Edição 1852 . 5 de maio de 2004

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Intercâmbio
Tal pai, tal filho

Brasileiros acima de 50 anos se juntam
aos jovens nos cursos de idiomas no exterior


Rosana Zakabi


Reprodução Ana Araujo
Silva, 63 anos, confraterniza com os colegas jovens: "É melhor que fazer turismo"


Agências que oferecem os pacotes

Fazer um curso de idiomas no exterior é hoje prática comum entre os jovens de classe média. Eles passam as férias estudando em escolas de outro país para ganhar fluência numa língua estrangeira, investir na carreira e, de quebra, se divertir um bocado. Nos últimos tempos, outro tipo de estudante tem aderido a essas viagens. São pessoas acima dos 50 anos, em geral já aposentadas e com os filhos criados, que decidem investir num sonho que não conseguiram realizar antes por falta de tempo ou oportunidade. Assim como ocorre com os jovens, os estudantes adultos viajam em grupos, ficam hospedados em casas de família e estudam com colegas dos quatro cantos do mundo. A maioria vai para a Inglaterra, Espanha, Canadá e Nova Zelândia. Estima-se que em 2003 cerca de 300 brasileiros cinqüentões e sessentões tenham feito cursos de idiomas no exterior em sistema de intercâmbio. É uma cifra modesta se comparada à dos jovens que viajam todos os anos, mas a procura por esse tipo de programa vem aumentando gradualmente.

O principal motivo foi o surgimento de pacotes específicos para estudantes mais velhos. "Muitos clientes se sentem mais seguros sabendo que terão colegas da mesma idade durante a viagem", diz Lilian Nogueira, gerente de intercâmbios da empresa Brazilians To The World, de Curitiba. A maioria gosta tanto da experiência que indica o intercâmbio aos amigos ou passa a viajar com freqüência. O mineiro Antonio Manoel da Silva, de 63 anos, bancário aposentado, participou de um programa de intercâmbio pela primeira vez em 2001, quando ficou dois meses em Vancouver, no Canadá. No ano seguinte foi para Toronto e em 2003 para Londres. Em junho vai para os Estados Unidos. "É muito melhor fazer intercâmbio do que viajar com pacotes de turismo, porque é uma oportunidade de conhecer o cotidiano dos habitantes dos países", comenta Silva, que é separado, tem dois filhos e um neto de 1 ano.

Os preços, quando comparados aos das excursões turísticas convencionais, não chegam a ser salgados. Uma temporada de quatro semanas em Bournemouth, na Inglaterra, um dos destinos mais procurados, sai por 2.200 dólares, mais taxas. Para a Espanha, custa 1.700 dólares, em média. "Os estudantes nos procuram dizendo que o mais importante é ter contato direto com a cultura de outros países", conta Claudia Martins, gerente de marketing da empresa Student Travel Bureau (STB), de São Paulo. Há quem opte por viajar com grupos que misturam adolescentes e adultos na mesma turma. "Não quis ficar num grupo só com pessoas de minha idade porque acho importante a troca de experiências com os jovens", comenta a curitibana Pia Annunciata Ribas, de 73 anos, que em janeiro passou três semanas em Hastings, na Inglaterra. "Já comecei a economizar dinheiro para a minha próxima viagem", diz ela.

 



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