da Embratel é a guerra
pelo mercado latino-americano, que opõe principalmente a
espanhola Telefônica e as empresas de Carlos Slim, o "Engenheiro",
como é chamado no México. O mercado de telefonia no
Brasil representa quase 40% do total da América Latina. Os
espanhóis da Telefônica ainda mantêm ampla liderança
no mercado latino-americano de linhas fixas. Têm 21,5 milhões
de clientes em catorze países da região, contra 16,1
milhões de assinantes da Telmex em cinco países. No
front de celulares, a disputa é mais apertada. Slim tem a
América Móvil, que é dona da Claro no Brasil
e está presente em outros sete países latino-americanos,
com 43,3 milhões de clientes. Slim acelerou o processo de
aquisições a partir de 2000 e já gastou cerca
de 6 bilhões de reais. Quer oferecer a sua clientela um pacote
completo de serviços, com telefonia fixa local, celulares,
ligações de longa distância, transmissão
de dados e vídeo, além de internet.
A
Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério
da Justiça, investiga as empresas de telefonia fixa no Brasil
por suposta formação de cartel. A polêmica ganhou
força em meados de abril. A polícia encontrou um documento
na sala de um executivo da Telefônica, em São Paulo.
O texto listava como uma das vantagens da compra da Embratel a possibilidade
de "alinhar preços pelo teto". A empresa contesta judicialmente
a operação de busca e apreensão feita pelos
policiais e ressalta que o documento não tinha caráter
oficial. Diz Fernando Xavier Ferreira, presidente do Grupo Telefônica:
"Essa não representa a posição da empresa".
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