|
Vítimas
famosas do transtorno
obsessivo-compulsivo
SANTO
INÁCIO (1491-1556)
Antes
de se converter, o nobre espanhol Inácio de Loyola
era um soldado extremamente vaidoso. Durante muito tempo,
o fundador da Companhia de Jesus não conseguiu
se livrar da culpa pela vida fútil do passado
e desenvolveu a mania de confessar sempre os mesmos
pecados. "Ele começava a recordar seus pecados
e, como se estivessem atados a um fio, ia pensando de
pecado em pecado, e lhe parecia de novo que estava obrigado
a confessá-los outra vez", relatou o biógrafo
de Santo Inácio, sobre a confissão feita
no mosteiro beneditino de Montserrat, nos arredores
de Barcelona, em meados do século XVI
SAMUEL
JOHNSON (1709-1784)
Escritor
e ensaísta inglês, autor do livro Vidas
dos Poetas Ingleses, só conseguia cruzar
uma porta depois de cumprir um ritual complicadíssimo.
Antes de passar pela soleira, Johnson tinha de dar um
determinado número de passos em relação
a um ponto que ele próprio estabelecia
Fotos Alexander Rodchenko/divulgação
 |
FRANZ KAFKA (1883-1924)
O
autor de A Metamorfose, O Castelo e O Processo
preocupava-se excessivamente com doenças.
Para que o ar circulasse, o escritor checo dormia com
as janelas abertas e usava roupas leves, mesmo durante
o inverno. Paradoxalmente, Kafka cuidava muito pouco
da própria saúde característica
típica das vítimas do transtorno obsessivo-compulsivo
VLADIMIR
MAIAKOVSKI
(1893-1930)
Um
dos principais representantes da poesia russa moderna,
Maiakovski era acometido por rituais de limpeza. Tinha
o costume de lavar as mãos várias vezes
ao dia. O autor de Mistério Bufo, Os Banhos
e O Percevejo era uma personalidade atormentada
e acabou cometendo suicídio
HOWARD
HUGHES (1905-1976)
Com
cerca de 50 anos, o magnata americano, amante de beldades
como Katharine Hepburn, Lana Turner e Ava Gardner, começou
a apresentar os primeiros sinais de seu medo obsessivo
de ser contaminado por vírus e bactérias.
Aos poucos Hughes foi se isolando numa redoma de assepsia,
onde se julgava protegido das impurezas do "mundo lá
fora". Seu carro era revestido de filtro antigermes.
As salas e quartos de sua mansão passavam diariamente
por um minucioso processo de limpeza. O pavor de Hughes
era tanto que, em 1953, ele vendeu sua empresa de aviação
e fundou o Howard Hughes Medical Institute, um dos maiores
centros de pesquisas médicas do mundo. Morreu
aos 70 anos sozinho e desnutrido
KURT
GÖDEL (1906-1978)
Desde
criança, um dos mais importantes matemáticos
do século XX e o melhor amigo de Albert Einstein
tinha pavor de ficar doente. Vivia metido em pesados
casacos de lã até dentro de casa, mesmo
durante o verão. Tal qual sua mãe fazia,
a mulher de Gödel o tratava como um menino frágil.
Depois que ela morreu, o matemático austríaco
parou de comer com medo de ser contaminado pela comida
GLENN
GOULD (1932-1982)
O
pianista canadense, um dos mais revolucionários
intérpretes de Bach, tinha pavor de ser infectado
por vírus e bactérias. Por causa disso,
evitava o contato humano e estava sempre de luvas, boné
e cachecol. No auge da carreira, em 1964, a doença
o afastou definitivamente dos palcos
Fontes: Márcio Versiani, Maria Conceição
Rosário Campos,
Eurípedes Miguel e José Del Porto, psiquiatras,
e padre Luís Corrêa Lima, historiador
|