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Intercâmbio
Tal
pai, tal filho
Brasileiros
acima de 50 anos se juntam
aos jovens nos cursos de idiomas no exterior

Rosana
Zakabi
Reprodução Ana Araujo
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| Silva,
63 anos, confraterniza com os colegas jovens: "É
melhor que fazer turismo" |
Fazer
um curso de idiomas no exterior é hoje prática comum
entre os jovens de classe média. Eles passam as férias
estudando em escolas de outro país para ganhar fluência
numa língua estrangeira, investir na carreira e, de quebra,
se divertir um bocado. Nos últimos tempos, outro tipo de
estudante tem aderido a essas viagens. São pessoas acima
dos 50 anos, em geral já aposentadas e com os filhos criados,
que decidem investir num sonho que não conseguiram realizar
antes por falta de tempo ou oportunidade. Assim como ocorre com
os jovens, os estudantes adultos viajam em grupos, ficam hospedados
em casas de família e estudam com colegas dos quatro cantos
do mundo. A maioria vai para a Inglaterra, Espanha, Canadá
e Nova Zelândia. Estima-se que em 2003 cerca de 300 brasileiros
cinqüentões e sessentões tenham feito cursos
de idiomas no exterior em sistema de intercâmbio. É
uma cifra modesta se comparada à dos jovens que viajam todos
os anos, mas a procura por esse tipo de programa vem aumentando
gradualmente.
O
principal motivo foi o surgimento de pacotes específicos
para estudantes mais velhos. "Muitos clientes se sentem mais seguros
sabendo que terão colegas da mesma idade durante a viagem",
diz Lilian Nogueira, gerente de intercâmbios da empresa Brazilians
To The World, de Curitiba. A maioria gosta tanto da experiência
que indica o intercâmbio aos amigos ou passa a viajar com
freqüência. O mineiro Antonio Manoel da Silva, de 63
anos, bancário aposentado, participou de um programa de intercâmbio
pela primeira vez em 2001, quando ficou dois meses em Vancouver,
no Canadá. No ano seguinte foi para Toronto e em 2003 para
Londres. Em junho vai para os Estados Unidos. "É muito melhor
fazer intercâmbio do que viajar com pacotes de turismo, porque
é uma oportunidade de conhecer o cotidiano dos habitantes
dos países", comenta Silva, que é separado, tem dois
filhos e um neto de 1 ano.
Os
preços, quando comparados aos das excursões turísticas
convencionais, não chegam a ser salgados. Uma temporada de
quatro semanas em Bournemouth, na Inglaterra, um dos destinos mais
procurados, sai por 2.200 dólares,
mais taxas. Para a Espanha, custa 1.700
dólares, em média. "Os estudantes nos procuram dizendo
que o mais importante é ter contato direto com a cultura
de outros países", conta Claudia Martins, gerente de marketing
da empresa Student Travel Bureau (STB), de São Paulo. Há
quem opte por viajar com grupos que misturam adolescentes e adultos
na mesma turma. "Não quis ficar num grupo só com pessoas
de minha idade porque acho importante a troca de experiências
com os jovens", comenta a curitibana Pia Annunciata Ribas, de 73
anos, que em janeiro passou três semanas em Hastings, na Inglaterra.
"Já comecei a economizar dinheiro para a minha próxima
viagem", diz ela.
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