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Meio
ambiente
Economia
verde
no vermelho
A
Alemanha, o país ecologicamente
correto, descobre que sua
política
ambiental paralisa
a economia

José
Eduardo Barella
AFP
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| Cata-ventos
na paisagem germânica: caros e ineficientes |
A Alemanha,
como se sabe, é um exemplo de devoção à
causa ambientalista. A consciência ecológica dos alemães
abriu caminho para a ascensão do Partido Verde, que hoje
integra o governo de coalizão com os social-democratas, e
a adoção de uma legislação duríssima
para proteger a natureza. Também foram oferecidas vantagens
para a indústria investir em produtos e processos que não
agridam o meio ambiente. Hoje, 65% do lixo é reciclado e
os imensos cata-ventos que produzem energia elétrica foram
incorporados à paisagem. O problema é que a política
ambiental alemã, com seu dogmatismo extremado e seus generosos
subsídios, está devorando os recursos do Estado
ameaçando paralisar a maior economia da Europa. Só
para subvencionar a reciclagem de lixo e programas de energia alternativa,
o governo gasta 3,5 bilhões de dólares por ano. O
país já discute se essa dinheirama não deveria
ser direcionada para reaquecer outros setores da economia, estagnada
há dez anos. Além disso, empresários reclamam
que o excesso de leis ambientais prejudica a produtividade industrial.
O
primeiro-ministro Gerhard Schroeder teme o desgaste político,
incluindo a retirada do apoio dos aliados verdes, caso ceda às
pressões por mudanças. A expectativa era que o apoio
à chamada indústria verde pudesse gerar empregos e
abrir mercados no exterior. Mas uma sucessão de erros acabou
gerando distorções. O programa de reciclagem de lixo,
por exemplo, é o mais caro do mundo. O governo torrou 23,7
bilhões de dólares na criação de uma
estatal para gerir o sistema e divulgar à população
como separar o lixo para a coleta. A estatal virou cabide de empregos
e é acusada de ineficiência. Estudos do próprio
governo concluíram que incinerar alguns tipos de plástico
é três vezes mais barato do que reciclá-lo e
causa menos prejuízos à natureza. A direção
da estatal, porém, não admite fazer mudanças.
Para efeito de comparação, o governo inglês
gasta 180 milhões de dólares por ano com as 300 empresas
que coletam e reciclam o lixo do país.
Outra
distorção ocorreu com o investimento maciço
em formas "limpas" de energia, como a eólica (gerada pelos
ventos) e a solar. A intenção era usá-las como
substitutas das usinas nucleares, responsáveis por 30% do
consumo de eletricidade no país e que serão desativadas
em vinte anos. O governo destina 1,2 bilhão de dólares
anuais em subsídios para aquecer a indústria ligada
ao setor de energia eólica. Além disso, uma lei federal
obriga as empresas de energia a comprar toda a produção
do setor e a pagar uma taxa 2,5 vezes acima da média de mercado.
Como os cata-ventos geram apenas 5% da energia elétrica alemã,
os benefícios são discutíveis. Não bastassem
os prejuízos, alguns grupos ecológicos apontam várias
restrições ao equipamento: eles atrapalham a migração
de pássaros, são barulhentos e causam poluição
visual. O lobby para mexer na política ambiental também
ganhou apoio de dois Estados agrícolas, Mecklenburg e Saxônia-Anhalt.
Eles querem abrir mão da agricultura orgânica e plantar
sementes geneticamente modificadas para melhorar sua produtividade
e obter mais lucros. Os verdes tremem diante da idéia.
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