Edição 1852 . 5 de maio de 2004

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Telecomunicações
A Embratel é do "Engenheiro"

Pista livre para o mexicano Carlos Slim
ficar com a "jóia da coroa" das teles


Carlos Rydlewski

Reuters
Carlos Slim, da Telmex: briga pela liderança na América Latina

Coube ao juiz Arthur Gonzalez, da Corte de Falências de Nova York, definir o destino da Embratel, a líder na telefonia de longa distância internacional no Brasil. Na semana passada, o magistrado americano confirmou a compra da empresa pela Teléfonos de México (Telmex), do mexicano Carlos Slim, o homem mais rico da América Latina. O negócio, anunciado em março, foi parar no tribunal instalado em Manhattan porque o consórcio Calais, formado por Telefônica, Telemar, Brasil Telecom e Geodex, também queria comprar a Embratel. A Telmex ofereceu 400 milhões de dólares e o consórcio Calais propôs 550 milhões de dólares. Como a MCI, a controladora da Embratel, estava mergulhada havia dois anos em um processo de concordata nos Estados Unidos, a decisão acabou no tribunal de Gonzalez.

O juiz bateu o martelo a favor dos mexicanos e justificou: a oferta mais atraente corria um risco muito alto de ser barrada no futuro por problemas regulatórios. Gonzalez achou que órgãos brasileiros como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) poderiam frear o negócio. A justificativa seria que Telefônica, Brasil Telecom e Telemar ficariam grandes demais com a compra da Embratel e isso poderia vir a ser considerado um problema pelas autoridades brasileiras. "Nem sempre o melhor preço é melhor para o vendedor", sentenciou Gonzalez.

Um dos panos de fundo da batalha em torno da Embratel é a guerra pelo mercado latino-americano, que opõe principalmente a espanhola Telefônica e as empresas de Carlos Slim, o "Engenheiro", como é chamado no México. O mercado de telefonia no Brasil representa quase 40% do total da América Latina. Os espanhóis da Telefônica ainda mantêm ampla liderança no mercado latino-americano de linhas fixas. Têm 21,5 milhões de clientes em catorze países da região, contra 16,1 milhões de assinantes da Telmex em cinco países. No front de celulares, a disputa é mais apertada. Slim tem a América Móvil, que é dona da Claro no Brasil e está presente em outros sete países latino-americanos, com 43,3 milhões de clientes. Slim acelerou o processo de aquisições a partir de 2000 e já gastou cerca de 6 bilhões de reais. Quer oferecer a sua clientela um pacote completo de serviços, com telefonia fixa local, celulares, ligações de longa distância, transmissão de dados e vídeo, além de internet.

A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, investiga as empresas de telefonia fixa no Brasil por suposta formação de cartel. A polêmica ganhou força em meados de abril. A polícia encontrou um documento na sala de um executivo da Telefônica, em São Paulo. O texto listava como uma das vantagens da compra da Embratel a possibilidade de "alinhar preços pelo teto". A empresa contesta judicialmente a operação de busca e apreensão feita pelos policiais e ressalta que o documento não tinha caráter oficial. Diz Fernando Xavier Ferreira, presidente do Grupo Telefônica: "Essa não representa a posição da empresa".

 
 
 
 
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