Edição 1851 . 28 de abril de 2004

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Plástica de voz

Produtos contra rugas também atuam para
enrijecer e rejuvenescer as cordas vocais

Para amenizar rugas e vincos e rejuvenescer o rosto sem intervenção do bisturi, os médicos contam com um conhecido arsenal de substâncias de preenchimento: colágeno, silicone, ácidos (Restylane e afins). Pois as mesmas substâncias são usadas para recuperar um outro grupo de músculos envelhecidos, as cordas vocais. Inalcançáveis aos olhos e geralmente ignoradas, elas são a mais recente fronteira da eterna luta contra os efeitos do envelhecimento. As cordas vocais também se ressentem do peso dos anos e, a partir dos 45 anos, sofrem um processo de deterioração. Antes forte e contínua, a voz vai ficando fraca, tremida, "assoprada", mais grave nas mulheres e mais aguda nos homens. Os procedimentos para atenuar essas mudanças são dois: terapias fonoaudiológicas, que exigem tempo e disciplina, e as chamadas "plásticas da voz" – aplicações de colágeno, esponja de fibrina, gordura ou ácido diretamente nas pregas vocais. Ainda com objetivo estético, pratica-se a tireoplastia, menos recomendada e mais dolorosa, em que se faz um implante de silicone nas cordas vocais por meio de uma incisão no pescoço do paciente.

Durante a respiração, as cordas vocais se abrem totalmente para permitir a passagem de ar pela laringe; durante a fala, elas se fecham, para que o ar vindo dos pulmões as faça vibrar e gerar som. "Com o envelhecimento, os músculos das pregas vocais e laringe ficam flácidos, atrapalhando a vibração e o fechamento das cordas", explica a fonoaudióloga Leny Kyrillos. As mudanças na voz decorrentes desse processo são sinais amplamente reconhecidos de velhice. "A injeção dessas substâncias nas pregas vocais ameniza a flacidez causada pelo envelhecimento, fazendo com que as cordas se reaproximem e vibrem melhor", diz o cirurgião Paulo Pontes, otorrinolaringologista e cirurgião da Escola Paulista de Medicina. E Botox para a voz, tem? Claro que tem, só que para fins unicamente terapêuticos: aplica-se a toxina botulínica na laringe de quem sofre de disfonia espasmódica, um problema raro que faz com que a voz saia entrecortada, aos solavancos. Paralisada uma parte dos músculos, a fala volta ao normal por um período determinado.

 


 
 
 
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